Chamada de “vovó” aos 35 anos, Madonna enfrenta novo “etarismo punitivo” aos 67 na era Confessions II

O lançamento de um projeto inédito de Madonna deveria ser motivo de celebração absoluta na cultura pop, mas, em 2026, a história insiste em se repetir. A artista movimentou a internet com a estreia global de “Confessions II, o Filme”, na última segunda-feira (08). No entanto, bastou a Rainha do Pop fazer uma performance em parceria com o Grindr na Times Square, em celebração ao Mês do Orgulho, e o lançamento da produção para que uma enxurrada de comentários tóxicos sobre sua idade e aparência inundasse as redes sociais.

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Crédito: Madonna no IG

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As referências que Madonna faz a si mesma no curta “Confessions II – The Film”

Aos 67 anos, o crime de Madonna continua sendo o mesmo de décadas atrás, já que ela se recusa a aceitar o “prazo de validade” que o mercado tenta impor às mulheres. Em 2015, ela denunciou o boicote etário da BBC Radio 1; em 2016, no discurso de Mulher do Ano da Billboard, alertou que “envelhecer é pecado”. Hoje, a resistência velada da indústria e o julgamento implacável do público provam que o etarismo direcionado à artista não é apenas um preconceito estrutural, mas soa punitivo.

Para entender o impacto dessa nova era e a barreira que a cantora ainda enfrenta, conversamos com DJs, jornalistas e fãs que acompanham Madonna. Confira!

As referências que Madonna faz a si mesma no curta "Confessions II - The Film"

Foto: Instagram/@youtube

Madonna enfrenta etarismo desde os 35 anos

O preconceito ou discriminação com base na idade na música pop é uma realidade que afeta muitas artistas. Porém, quando se trata da maior diva de todos os tempos, o cenário ganha contornos de perseguição. Há uma tentativa velada de penalizar a artista por não seguir uma cartilha imposta às mulheres desde os anos 90.

“Acredito que o etarismo atinge todas as mulheres na música. Mas, no caso de Madonna, existe um componente de ‘punição’ pública muito evidente. Na época da turnê ‘Girlie Show’ (1993), ela já era chamada de ‘vovó’ pelos tabloides britânicos. Isso aos 35 anos”, relembra o jornalista Daiv Santos, de 43 anos, fã da cantora desde a infância.

Para Daiv, os comentários de parte do público são devido a Madonna nunca ter negociado sua autonomia: “O que incomoda é o fato dela ter construído a própria carreira desafiando convenções sobre sexualidade, poder e autonomia feminina em todos os momentos de sua vida artística, seja aos 30 ou aos 60”.

 

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A equipe da fanpage Madonna Literal endossa essa visão de um julgamento desproporcional em comparação a artistas homens, como Mick Jagger ou Bruce Springsteen.

“O que muitas vezes é visto como autenticidade e longevidade em artistas homens costuma ser interpretado de forma diferente quando se trata dela. No caso de ‘Confessions II’, vemos que parte da repercussão negativa não está necessariamente ligada à qualidade do trabalho, mas ao fato de Madonna continuar desafiando expectativas sobre idade, comportamento e relevância cultural. Cada nova era da artista parece ser analisada sob critérios que raramente são aplicados da mesma forma”, aponta a página.

Madonna e as pistas de dança

Se por um lado Madonna é o alicerce de toda a cultura eletrônica moderna, o comportamento das pistas de dança em 2026 revela um paradoxo fascinante entre diferentes gerações. Para o DJ Diveras, que comanda cabines em festas de diversos formatos, a rejeição do público mais jovem é uma realidade mercadológica, mas que deve mudar com a era Confessions II”:

“Estamos em outros tempos, e cada vez mais festas com propostas diferentes. Realmente não são todas as festas em que dá pra tocar Madonna. A nova geração não curte muito. Mas, nas festas da geração 30+, a galera ama a rainha do pop e estão sempre pedindo. Acredito que esse novo álbum, com uma nova proposta e colaborações com artistas da nova geração como a Sabrina Carpenter, traga mais ela para a atualidade e faça com que a nova geração conheça mais ela”, analisa Diveras.

Tracklist completa: Madonna títulos das 4 faixas do deluxe do "Confessions II"

(Foto: Divulgação)

Já o DJ Filipe Guerra enxerga os clubes como o território sagrado onde o legado da artista permanece blindado, impulsionado pela força do novo material audiovisual.

Acho que as pistas de dança são justamente o lugar onde a Madonna menos sofre com essa questão da idade. Ela ajudou a construir a cultura dance como conhecemos hoje. Tenho tocado ‘I Feel So Free’ em praticamente todas as minhas apresentações e a resposta do público é incrível. A Madonna segue relevante porque nunca teve medo de se reinventar”, garante Guerra, destacando também o pioneirismo social da cantora: “Ela foi uma das primeiras artistas do mainstream a abraçar e representar a comunidade LGBTQIA+ de forma verdadeira e consistente”.

No fim, Madonna sempre vence

A verdade é que, enquanto os críticos se desgastam monitorando a estrela, Madonna continua ditando o ritmo do mercado. “Confessions II, o Filme” foi estrategicamente desenhado para a dinâmica atual de consumo, garantindo que ela voltasse a ser a pauta central de todos os grandes veículos de comunicação do mundo. Mais do que vender discos ou bater recordes, a própria existência da artista é um dos grandes atos políticos do entretenimento atual.

“Se hoje artistas como Beyoncé, Taylor Swift ou Lady Gaga, todas com mais de 35 anos, têm mais liberdade para imaginar carreiras longas e produtivas, é porque Madonna suportou décadas de críticas por se recusar a aceitar o prazo de validade imposto às mulheres. Envelhecer no palco, nos próprios termos, talvez seja sua revolução mais importante”, finaliza Daiv Santos.

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Bruna Cora

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