Em entrevista inédita, Karol Conka relembra dificuldades de carreira no Paraná: “é muito difícil ser preta em Curitiba”

Karol Conká Dilúvio
Divulgação

Karol Conká, no documentário A história da Música Paranaense, já disponível em partes no YouTube e produzido pela equipe do TMDQA!, insere sua narrativa pessoal em um eixo mais amplo de discussão sobre racismo estrutural e educação no Brasil.

Ao relatar sua experiência de formação em Curitiba, no Paraná, a artista mostrou como o preconceito racial impacta diretamente a infância e a construção da autoestima de pessoas negras.

Como você pode ver no vídeo ao final da matéria (a partir do minuto 9), Karol desabafou sobre como foi crescer lidando com o racismo na cidade e revelou que, ao mesmo tempo, recebeu o apoio de muitas pessoas brancas:

“É muito difícil, de fato, ser preta em Curitiba. Muitas pessoas no Brasil não fazem ideia do que é isso. A minha avó é nordestina e na época eu falava para ela: ‘Vó, por que você veio para Curitiba ter a minha mãe que me teve?’ Por que ela não ficou lá em Salvador? Enfim, histórias de uma mulher preta, nordestina, muito triste, e isso fez com que ela fosse para Curitiba. Eu comecei a arquitetar as minhas defesas em muitas situações, como não usar mochila, ter um bom argumento. Os meus pais sempre me ensinaram: ‘seja inteligente, seja estudiosa porque sempre vão subestimar a sua inteligência porque você é uma mulher preta.’ Aí eu fui percebendo o quanto aquilo era doloroso, mas eu percebi que tinham outras pessoas não pretas que também lutavam contra o racismo. Eu me unia com elas ali no colégio e a gente ia causando uma revolução ali.”

É uma luta de todos nós, né?

Karol Conká desabafou sobre o racismo em documentário do TMDQA!

O relato também traz um episódio emblemático dentro do ambiente escolar em Curitiba, envolvendo a presença de um livro associado a Adolf Hitler. Karol, originalmente, descreveu a situação no documentário Preto no Branco: Negros em Curitiba, de 2005.

Realizado pelo Projeto Olho Vivo, dos cineastas Luciano Coelho e Marcelo Munhoz, o filme carregava a missão de registrar experiências de pessoas pretas em Curitiba, o que atraiu a participação de Karol. Ao relembrar seu depoimento no projeto, Conká afirmou:

“Tem um vídeo que circulou pela internet que estou de moletom amarelo, e estou ali denunciando no documentário o racismo de um professor dentro de um colégio super conhecido de Curitiba, do Paraná. É um colégio muito bom. Ainda naquela época, aos 16 anos, eu tinha que entrar na sala de aula com um livro lá do Hitler. Ele levou esse livro e botou em cima da mesa, dizendo: ‘O Brasil está vacinado contra o racismo’. Aquilo me deu uma revolta, eu só tinha 16 anos. Ali eu falei: ‘Cara, tem que ser braba.’ Não tem como ser outra coisa no Brasil a não ser uma ‘mamacita’.”

Tem que ser assim mesmo!

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Gabriel von Borell

Em entrevista inédita, Karol Conká relembra dificuldades de carreira no Paraná: “é muito difícil ser preta em Curitiba”


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