Eloy Casagrande relembra bronca por tocar ritmos brasileiros no primeiro ensaio com o Slipknot

Enquanto os fãs do Slipknot seguem na expectativa para o novo disco da banda, Eloy Casagrande compartilhou mais algumas pistas do que os admiradores podem esperar do material em uma entrevista com o canal Radiónica, da Colômbia.
No meio da conversa, entretanto, Eloy também aproveitou para falar sobre como tem conciliado sua experiência com ritmos brasileiros e a pegada mais extrema do Slipknot, algo que ele já faz em sua carreira há bastante tempo. No entanto, o fato de estar entre músicos que têm menos contato com a nossa cultura parece influenciar esse aspecto.
Segundo Eloy, ele chegou a tomar uma “bronca” do percussionista Shawn “Clown” Crahan, que eventualmente mudou de opinião e até pediu para que suas aventuras por ritmos brasileiros entrassem no novo disco do Slipknot (via Loudwire):
Eu estava preocupado se conseguiria ser eu mesmo. Tocar do jeito que gosto [e] ser capaz de fazer coisas reais. Música de verdade. Estar aqui dentro e ver todo mundo curtindo o que está fazendo e perceber que estamos sendo muito honestos com a arte, com nossos instrumentos e com a música… Isso torna tudo especial. Esse é o maior objetivo na vida de qualquer músico: poder tocar seu instrumento do jeito que você quer e ser fiel aos seus fãs. Estamos num ótimo momento. É o que posso dizer. O sentimento dentro da banda, dentro de todos os membros, é realmente muito bom. Então, estamos apenas nos divertindo tocando música.
É impossível para mim ser uma pessoa diferente, especialmente como músico. Não consigo sentar na bateria e pensar: ‘Ah, agora vou ser o Eloy baterista do inferno, o Eloy baterista de metal, e vou esquecer completamente das minhas raízes brasileiras.’ Sou apenas uma pessoa, então mesmo quando toco metal extremo… [ou] quando toco death metal, é impossível para mim não trazer essa influência brasileira. Algumas pessoas me dizem – mesmo quando toco super-rápido ou quando toco um trecho de metal puro – que ainda tenho uma certa pegada, um ritmo constante, a pegada brasileira, o tempero brasileiro por trás [da música], e isso é algo de que não consigo me livrar.
Lembro que aconteceu uma coisa engraçada, porque quando entrei na banda e estávamos fazendo nosso primeiro ensaio, o Clown (percussionista) veio até mim. Eu estava me divertindo durante o ensaio, tocando umas coisas brasileiras. Ele chegou e perguntou: ‘E aí, o que você está tocando?’. Eu respondi: ‘Ah, é um ritmo brasileiro’. Não me lembro exatamente o que eu toquei. E ele disse: ‘Tá bom, mas você sabe que essa é uma banda de metal, né? É uma banda de metal, porra. Tudo bem você ter raízes brasileiras, mas essa é uma banda de metal’. E eu pensei: ‘Não, não, eu sei exatamente do que você está falando’.
Mas hoje em dia está tudo bem porque, tipo, quando estávamos gravando, algumas vezes ele veio até mim e disse: ‘E aí, o que você acha de incluir umas coisas brasileiras, ritmos brasileiros?’ E eu respondi: ‘Ok, acho que você mudou de ideia com o passar dos anos, e isso é ótimo.’ Então, sim, claro que eu não toco como uma banda brasileira tradicional, do jeito que eu deveria tocar. Claro que estou mudando e evoluindo para me encaixar no mundo do Slipknot. Mas, mesmo assim, consigo manter meu DNA e me expressar na banda.”
Quem mais ficou curioso pra ouvir isso?!
Eloy Casagrande revelou detalhes de primeiro disco com o Slipknot
No mês passado, vale lembrar, a influente banda de Metal compartilhou o single “Arsenal”, que marcou a primeira gravação do grupo com o baterista brasileiro e também a estreia da banda em seu recém-criado selo, (sic)est Records.
Apesar de ter sido produzida durante o período atual da banda em estúdio, “Arsenal” não deve ser incluída no próximo álbum. Em declarações recentes, o guitarrista Jim Root explicou que a música foi escolhida para ser concluída e disponibilizada mais rapidamente, enquanto o grupo continua desenvolvendo o restante do repertório.
Ao dar mais detalhes sobre este lançamento futuro, Eloy explicou sua visão otimista sobre o material que está sendo produzido:
Estamos fazendo muitas músicas. Muitas, muitas músicas. Então, não posso falar muito sobre isso. Não posso explicar exatamente o que estamos fazendo no estúdio agora. Mas o que posso dizer é que a banda está muito feliz com a música que criamos até agora… Todo mundo está numa vibe muito boa, sabe? Estamos sendo muito honestos com nossos fãs. Estamos fazendo o que queremos fazer. Estamos fazendo o que nos parece certo no momento e estamos sendo muito honestos com todos os fãs.
É isso. Estamos fazendo música de verdade; não estamos pensando em negócios. Não estamos pensando se as pessoas vão gostar ou não. Não estamos pensando se… estamos fazendo o que acreditamos ser certo. É um processo muito tranquilo e muito bom. Um processo muito natural. Descontraído. Então, estamos curtindo tocar música, e essa é a parte mais importante.”
O apresentador Camilo Guzmán respondeu entusiasmado à declaração do baterista, apontando que o “consumo rápido de singles” pelo público moderno pode levar as bandas a “não prestarem atenção suficiente à música”. Eloy acrescentou:
Ah, sim, cara. Claro. É assim que nós… nós acreditamos na música, sabe? E agora que estou aqui — tendo minha primeira experiência gravando um disco com a banda — também estou muito feliz em ver, em poder vivenciar essa situação. [Agora] que estamos no estúdio fazendo música de verdade, não estamos pensando em negócios [e] não estamos pensando em vender nossa música. Estamos apenas pensando em arte da forma mais pura, da forma mais honesta, respeitando o que queremos fazer agora e sendo honestos, verdadeiros [e] transparentes com nossos fãs.
Então, estamos fazendo música de verdade, e é isso. Hoje em dia, você vê muitos artistas pensando no futuro, se vão vender bem ou não [e] se vão conseguir tocar em arenas enormes ou não. Não, é o oposto do que estamos fazendo aqui. Estamos focados em fazer algo que gostamos [e] do qual nos orgulhamos.”
Vale lembrar que, no final de setembro, o guitarrista Jim Root indicou ao responder o comentário de um fã que o foco da banda estava em “não nos repetirmos” e isso poderia “ferir alguns sentimentos”.
Após o lançamento de “Arsenal”, inclusive, a banda liderada por Corey Taylor liberou um vídeo dos bastidores da gravação do novo single. Confira aqui e, abaixo, assista à entrevista recente completa com Eloy Casagrande!
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Lara Teixeira
Eloy Casagrande relembra bronca por tocar ritmos brasileiros no primeiro ensaio com o Slipknot



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