Haru e a Corja: a fúria nordestina ganha novo nome e lança o single “Devorar”

Haru e a Corja por Sidney Simplicio
Foto por Sidney Simplício

Haru Cage é uma força da natureza. Não há quem desvie da performance catártica e da potência vocal da cantora cearense da banda Corja!. Posso dizer porque acompanhei de perto a saga deles nos últimos anos, atravessando palcos, roubadas, sobrevivendo e, agora, chegando a um novo patamar: a assinatura com a gravadora Deck.

A notícia sela o novo capítulo da banda não só pelo peso de sair do underground rumo a uma estrutura maior, algo sempre significativo para o metal, mas também por redesenhar os contornos da banda que a partir de agora passa a se chamar Haru e a Corja.

Haru e a Corja começa com “Devorar”, single que chegou nesta sexta-feira (17). A música avança engolindo o mundo com seu cruzamento entre metal moderno e hardcore já antes praticado pela banda, cujos pilares fundamentais de construção continuam com o baterista Silvio Romero e o baixista Pedro Leal além do mais recém chegado, o guitarrista Helder Jackson.

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A troca de nome nasce também de questões práticas: outras Corjas! foram descobertas azucrinando a “cabeça” do algoritmo. Mas para quem acompanha desde Fortaleza, a mudança soa como um movimento natural.

Haru explica ao TMDQA!:

“De começo eu achei difícil a mudança de nome, porque estava me centralizando como figura principal e eu sempre pensei no coletivo. Mas depois de darmos algumas voltas, esse nome ficou. Os caras foram muito mais rápidos com a ideia do nome do que eu. Quase dez anos com o mesmo nome, demora um pouco a desapegar, mas tô feliz agora”.

Haru Cage

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A capa do single “Devorar” de Haru e a Corja

Um EP nos próximos meses e um futuro álbum em 2027 serão os primeiros trabalhos sob a Deck, que recentemente apostou em movimentos interessantes da música pesada como Papangu, MC Taya e Eskröta

“Em nossa trajetória era difícil pensar em gravadora, justamente pelo nosso estilo ser mais “difícil de abraçar”, mas fomos acolhidos com muito respeito. Sem falar em todo suporte que temos. Quando se é uma banda independente você cuida de tudo, cada mínimo detalhe e agora temos uma galera massa e empenhada nos ajudando. Espero que tenhamos muitos frutos maravilhosos pela frente”, diz Haru.

Shows à vista

Dois shows marcam esse novo momento de Haru e a Corja: o aniversário do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, ao lado da Devotos, que acontece no dia 25/04, e a abertura das seletivas do Porão do Rock em 09/05, ambos em Fortaleza.

Metal, mulher, Nordeste

Corja! sob a liderança de Haru Cage se tornou um dos nomes mais pulsantes do novo metal nordestino, ocupando festivais, shows. Ela, em especial, chegou a cruzar caminhos com medalhões como Edu Falaschi.

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Metal, mulher, Nordeste… tríade que ainda causa curto-circuito em muita gente. E na força do ódio — como a própria Haru diz — somam-se a disciplina da musculação, o talento como tatuadora e, sim, uma doçura que antagoniza a brutalidade da persona artística.

Filha de pai militar, criada pela avó, Haru carrega com ela uma dimensão política vinda da escola da vida. Sua militância pela visibilidade lésbica dentro do metal é parte do corpo que sobe ao palco. Haru não interpreta e já falamos disso ao destacá-la entre as vozes LGBTQIAP+ no metal e mulheres na cena.

Enquanto muita gente da cena ainda rejeita o vocabulário do mercado, Haru buscou estudar planejamento de carreira no passado, participou de pitches profissionais e, nesse processo, chamou a atenção de grandes players, como a Adidas. Junto com a banda, também se calçou de alicerçar a divulgação da banda com profissionais desde cedo.

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“Gabryella, você sabe que tá se esculhambando?”

Foi dentro de um carro, tentando não incomodar, que Gabryella (ou melhor, Haru) começou a se trancar para berrar sem incomodar. Inspirada por Corey Taylor, Jonathan Davis e Dir en Grey, moldou um som que mais tarde se tornaria impossível de ignorar. No horizonte, referências femininas como Candace Kucsulain, Courtney Love e Morgan Lander.

Uma das histórias mais simpáticas que colhi como repórter no passado foi a reação da avó de Haru ao descobrir que a neta cantava numa banda barulhenta chamada Corja!: “Gabryella, você sabe que está se esculhambando?” — foi entre o susto e o afeto.

“Haru” — nome que agora é integrado à banda — é também uma devolução que cabe na simplicidade da querida avó.

O mais comum significado de Haru em japonês é “primavera”, carregando a ideia de renascimento, recomeço e mudança de ciclo; o que, no contexto da banda, encaixa bem com essa nova fase. A primavera é em si uma força da natureza.

Há alguns anos, Haru me disse que queria ser a primeira mulher à frente de uma banda nordestina a tocar no Wacken Open Air. Hoje esse horizonte tem cara de rota. 

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Isis Correia

Haru e a Corja: a fúria nordestina ganha novo nome e lança o single “Devorar”


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