Fcukers fala sobre Harry Styles, a bênção de Kenny Beats e os discos que mudaram sua vida

Se o nome do nosso site é Tenho Mais Discos Que Amigos!, conversar com Shanny Wise é como encontrar uma alma gêmea musical. A vocalista do Fcukers, duo nova-iorquino que completa sua engrenagem com Jackson Lewis, carrega aquela aura clássica do indie-sleaze: despojada, autêntica e visceralmente ligada à música pelo que ela é, longe das amarras de algoritmos e do pop corporativo.
A dupla, que estourou no underground com o EP Baggy$$, lançou o seu aclamado álbum de estreia, Ö, ainda esse ano. O trabalho chamou a atenção de ninguém menos que Harry Styles, que os convidou para abrir as quatro noites de sua turnê de residência Together, Together no Estádio do MorumBIS, em São Paulo.
Sintonizada com o TMDQA!, conversamos com Shanny sobre a expectativa de transformar um estádio de futebol em uma rave suada de apartamento, os bastidores caóticos com Kenny Beats e, claro, os álbuns que moldaram sua identidade.
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O “superpoder” contra o vírus pop
Entrar em um estádio lotado para abrir o show de um dos maiores astros pop do planeta pode congelar a espinha de qualquer artista independente. Para Shanny, no entanto, o segredo está no desapego e na blindagem de sua essência. Quando questionada sobre qual “superpoder” o Fcukers ativará no MorumBIS, a resposta foi direta e sem rodeios: “Nós vamos tentar fazer as pessoas se mexerem, com certeza.”
A postura blasé da vocalista no palco contrasta com a potência eletrônica que a dupla entrega. Diante de milhares de pessoas e paredes de amplificadores, ela revela que o segredo é o foco no presente:
“Acho que eu simplesmente entro em uma espécie de transe e não penso muito sobre isso, honestamente. Eu meio que entro no piloto automático. Tento apenas ser eu mesma e estar presente no momento.”
Essa autenticidade é a resposta do duo ao medo de críticos e fãs de que eles sofram do “efeito Disclosure” – a tendência de limpar o som e engessar as batidas para agradar grandes massas. “Acho que vamos apenas tocar o nosso set habitual. Não vamos mudar nada para o estádio. Vamos manter as coisas reais e na nossa vibe”, cravou a cantora.
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O furacão Kenny Beats e o manifesto analógico
O processo criativo de Ö é uma história de conexões orgânicas. O que era para ser apenas um café despretensioso em Los Angeles durante o Coachella com o produtor Kenny Beats, virou duas semanas de reclusão intensa no estúdio. Shanny relembra como a dinâmica acelerada de Kenny transformou o método de trabalho da dupla:
“Não era como se ele ficasse dizendo o que tínhamos que fazer, mas o poder de tomada de decisão dele foi muito útil. Ele nos fez escrever muito mais rápido porque dizia: ‘ok, isso funciona’ ou ‘isso não funciona. Próxima’. No passado, nós demorávamos demais pensando se algo estava bom. Com ele, confiávamos no julgamento para dizer ‘sim’ ou ‘não’ e seguir em frente.”
Essa crueza se traduz em faixas como “Beatback“, que funciona quase como um manifesto analógico em tempos de consumo digital efêmero. Se o Fcukers pudesse hackear as rádios paulistanas por uma hora para combater os algoritmos, a seleção de Shanny seria deliciosamente imprevisível: “Talvez um disco egípcio aleatório que eu tenho.” E se ganhasse 100 dólares para gastar nos brechós de São Paulo? “Hum, talvez uma cítara para o próximo álbum!”
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Do transe hipnótico à paixão pela Tropicália
As faixas do Fcukers flertam intensamente com repetições e grooves hipnóticos, onde a voz de Shanny muitas vezes opera de forma percussiva, programada pelas batidas de Jackson. “Depende da música. Às vezes pensamos em uma faixa puramente para a pista de dança e uso minha voz de forma percussiva. Em outras, queremos mais estrutura, com versos e letras”, explica.
Embora canções como “Getaway” tragam nuances que remetem ao big beat e grooves latinos, o duo confessa que vai “deixar rolar” e descobrir a noite paulistana ao vivo. Mas o Brasil já está no radar afetivo de Shanny há muito tempo através dos nossos maiores tesouros musicais:
“Eu amo a música brasileira. Eu realmente amo a Tropicália, como Os Mutantes e Gal Costa. Eu costumava ouvir muita música brasileira antiga e adoro.”
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Os 5 Discos que mudaram a vida de Shanny Wise
Como manda a tradição do TMDQA!, encerramos o papo pedindo para a artista listar os álbuns fundamentais da sua formação musical e pessoal. A lista de Shanny vai do punk rock californiano ao experimentalismo psicodélico brasileiro:
- Sublime – 40 Oz. to Freedom (1992): “Eu amo esse álbum. Descobri quando tinha uns 13 ou 14 anos e ainda é um dos meus favoritos.”
- Os Mutantes – Os Mutantes (1968): “Fiquei super fissurada na forma como as músicas pareciam três canções diferentes dentro de uma só. Eles mudavam o andamento, o tom, tinham sons malucos… Essa estética de colagem me atraiu muito e me inspirou a compor na minha antiga banda.”
- Zero 7 – Simple Things (2001): “Eu amo as músicas desse álbum e a maneira como as vocalistas usam a voz é realmente inspiradora para mim.”
- The Embassy – Futile Crimes (2002): “Um disco de indie pop escandinavo muito bonito e perfeitamente composto que descobri recentemente. Cada música é meio perfeita.”
- El Michels Affair – Yeti Season (2021).
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Fcukers no Brasil
O Fcukers se apresenta em São Paulo nos dias 17, 18, 21 e 24 de julho no Estádio do MorumBIS, acompanhando o astro Harry Styles. Se depender da energia despojada e do amor de Shanny pela nossa música, as noites de abertura serão históricas!
Alguns ingressos ainda estão disponíveis no site da Ticketmaster Brasil – acesse aqui.
Nos vemos lá?
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Eduardo Ferreira
Fcukers fala sobre Harry Styles, a bênção de Kenny Beats e os discos que mudaram sua vida




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