Celo Dut conta ao TMDQA! como foi guiado por suas emoções na criação do disco de estreia solo “Rei das Ruas”

TMDQA! Entrevista: Celo Dut foi guiado por suas emoções na criação do seu disco de estreia solo
Divulgação

Depois de passar um tempo acreditando que precisava se encaixar em determinados gêneros musicais para conquistar seu espaço na indústria, Celo Dut encontrou em Rei das Ruas a oportunidade de apresentar ao público um retrato mais amplo de quem é como artista.

Lançado em um momento de maturidade artística e pessoal, o primeiro disco solo do músico baiano chega como um exercício de liberdade e autoafirmação, reunindo diferentes influências e participações especiais. Em conversa com o TMDQA!, Dut afirmou que o direcionamento do álbum, tanto em relação às letras como à sonoridade, foi guiado por suas emoções. Ele explicou:

[…] o que guia o disco é única e exclusivamente o que eu estava sentindo. O que cada harmonia me fazia sentir quando surgia, enquanto a gente estava criando, o que eu sentia enquanto escrevia cada música. Tiveram músicas que eu chorei muito enquanto escrevia. E não chorar, aquele chorar triste, mas um chorar de estar me sentindo momentaneamente elevado pelas emoções e pela conexão com a música, me sentindo nessa bolha de luz e sensação boa, chorando e escrevendo.”

A obra apresenta uma narrativa dividida em três atos, que acompanha diferentes momentos de uma jornada de nascimento, resistência e descoberta do amor. Essa construção passa por referências de matriz africana e pela relação do artista com a ancestralidade e a espiritualidade, elementos que fazem parte de sua história desde a infância, na Cidade Baixa, em Salvador. Como ele apontou, levar essas vivências para o disco é, antes de tudo, uma forma de expressar sua própria existência e a fé que o acompanha.

As colaborações também ajudam a ampliar o universo do álbum, que reúne nomes como Liniker, BK’, Baco Exu do Blues, Teto e Ravi Lobo. Entre os encontros, Celo destaca a surpresa com a abordagem vocal de Teto, que trouxe uma interpretação diferente da que ele imaginava e complementou a faixa de maneira especial.

Já entre suas grandes referências, Celo Dut destaca a importância de Gilberto Gil, cuja musicalidade, criatividade e capacidade de unir simplicidade e complexidade inspiram o artista a seguir seus próprios sentimentos, dentro e fora da música.

Depois de ter antecipado Rei das Ruas em sua estreia no Rock in Rio deste ano, o artista prepara o show de lançamento do disco que vai acontecer em Salvador no dia 27 de novembro, às 22h, no palco da Casa Rosa. A programação também terá os DJs ToperaSound e DMT na pista. Os ingressos já estão disponíveis e podem ser adquiridos no site do Sympla.

A seguir, leia na íntegra a conversa com Celo Dut sobre os bastidores do seu disco de estreia e, ao final da matéria, ouça Rei das Ruas!

TMDQA! Entrevista Celo Dut

TMDQA! Celo, eu sei que você já se dedica à música há alguns anos, mas qual foi a sensação de colocar o seu primeiro álbum solo no mundo e como está sendo a repercussão depois de quase um mês de lançamento?

Celo: A sensação percorre dois lugares principais. Um um pouco negativo, no sentido de que bate um pouquinho aquela sensação de: “Porra, por que eu não fiz isso antes?”. E automaticamente é respondida por mim, tipo: “É porque não seria assim, porque é tudo no tempo que tem que ser mesmo”. E realmente, quando eu paro para fazer “Rei das Ruas”, eu estou num lugar de maturidade musical em que nunca estive. E maturidade enquanto pessoa também. Uma coisa meio que retroalimentando a outra. Então, quando eu parei para fazer esse disco e tudo o que aconteceu até ele ficar pronto, até esse momento de dividir com o mundo, é uma sensação única, né? Porque o que ele me traz é um sentimento de afirmação, é um sentimento de autoafirmação, de tipo assim: “Essa é a minha música e eu particularmente acho muito boa e eu preciso me apossar disso”. Me apossar disso não só desse lugar empoderado quanto músico, quanto artista, mas como pessoa também, né? São exercícios que são diários. Então, o disco faz parte desse exercício também.

TMDQA!: Com certeza. E qual foi o principal sentimento que você sentiu quando viu o álbum nas plataformas digitais?

Celo: Alívio. Uma sensação de missão cumprida mesmo, de mais uma etapa sendo cumprida, mais uma entrega sendo feita. Então, é um alívio de conseguir.

TMDQA!: E falando um pouco sobre o processo de criação do “Rei das Ruas”, o que você diria que conduziu o direcionamento desse disco, tanto dos temas que você aborda como da sonoridade que ele apresenta?

Celo: Pura emoção, né? Eu acredito muito que a música… toda a arte, mas a música tem uma relação diferente com as emoções, quando você é um músico. Eu acho que eu tenho essa teoria de que, quanto mais você é capaz de sentir, mais a sua expressão musical pode ser interessante. Digamos assim. Então, o que guia o disco é única e exclusivamente o que eu estava sentindo. O que cada harmonia me fazia sentir quando surgia, enquanto a gente estava criando, o que eu sentia enquanto escrevia cada música. Tiveram músicas que eu chorei muito enquanto escrevia. E não chorar, aquele chorar triste, mas um chorar de estar me sentindo assim, momentaneamente elevado pelas emoções e pela conexão com a música, me sentindo nessa bolha de luz e sensação boa, chorando e escrevendo. Então, a única coisa que realmente pautou o disco foram as minhas emoções.

TMDQA!: Nossa, eu acho que isso tem muito a ver com o que eu ia te falar, que uma coisa que eu percebi é que esse disco traz uma identidade bastante própria assim. Eu não ouvi e automaticamente lembrei do som de outro artista, sabe? Teve algum momento durante a criação dele que você percebeu que tinha encontrado uma assinatura própria, um direcionamento inovador para a obra?

Celo: Sim, eu acho que essa percepção de descolamento, de não ser parecido com nada, isso por muito tempo foi meio que um peso para mim. Porque eu passei por um momento em que eu tentei um pouco me enquadrar em algum gênero. Eu tinha habilidade para fazer, sei lá, o R&B, pô, sou um cantor de R&B, pô, acho que sou um cantor de Afrobeat. Mas eu adoro fazer umas coisas mais pro trap também. E, ao mesmo tempo, quando eu fazia essas coisas, nunca soavam como as outras pessoas fazem. As pessoas que eu gosto de ouvir até, inclusive. Tipo assim “Porra, beleza, é um bom som, mas não tem a cara que eu sei que esse som deveria ter, teoricamente, pelo gênero que ele traz aqui. Eu sei que ele deveria ter uma certa comunicação, que eu não passo exatamente por ela”. Então, por muito tempo foi um sofrimento isso, porque eu não encaixava em nada. Eu sempre achava que a minha voz soava num lugar muito específico. Então, quando chega esse momento assim de decisão, de falar “É, eu vou fazer a minha música do meu jeito, do meu jeito, do meu jeito”. E é quando eu assumo esse lugar que antes era uma coisa ruim. Então, no disco eu assumo isso. Assim, esse lugar de… Eu canto assim, né? Eu canto assim, esse é o meu canto, e não tá certo, não tá errado, e é isso.

Esse é o meu jeito de fazer. Que vem muito da escolinha dos meus pais. O meu pai, ele tinha uma banda, ele tinha muito essa busca por ser quem é. Então, eles tinham uma teoria, por exemplo, de que quando você vai fazer um cover, sei lá, de Bob Marley, de Djavan, você não vai fazer uma versão fiel à versão original. Porque ela já existe e ela é perfeita, ela é o que ela é. Não cabe mais nada nesse mesmo espaço. Então, o interessante é que você traga essa música pro seu universo e, a partir daí, faça essa regurgitação, né? E depois, quando joga pra fora, joga pra fora do seu jeito. Porque a riqueza vai estar aí. A riqueza musical vai estar aí. E às vezes você faz como o Gilberto Gil fez, fez a versão de Bob Marley, que você fica na dúvida de qual você gosta mais. E inclusive levando critérios técnicos em conta. Então, essa parada de assumir-se como músico foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida. Porque agora eu não preciso me encaixar em mais nada. Eu tenho o meu jeito. Independentemente do gênero que eu tô cantando em cima, é o meu jeito e você vai saber que sou eu. E tá tudo bem.

TMDQA!: E algo que também contribuiu para o resultado tão interessante desse disco foram as colaborações. Você contou com participações de peso como Liniker, BK’, Teto, Baco e Ravi Lobo. Falando um pouco sobre esses convidados, com quais artistas você estava mais ansioso para trabalhar junto e teve algum que te surpreendeu durante a colaboração?

Celo: Eu estava ansioso com relação a todos, porque cada um… Primeiro veio o instrumental, primeiro veio a criação, né? A música, e depois a ideia de quem seria. Então, quando surgiu essa ideia de quem seria, eu já conseguia visualizar a voz da pessoa, ouvir BK’ falando “BK’” antes de começar o canto, sabe? Eu conseguia. E aí, quando ele mandou, quando eu ouvi a materialização disso, foi muito incrível, assim. Foi muito prazeroso mesmo, como profissional e como pessoa também. Agora, quem me surpreendeu mais com relação à participação foi Teto, porque eu esperava que ele trouxesse já a voz dele, o médio que a gente conhece ali, melodias e tal, mais intimada, mas ainda assim um pouco mais desse lugar. Então, quando ele trouxe uma abordagem de uma voz um pouco mais médio-grave e rimando, me surpreendeu. E eu achei muito bom, assim, porque complementou realmente o que estava faltando. Foi perfeito.

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TMDQA!: Nesse disco você fez uma divisão de três atos, falando de uma forma geral, o primeiro com o personagem construindo mecanismos de defesa para sobreviver, depois enfrentando um momento de resistência e fortalecimento e por último abandonando armaduras e encontrando momento mais leve, de esperança e amor. Como foi perceber que o disco precisava contar essa história dessa forma?

Celo: Isso foi em determinada parte do processo. Porque as primeiras músicas que surgiram foram “Coragem”, “Katito” e “Pedrinha de Aruanda”. “Katito”, quando surgiu, já me trouxe uma percepção assim de “caralho, isso aqui é o início, isso aqui sou eu nascendo. Sou eu nascendo, é o meu nascimento”. “Katito” traz isso. E a introdução que vem antes dela é justamente como se fosse, entre aspas, o trabalho de parto, né? Tipo aquela imagem de um cenário… O nascimento traz muito isso, essa sensação de vida e morte muito próximas. E precisa nascer, e você vê a mãe naquela situação tensa, de dor mesmo, não tem pra onde correr, então é dor. E existe toda uma tensão com esse cuidado, né? Com esse momento, assim, um cuidado tenso… Tudo pode acontecer ali, a vida e a morte realmente ficam muito próximas, né? Então quando eu estava nesse nascimento, que é essa introdução bem tensa, de “quando ele nasceu, foi um sufoco, tinha a vaca, o burro e um louco que recebeu seus sete”. É como se tivesse um trabalho de parto ali. E aí, quando chega “Katito”, é o amanhecer da trilha sonora. Entra um sol assim, pássaros e tal, a sanfona, que traz também essa emoção de alvorecer, de nascimento. E, na minha vida, foi assim, o processo de gestação foi muito tenso e, quando eu venho ao mundo, isso se desfaz.

Porque as dúvidas viram certezas, então isso se desfaz. Quando surge “Katito”, e eu me aposso disso com o início, automaticamente já entendia que eu queria mais ou menos duas partes mesmo, porque, visualizando esse lugar de “eu nasci”, ok, vou ter que falar do momento em que estou maiorzinho e também trazer o momento mais atual, do que estou vivendo agora, que é essa percepção de que é feliz, mas não é final. Porque a terceira parte do disco traz isso. Ela é uma continuação. “Pedrinha de Aruanda” traz isso, de que, olha, “massa, você conheceu o amor, conheceu a felicidade, conheceu a humanidade que você tem, mas a vida segue, e nesse movimento de seguir, os desafios surgem”. Então, a coisa segue. Desde o início surgiu essa percepção de que eu preciso de três partes, pelo menos três blocos.

TMDQA!: Celo, você apresenta em “Rei das Ruas” referências de matriz africana através do título e também de faixas como as que você citou agora, “Katito” e “Coragem”. E a gente tem visto cada vez mais artistas trazendo elementos de suas religiões e espiritualidades para dentro da música e da estética de seus trabalhos e isso é algo que acontece há muitos anos, principalmente nas obras de artistas baianos. Para você, o que significa ocupar esse espaço e colocar a sua relação com a ancestralidade e a espiritualidade de forma tão presente em um álbum?

Celo: É natural. É o que faz parte da minha vida longe e perto do holofote, longe e perto do mundo da música, longe e perto da indústria. É o que eu sou. Eu vivo o candomblé de Angola desde quando me entendo por gente. Numa casa onde a minha avó era dona de um centro espírita. Minha mãe, mãe de santo feita. E o meu padrasto também. Aí, ao mesmo tempo, tinha um tio lá que era meio da igreja, meio do candomblé. Então, assim, de onde eu vim, da Cidade Baixa, essa relação com o candomblé era, pelo menos antes da nossa querida invasão, digamos, de igrejas de forma geral, novamente, teve isso, sei lá, dez anos atrás. Então, a Cidade Baixa passou por esse momento de catequização de novo. Mas, antes disso, era muito comum. A igreja é a Igreja do Senhor do Bonfim. Quem é o Senhor do Bonfim? O Senhor do Bonfim é Oxalá. Não tem conversa. Tem a Igreja do Rosário dos Pretos, que é Santa Bárbara. Quem é Santa Bárbara? É Iansã. Não tem essa. Santa Bárbara não existe. O que existe é Iansã. Então, expressar isso no disco é só expressar a minha existência, a minha história, o que eu vivi, no que acredito, qual é a minha fé, que me move e me cuida num mundo que é o que a gente conhece. Então, é só a expressão disso.

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TMDQA!: E “Rei das Ruas” não poderia ter antecipado seu lançamento de uma forma mais especial do que um show no Palco Supernova no Rock in Rio. Vamos falar sobre essa experiência, o que que passou pela sua cabeça ao receber esse convite e saber que o show seria dias antes do lançamento?

Celo: Foi mais um sinal de que eu estava escolhendo o certo, de que estava no caminho certo, de que estava me conectando com as pessoas certas e de que esse trabalho veio num momento em que era para vir. Então, o Rock in Rio trouxe essa confirmação muito íntima, muito forte, que me deixou muito pensativo até depois de ter feito o show. Alguns dias depois, eu ainda fiquei digerindo todas essas informações, a primeira vez que vou ao Rock in Rio, tanto como artista quanto como público, meus pais lá, com meu filho, eu apresentando o meu disco solo, tocando pela primeira vez com banda, que é o meu sonho de infância, e que eu ficava me imaginando com um fonezinho, imaginando a banda, com meus amigos de infância. Então, foram todas essas realizações compactadas numa única vivência, que foi o Rock in Rio. Foi uma inundação de emoção mesmo e de pensamentos bons, assim, de “Pô, tô conseguindo.”.

TMDQA!: E Celo, eu não estou com essa camisa do Gil por acaso. Além de ser uma grande admiradora dele, eu vi você falando em uma entrevista que o Gil seria o seu feat dos sonhos e você definiu ele como a elite da música. O que existe na obra do Gil que faz você enxergá-lo dessa forma e qual é a principal influência dele hoje na sua carreira?

Celo: Acho que a forma mais palpável de expressar isso é a musicalidade dele mesmo, né? A gente nem precisa falar de quem ele é, das entrevistas, de umas coisas assim, de informação e conhecimento que ele divide. Para além disso, colocando só a música, já é mais do que suficiente. É só ouvir. É só ouvir a coletânea dele, porque o jeito que a musicalidade dele se estica e se expressa, a criatividade, a simplicidade… Porque é isso, a gente tem uma concepção de que o simples é algo fácil, mas o simples é dificílimo. É dificílimo, porque, se não fosse, todo mundo faria… Sei lá, como Bob Marley, que pegava dois acordes e fez músicas que a gente vai ouvir por mais 500 anos.

Não é fácil. O simples é algo que está próximo do divino mesmo. Está em outro nível. Então, quando você traz essa simplicidade para dentro da música e, ao mesmo tempo, uma complexidade imposta, para mim, isso é o nível mesmo. O cara faz um disco de forró com reggae, fazendo a releitura de um outro cara que, meu Deus, é muito difícil. É se assumir em um lugar que, porra… E aí, quando você vai ver, ele está só se divertindo, está só seguindo o coração dele. Ele é fã de Bob Marley, então queria fazer isso. E é só isso. A gente vê de fora e fica tipo assim “Não é só isso. Isso é muito fora da caixa, fora da curva, está além dos parâmetros comuns mesmo”.

Então, ele nesse lugar me traz justamente essa confiança de seguir o que eu sinto. Não só na música, mas na vida. A música também é muito isso de “velho, eu só preciso sentir. Enquanto eu for capaz de sentir, tudo vai ficar bem”. Acho que é esse rolê de preservar a sua criança. Acho que é de onde vêm as coisas mais criativas. Nenhum adulto seria capaz de ter a ideia de colocar um galo na cabeça porque ele ia achar tantos impedimentos racionais falando para ele que não. Ele já não toparia. Mas, quando uma criança pensa nisso, ela topa. Ela topa. Então, acho que é esse lugar. E é um lugar que, de certa forma, Gil representa para mim, você vê que é uma pessoa que segue o que sente. Isso é mágico.

TMDQA!: Pra gente encerrar, eu queria saber de três a cinco discos que foram seus melhores amigos durante a construção de Rei das Ruas.

Celo: Na época de “Rei das Ruas”, eu estava ouvindo muito Fela Kuti. Estava ouvindo muito, estava encantado. De novo, né? Porque já conhecia. Mas aí fui naquela onda de ouvir as músicas, olhar as letras e falar “Caralho, Fela, é um absurdo mesmo, né?”. E aí voltei a ouvir muito nessa época. E existem coisas que eu nunca deixo de ouvir. Os medalhões da MPB, isso é clássico, né? Carlinhos Brown, Gilberto Gil, Caetano… Muita música norte-americana também, os traps de forma geral, sei lá, Drake, Kendrick. Aí, do nada, um Lenny Kravitz, uma Corinne Bailey Rae… Sei lá, tudo. Eu sempre estou escutando tudo, porque, como eu fico nessa de seguir o que eu sinto, a cada momento a gente quer alguma coisa diferente, né? Então é sempre isso, sempre tem muito disso. Mas Fela, realmente, acho que foi o que mais marcou esse processo, porque era aquele que eu estava ouvindo todo dia. Em algum momento, eu ouvia pelo menos uma música dele.

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Lara Teixeira

Celo Dut conta ao TMDQA! como foi guiado por suas emoções na criação do disco de estreia solo “Rei das Ruas”


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