Crítica: “Cara de V*ado” possui uma mensagem simples, mas impactante

O cenário atual é este: um fundo branco, de ponta a ponta; um banquinho de madeira (semelhante ao que encontramos nos bares de esquina) e, ao longo de quase 20 minutos, 37 homens – que se alternam entre tela e a locução – surgem de diferentes maneiras.
O que poderia ser apenas um projeto simplório, feito de maneira amadora pelo diretor iniciante Paulo Accioly, se tornou uma carta aberta, voraz e visceral sobre a masculinidade. Mas, afinal, o que seria isso? Ainda não há respostas; contudo, o significado desta palavra é plural.
O ouro no curta-metragem, Cara de V*ado, não é apenas pelo que olhamos na tela do projetor. É no que ouvimos e, consequentemente, sentimos em cada fala.
Para a surpresa de muitos, as perguntas (que não escutamos, mas podemos supor) não foram complexas, porque, para desconstruir a mente de um cara, é preciso falar apenas a seguinte frase: “Para você, o que é ser um homem?”
E é daí que reparamos na grande individualidade que vivenciamos na estrutura social da modernidade. Para aqueles que fazem parte da comunidade LGBTQIAPN+, essa indagação nasce ainda na jovialidade e na autodescoberta diante a um mundo violento e preconceituoso.
Na margem da sociedade – onde esse grupo vive –, há apenas a escolha de ser feliz ou ser prisioneiro de regras inventadas por raízes intrínsecas em nosso corpo. Alguns, sejam eles gays ou héteros, tiveram que escolher forçadamente a prisão de si.
No curta, esse complexo é representado pela tradição mascareira do município de Porto de Pedras, em Alagoas, que de formatos variados esconde a verdadeira face dos que as usam. Ou seja, elas são casulos destes que rejeitam a ideia de sair da conformidade. Ao invés disso, eles imitam as representações das máscaras.
Em uma das cenas, um homem que veste uma máscara de boi cerca o banco de madeira que todos sentam. Naquele momento, o objeto se torna o lugar em que o ato de pensar (tal qual “O Pensador” de Auguste Rodin) é essencial para definir a sua própria existência.
A antítese deste trecho vem mais a frente, quando um jovem retira a máscara durante um dos monólogos que retratam a vida dupla entre a família e os amigos – que também pode significar as escolhas feitas por essas pessoas.
O direcionamento de Paulo é claro: fazer com que o público reflita sobre as afirmações de gênero pelas quais tanto meninos quanto meninas passam durante um período de suas vidas. Aliás, por que, nesta altura do campeonato, mencionam as garotas? Ora! Elas são incluídas na desconstrução da masculinidade.
Ao brincar com bonecas e dialogar com esse grupo, meninos são taxados de diversas coisas, inclusive de serem gays – mesmo que não sejam. E, talvez, esse seja o verdadeiro ponto de Cara de V*ado: estes que não estarão seguindo as normas estabelecidas pelos papeis de gêneros sempre serão apontados e julgados.
No fim, o curta se nega prometer nos emocionar, mas consegue. Não apenas por sua mensagem que, de tão estupidamente compreensível, parece batida e clichê para nós, pessoas cuja sensibilidade já tomou conta das veias. Entretanto, para aqueles que a rigidez endureceu até o coração, é um debate atual e pertinente.
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Lu Melo
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