“Fiquei fascinado”: 40 anos depois, Tony Bellotto fala sobre revisitar “Cabeça Dinossauro” em turnê histórica dos Titãs

Os Titãs desembarcam em Brasília nesta sexta-feira (07/08) para uma noite que promete reunir gerações do Rock brasileiro no palco do Na Praia Festival, onde o grupo se apresenta ao lado d’Os Paralamas do Sucesso e Nando Reis e tocará na íntegra o aclamado disco Cabeça Dinossauro.
O show em Brasília, inclusive, faz parte de uma turnê maior e de alcance nacional que celebra os 40 anos do álbum lançado em 1986, considerado um dos marcos definitivos do Rock brasileiro.
Antes de desembarcar na capital, o guitarrista Tony Bellotto conversou com o TMDQA! sobre o processo de revisitar esse trabalho, além de ressaltar o significado histórico daquele momento e o que a turnê representa hoje, quatro décadas depois, em um país que ainda debate os mesmos valores cantados naquela época.
Cabeça Dinossauro: 40 anos depois, tão relevante quanto no lançamento
Bellotto conta que montar o show de celebração foi, ao mesmo tempo, divertido e revelador para a banda. Ele explicou como o processo de recriar os arranjos do disco de maneira “absolutamente fiel” levou a algumas realizações por parte da banda e, inclusive, dele próprio:
A grande surpresa foi a gente mais uma vez realizar a força que tem esse disco, a força estética não só pelas canções em si, mas também pela maneira como elas foram gravadas, com o som seco, cru.
Eu, como guitarrista, fiquei fascinado com coisas ali que eu fazia naquela época, pequenos detalhes que eu já tinha esquecido, porque os arranjos, com o passar do tempo, vão se modificando um pouco em detalhes. Então, acho que a grande satisfação de fazer esse show, de ensaiar esse show, de reescutar esse disco de uma maneira muito atenta, foi a gente realizar mais uma vez como ele realmente é um disco muito interessante e poderoso.”
A conversa também passou pelo contexto em que Cabeça Dinossauro nasceu. Bellotto lembra que 1986 carrega uma espécie de “aura mágica” no calendário do Rock nacional, já que é o ano em que também saíram Selvagem?, d’Os Paralamas, e As Quatro Estações, da Legião Urbana, só para citar alguns exemplos. Para ele, havia uma sensação de que algo grande estava acontecendo:
Realmente, 1986 tem essa certa aura mágica. […] Eu acho que, claro, a gente não tinha, naquela época, uma dimensão histórica disso. Éramos jovens compondo, fazendo música com muita fissura, muita vontade, muita concentração. Mas a gente sentia que estava fazendo uma coisa grande, uma coisa importante esteticamente, não só cada um de nós nas próprias bandas, mas nos trabalhos das outras bandas também. Essa era, sem dúvida, uma sensação que a gente tinha.
A gente era consciente de estar fazendo uma coisa forte, porque o Rock brasileiro dos anos 80 teve uma repercussão de mídia, de rádio, de TV muito grande. Então, a gente via que aquilo estava acontecendo.”
O guitarrista explica que enxergava naquela situação um momento em que o Rock brasileiro rompia com a tradição da MPB ligada à Bossa Nova e ao tropicalismo, aproximando-se mais da geração de Raul Seixas:
Esteticamente, o que a gente estava fazendo era muito diferente da tradição da MPB, que vinha dos tropicalistas, da Bossa Nova e tudo mais. A gente tinha muito mais a ver com Raul Seixas, que está ali na geração do Rock anterior à nossa, mas a gente estava conseguindo um sucesso de público, uma penetração nas mídias muito maior do que haviam conseguido os roqueiros mais radicais na década de 70. Então, a gente tinha consciência de que estava fazendo alguma coisa muito forte. E agora, 40 anos depois, realmente percebemos que estávamos certos, que virou uma coisa histórica.”
“Tocar em Brasília é sempre muito especial”
Quando perguntado sobre a importância de trazer o show para Brasília, Bellotto não hesita e cita diversos motivos para isso. Ele inicia deixando claro que “tocar em Brasília é sempre muito especial” para os Titãs, e deixa claro que isso passa não apenas pelo fato da cidade ser constantemente associada ao Rock, mas também por ser uma “grande utopia”:
Brasília é uma grande utopia, um sonho realizado de um Brasil moderno, de um Brasil ousado, esteticamente ousado, politicamente. Claro que houve um hiato, dessa terrível, pavorosa e execrável ditadura militar nesse ínterim: logo aos quatro anos de Brasília, em 1964, já chegou essa ditadura horrível. Mas, depois de 20 anos, a gente recuperou essa democracia, que precisa ser tão bem cuidada cada vez mais.
Mas eu acho que esse exemplo de Brasília como uma cidade moderna, uma cidade que representa esse sonho de um Brasil moderno e criativo, sempre existiu. E quando a gente começou a carreira, as bandas de Brasília eram muito especiais pelo tipo de Rock que elas faziam, e porque Brasília tinha uma questão de muito conhecimento das coisas que vinham do Rock de fora.”
Segundo Bellotto, o fato da cidade reunir “muitos diplomatas e gente estrangeira” fazia com que os músicos da cidade tivesse um “grau de informação” muito grande, com acesso a discos importados e influências que ajudaram a moldar a sonoridade do Rock nacional daquela época.
Agora, em pleno 2026, Tony diz que o reencontro com figuras tão importantes dessa época no cenário do Na Praia Festival – incluindo o ex-Titã “muito ativo e presente” Nando Reis, como ele mesmo descreve – será “uma glória”. Para ele, no entanto, trazer Cabeça Dinossauro de volta à capital federal é também “um alerta de que é preciso ficar atento e defender a democracia”:
A nossa posição é muito clara, dos Titãs, pela defesa da democracia, pela defesa dos direitos individuais e contra o reacionarismo, o fascismo, a extrema-direita e toda essa desgraça que anda ameaçando a nossa democracia. Vamos fazer, mais uma vez, Brasília se honrar daquilo para que ela foi construída e idealizada: para ser um exemplo de um país livre, criativo, moderno e democrático.”
Por fim, questionado sobre a possibilidade de participações especiais reunindo os três artistas no palco, Bellotto foi cauteloso e afirmou que nada está formalmente combinado até o momento, em parte pela diferença de horários entre um show e outro na grade do festival, mas não descarta que algo possa acontecer de forma espontânea durante a noite. É esperar para ver!
Veja todos os detalhes dessa noite especial no Na Praia Festival logo abaixo e garanta seu ingresso clicando aqui. Caso não consiga comparecer, acompanhe a cobertura completa do TMDQA! no Instagram oferecida pela Elo, apoiadora incondicional da música brasileira.
Serviço – Na Praia Festival com Titãs, Os Paralamas do Sucesso e Nando Reis
Na Praia Festival: Titãs, Os Paralamas do Sucesso e Nando Reis
Data: sexta-feira, 07 de agosto de 2026
Local: Na Praia Parque, Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 2, Asa Sul, Brasília (DF)
Abertura dos portões: a partir das 18h
Ingressos: à venda pelo aplicativo ou site oficial R2 (r2.com.vc), com valores variáveis conforme setor e lote
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Felipe Ernani




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