Jão fala sobre naturalizar relações LGBTQIAPN+: “É uma bolha grande, mas é uma bolha”

Jão responde sobre cantar histórias de amor gay:
(Foto: TV Brasil)

O cantor Jão aproveitou a ida ao Rio de Janeiro para um show da “Turnê Memórias Póstumas” para participar do programa “Sem Censura”, da TV Brasil. Questionado sobre o gesto político que existe em cantar histórias de amor entre dois homens para multidões, ele respondeu:

“É político por si só. Só de abrir a boca. E pelas pessoas que estão ali em cima. Grande parte da minha equipe é LGBT. É uma bolha grande, mas é uma bolha. É uma coisa que tento ser muito vocal sobre isso, porque muitas vezes a gente acha que está tudo certo e não está. Todos os absurdos que a gente vê acontecer…”

Jão

Jão responde sobre cantar histórias de amor gay: "É uma bolha grande, mas é uma bolha"
(Foto: TV Brasil)

Ele também destacou que, quando era adolescente, precisava ver alguém como ele, que naturalizasse as relações LGBTQIAPN+, e não tinha. Hoje em dia, ele busca ser essa referência para o público. “Para mim, hoje é muito natural. Ninguém pensa muito nisso no show: ‘Nossa, são dois homens’. É. Somos”, diz.

O artista namora o sócio e diretor criativo Pedro Tófani, que conheceu na faculdade. Os dois compõe juntos sobre a própria história. “A gente faz tudo junto. Às vezes é difícil”, brinca Jão. Recentemente, ele se emocionou com uma carta escrita pelo namorado e lida na frente do público durante um especial do Spotify.

Jão fala sobre relacionamento com os fãs

Na entrevista, o cantor também falou sobre seu relacionamento com os fãs, que se autointitulam “alcateia”. “Nossa relação é tão forte, porque foi uma relação construída”, pontuou. “No meu primeiro disco, eu tinha uma mentalidade mais arrogante de ‘Eu sou artista, vou falar o que eu quiser, eu tenho meu direito de falar’. Eu ainda acho isso, mas eu tenho mais coisas a perder hoje, inclusive a nossa relação [com os fãs]”, analisou.

“Quando comecei a receber as pessoas no camarim, as primeiras coisas já me deram um sinal de que não era só o show. Não era só uma música que a pessoa ouvia para andar de bicicleta. Ela estava conversando comigo, e eu tinha que responder. Comecei a ouvir e a absorver coisas que eu não sabia naquela época. Pessoas vinham e falavam ‘Tentei fazer uma coisa horrível comigo’, e eu ficava paralisado: ‘Alguém me ajuda, eu não sei o que responder’. Então foi uma relação muito importante pra mim. Eles foram me ensinando isso. Nossa relação é tão forte, porque foi uma relação construída”

Jão

Leonardo Torres
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