Capital Inicial dá spoiler sobre show inédito com Dado Villa-Lobos no Rock in Rio: “o repertório vai ser visualmente estarrecedor”

Capital Inicial dá spoiler sobre show inédito com Dado Villa-Lobos no Rock in Rio:
Crédito: Thiago Almeida @almeidamaker

Falta pouco para o Capital Inicial subir ao palco do Rock in Rio, e o grupo prepara uma apresentação marcada por encontros históricos e novidades na produção. Uma das novidades será a participação de Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana e amigo de infância de Dinho Ouro Preto, em uma união inédita para homenagear Renato Russo.

Capital Inicial dá spoiler sobre show inédito com Dado Villa-Lobos no Rock in Rio: "o repertório vai ser visualmente estarrecedor" (ENTREVISTA)
Crédito: Thiago Almeida @almeidamaker

Às vésperas do festival, o vocalista adiantou detalhes da preparação para o evento, além de falar sobre os 40 anos do álbum de estreia da banda. Além disso, Dinho refletiu sobre a atemporalidade das canções lançadas em 1986.

O reencontro de Dinho Ouro Preto com Dado Villa-Lobos no Rock in Rio e a estrutura inédita do show

Foto: Divulgação/Felipe Giubilei

Amigos desde a infância em Brasília, Capital Inicial e Dado Villa-Lobos sobem ao palco juntos pela primeira vez. A parceria vai celebrar a trajetória do rock brasiliense e prestar um tributo direto à memória do líder da Legião Urbana.

“Eu e o Dado somos muito próximos desde a nossa infância. Nos conhecemos quando tínhamos uns 11 anos e nunca mais desgrudamos”, relata Dinho Ouro Preto. “Mesmo com tanta história entre nós, é a primeira vez que vamos fazer um show juntos. Não tenho como colocar em palavras minha alegria de tê-lo ao lado no palco do Rock in Rio celebrando a Legião Urbana e o Renato Russo, meu grande herói musical. Vai ser épico.”

Dinho Ouro Preto

Além da presença do guitarrista convidado, o vocalista antecipa que a banda montou um projeto cênico exclusivo para a apresentação no festival:

“Nós estamos preparando um show de luzes como nunca fizemos antes. Então, além do encontro, o repertório vai ser visualmente estarrecedor. Mas não posso contar mais do que isso. Nos vemos lá.”

Capital Inicial celebra 40 anos do primeiro disco

Capa do álbum “Capital Inicial”

Paralelamente aos preparativos para o Rock in Rio, o Capital Inicial vive a celebração de quatro décadas de seu primeiro álbum de estúdio, o homônimo Capital Inicial “(1986). Gravado por Dinho (voz), Loro Jones (guitarra), Flávio Lemos (baixo) e Fê Lemos (bateria), o repertório de 11 faixas reuniu composições que nasceram no Aborto Elétrico — projeto que antecedeu tanto o Capital quanto a Legião Urbana.

Para Dinho, a passagem do tempo alterou a percepção e o peso social de faixas consagradas como “Música Urbana”, “Leve Desespero”, “Fátima”, “Veraneio Vascaína”, “No Cinema” e “Sob Controle”.

“‘Fátima’ é a primeira que me vem à cabeça. A letra é tão estranha que na verdade cada pessoa a interpreta como quer”, avalia o cantor. “‘Leve Desespero’, por outro lado, me parece perfeita para os dias de hoje, em que todos se conectam, mas simultaneamente se sentem sós. ‘Música Urbana’, que é uma canção sobre Brasília, hoje pode ser ouvida como uma música sobre a vida cinzenta de qualquer grande cidade brasileira. ‘Veraneio Vascaína’ era sobre um evento específico — a invasão do campus da UnB pela polícia durante o regime militar —, mas hoje é entendida como uma música sobre a brutalidade do Estado de um modo geral.”

Dinho Ouro Preto

Apesar do carinho pelo repertório e da resposta do público ao longo das décadas, o vocalista aponta as limitações técnicas e estruturais do álbum “Capital Inicial”.

“Quando me ouço cantando, tenho vontade de regravar o disco inteiro. Me incomoda o fato de as guitarras e a bateria não terem mais som. Naquele momento, ninguém sabia produzir rock no Brasil. A sonoridade que todos conhecemos e gostamos nos gringos só chegou aqui quase dez anos depois”, pondera o cantor. “Fora isso, eu era muito moleque, tinha 21 anos. Acho que mais alguns anos de estrada teriam me feito bem. Por outro lado, o disco virou um clássico. É ouvido até hoje e tocamos várias músicas dele nos shows. Então, é melhor deixar para lá e só apreciá-lo.”

A trajetória de Dinho Ouro Preto e a superação da insegurança no início da carreira

Crédito: Thiago Almeida @almeidamaker

A longevidade do grupo e o status de clássico do primeiro registro fonográfico não eram um cenário previsto pelos integrantes no início dos anos 1980. Entrando no Capital Inicial aos 19 anos e gravando o disco aos 21, Dinho relata ter enfrentado um longo processo de maturação nos palcos.

“Confesso que ainda hoje tenho dificuldade de acreditar em tudo o que nos aconteceu”, afirma o vocalista. “Eu achava que aquilo tudo era uma aventura de adolescente que um dia acabaria e eu ia voltar à vida ‘normal’. Mesmo depois do segundo disco continuei achando isso. Durante um bom tempo eu achava que meu lugar era na plateia, não no palco. Mas os anos foram se passando, viraram décadas e aos poucos fui me tornando um músico mais confiante. Acredito que uma mistura de incerteza e dúvida com determinação faz de você uma pessoa com os pés no chão.”

Bruna Cora
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