A única banda de Heavy Metal da qual Pete Townshend (The Who) é fã

Pete Townshend tocando guitarra com The Who em 2023
Foto de Pete Townshend via Shutterstock

Pete Townshend reconhece que o The Who abriu caminhos para o desenvolvimento do Heavy Metal no final dos anos 1960, mas faz ressalvas quanto ao papel da banda na consolidação do gênero.

Em entrevista a Barry Robinson, do Classic Album Review, o guitarrista e principal compositor do grupo destacou a sonoridade explosiva de Live at Leeds, álbum ao vivo lançado em 1970, e as diferenças entre a abordagem musical do The Who e a filosofia que, segundo ele, orientava bandas como Black Sabbath e Led Zeppelin.

Questionado se acreditava que o The Who havia desempenhado algum papel no surgimento ou na evolução do Metal, Townshend respondeu (via Blabbermouth):

De certa forma, sim. Mas acredito que a diferença, na verdade, era que, para bandas como o Black Sabbath, e todas as outras grandes bandas de Heavy Metal, até o surgimento do Led Zeppelin, que combinava o Heavy Metal com composições mais suaves, baladas e coisas do tipo, o Heavy Metal era quase uma filosofia religiosa. Ele estava enraizado em um senso de escuridão e, muitas vezes, de ironia. Além disso, a competência musical no Heavy Metal é extraordinária. Por isso, muitos músicos do gênero citam o ‘Live at Leeds’ [primeiro álbum ao vivo do The Who, de 1970] como algo que lhes deu ‘permissão’, de certa maneira, para enlouquecer, expandir os limites e improvisar.”

Apesar de reconhecer a influência exercida pelo disco, Pete ponderou que não considera o The Who necessariamente responsável pela criação do Heavy Metal. Para ele, Live at Leeds representa o ponto máximo da sonoridade mais agressiva da banda, que, naquele período, também explorava caminhos musicais distintos. Citando o disco de 1969 Tommy, o guitarrista disse:

Não, não creio que seja necessariamente o caso. Acho que o ‘Live at Leeds’ representa, provavelmente, o ápice da nossa sonoridade explosiva. Mas, na mesma época, fazíamos outras coisas… Por exemplo, em Woodstock, tocamos uma boa parte de ‘Tommy’ e, ao mesmo tempo, apresentamos um repertório mais pesado. Fazíamos as duas coisas.”

A relação de Pete Townshend, do The Who, com o Heavy Metal

Ao falar sobre suas referências e preferências musicais, Townshend admitiu que o contato com o Metal foi limitado. O músico citou o AC/DC como a única banda do gênero que realmente costumava ouvir e revelou que, apesar das antigas reservas em relação ao Led Zeppelin, vem redescobrindo a obra do grupo liderado por Jimmy Page. Citando ainda Jimi Hendrix, Townshend afirmou:

O único Heavy Metal que eu realmente ouvia era AC/DC. E nunca cheguei a curtir muito o Led Zeppelin, o que é curioso, já que, ultimamente, tenho tentado convidar o Jimmy Page [guitarrista do Led Zeppelin] para almoçar comigo. Mandei uma mensagem para ele recentemente dizendo: ‘Estou ouvindo todos os álbuns do Zeppelin novamente’, achei que deveria fazer isso. E tem coisas ali que são, porra, sensacionais! É só que, na época, eu não gostava do fato de eles estarem, de certa forma, tentando ‘roubar’ o nosso público. [Risos]

Eu já tinha passado por isso antes, quando Jimi Hendrix apareceu com seus amplificadores potentes, distorção, pedal wah-wah e todo o resto, e precisei admitir: ‘Uau, aqui está um gênio da guitarra.’ Eric Clapton era meu amigo. Jeff Beck era meu amigo. Jimi era alguém que eu conhecia muito bem. Eu sabia que ele era um virtuoso, capaz de tocar com uma velocidade e intensidade impressionantes, se quisesse. Por isso, fiquei, na verdade, um tanto surpreso quando comecei a ouvir o Led Zeppelin e a notar a variedade que eles apresentavam.”

Relançamento de The Who By Numbers terá material inédito

As declarações de Pete Townshend chegaram em meio à preparação da nova edição de The Who By Numbers, álbum lançado pelo The Who em 1975. O disco foi relançado em 30 de outubro em uma caixa super deluxe com cinco CDs e um Blu-ray, reunindo material de arquivo, versões alternativas e registros ao vivo.

O conjunto inclui um livro de capa dura de 100 páginas, com fotografias, itens de memorabilia e textos exclusivos de Pete e Andy Neill, especialista na trajetória da banda. Ao todo, são 92 faixas e mixagens inéditas, além de novas mixagens em Atmos, 5.1 e estéreo realizadas por Townshend, 11 demos originais do compositor, registros das sessões nos estúdios Ramport e Shepperton, mixagens preliminares e guias vocais.

A edição também apresenta a versão mais completa já lançada da apresentação Live At Vetch Field, gravada em Swansea, no País de Gales, em 12 de junho de 1976. O Blu-ray inclui ainda áudio e vídeo de um show até então inédito do The Who, registrado em fita de vídeo de duas polegadas no Metropolitan Stadium, em Pontiac, Michigan, nos Estados Unidos.

Produzido por Glyn Johns, que já havia trabalhado com a banda em Who’s Next (1971), The Who By Numbers ocupa lugar particular na discografia do grupo. A capa descontraída, ilustrada por John Entwistle, contrasta com o conteúdo do álbum, que, apesar de incluir um grande sucesso, reúne algumas das canções mais sombrias já gravadas pela banda.

Aproveite para relembrar The Who By Numbers logo abaixo!

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Gabriel von Borell

A única banda de Heavy Metal da qual Pete Townshend (The Who) é fã


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