Lançamentos nacionais: Joshua B. Haus, The Bombers e Michelle Abu

Joshua B. Haus lança novo single
Crédito: divulgação

Após mergulhar em referências que cruzavam o indie rock dos anos 2000 e a estética oitentista no EP Vortex Escapade (2024), o cantor e compositor paulistano Joshua B. Haus dá início a uma nova fase com o single “Backveld Casino”, lançado recentemente nas plataformas digitais.

A faixa marca uma guinada mais direta em direção ao Indie Rock da virada do milênio, reforçando uma identidade sonora mais crua, energética e alinhada às influências de bandas como Oasis, Kasabian e Caesars. Nesse contexto, “Backveld Casino” se constrói como uma canção que transforma inquietações modernas em um hino de resistência.

Em termos de temática, a música aborda as dinâmicas da hiperprodutividade e da autoexploração, expandindo essa lógica para além do ambiente de trabalho. O single sugere como a lógica de desempenho constante também atravessa os relacionamentos, nos quais conexões passam a ser mediadas por métricas, validações e acúmulo de interações.

Ao comentar o lançamento, Joshua B. Haus, que atualmente reside em Santos, no litoral do estado de São Paulo, explicou:

“‘Backveld Casino’ é sobre o jogo de recompensa pela autoexploração em todos os contextos, especialmente nos relacionamentos interpessoais. Amizade é networking, relacionamento é acumular match. No fim do dia, a conta não fecha. ‘Backveld Casino’ é meu grito de guerra contra tudo isso.”

A canção também marca uma mudança de direção estética e criativa, consolidando a aproximação do artista com o Indie Rock do início dos anos 2000. A sonoridade pulsante reforça o contraste entre melodias cativantes e uma crítica social que convida o ouvinte à reflexão sobre os mecanismos de recompensa que estruturam a vida contemporânea.

Tal perspectiva se reflete na forma como Joshua B. Haus enxerga sua própria carreira. Em vez de priorizar métricas, números ou exposição imediata, o artista afirma preferir a construção de uma discografia sólida e duradoura, em que cada lançamento possa existir de forma independente e manter relevância ao longo do tempo:

“Não quero número, não faço questão de ir para o ao vivo, mas gostaria que as baladas indie underground conhecessem mais sobre o Joshua B. Haus, consigo ver a galera curtindo nesse cenário.”

The Bombers

Crédito: divulgação

A clássica banda santista de punk rock The Bombers lança nesta quinta-feira (2) a versão ao vivo de “My Way My Strength (Crazy Train)”, uma das faixas mais marcantes e recorrentes do repertório do quarteto. O lançamento antecipa o álbum “Noite Alucinante: 30 Anos Ao Vivo”, gravado em São Paulo durante a celebração das três décadas de carreira da banda e com lançamento completo previsto para 30 de julho de 2026.

O projeto celebra não apenas a longevidade do grupo, mas também a força de sua trajetória no punk rock independente brasileiro, marcada por consistência, identidade própria e intensa presença de palco. Dentro desse contexto, a nova versão reforça a importância de “My Way My Strength (Crazy Train)” na história do The Bombers.

Lançada originalmente em 2014 no álbum “All About Love”, a faixa ocupa um papel central na discografia da banda por sintetizar uma mensagem recorrente em suas composições: seguir em frente, manter-se fiel ao próprio caminho e transformar dificuldades em combustível para continuar.

Na leitura do grupo, essa ideia resume a própria caminhada de 30 anos de estrada, sustentada por insistência, coerência e dedicação à cena punk. Como destaque da versão ao vivo, a introdução da música traz uma citação direta ao clássico “Crazy Train”, de Ozzy Osbourne, reforçando a energia e a conexão entre influências do rock e a identidade do The Bombers.

Outra novidade é que o show completo “Noite Alucinante: 30 Anos Ao Vivo” já está sendo exibido na TV e integra a grade do canal Music Box Brazil.

Michelle Abu

Crédito: Gal Oppido

alvez você ainda não conheça Michelle Abu pelo nome, mas é bem possível que já tenha ouvido sua percussão em algum momento. Com mais de 30 anos de trajetória, a artista soteropolitana — que iniciou sua carreira na histórica Banda Didá, nos anos 1990 — consolidou-se como uma das mais importantes percussionistas de sua geração. Ao longo da carreira, acompanhou nomes como Elza Soares, Margareth Menezes e Arnaldo Antunes, construindo uma trajetória marcada pela força do tambor como linguagem artística e identidade cultural.

Agora, essa bagagem se desdobra em “Qual é o Tambor”, seu segundo álbum autoral, que estreia no dia 26 de maio pela Central Records. No projeto, Michelle assume plenamente o protagonismo: além de compor todas as oito faixas, também assina a produção musical, dividida com os parceiros Matheus Câmara, Rovilson Pascoal e Xuxa Levy. O resultado é um trabalho que reforça sua atuação não apenas como instrumentista, mas também como criadora e produtora de sua própria obra.

Como observa Patrícia Palumbo no texto de apresentação do disco, o álbum evidencia uma artista múltipla, que articula tradição afro-brasileira, música urbana e experimentação sonora. Nesse processo, o tambor surge não apenas como instrumento, mas como símbolo cultural e político que atravessa toda a construção do projeto.

O conceito do álbum gira em torno da pergunta “qual é o tambor que bate dentro de você?”, que funciona como eixo poético e também como ponto de partida para uma série de colaborações diversas. Michelle reúne nomes de diferentes cenas e linguagens, como a rapper Karol Conká, o coral indígena Memória Viva Guarani, a cantora Catto e músicos como Otto, Lirinha e Paulinho Santos, integrante do grupo instrumental Uakti. A faixa de abertura, “Qual é”, parceria com Karol Conká, sintetiza essa proposta de encontro entre universos musicais distintos.

Segundo a própria artista, o disco nasce do desejo de celebrar o coletivo e a diversidade cultural brasileira. “Acredito no coletivo e nos encontros. A diversidade das manifestações culturais brasileiras foi a minha inspiração. Tem um samba de roda que fala sobre os bairros da cidade baixa em Salvador, onde eu nasci. Tem carimbó, pagodão, afrobeat com grooves de música baiana, um baião, um aguerê de Oxóssi e uma balada rock – que, pra mim, é uma expressão não só musical, mas de atitude”, explica Michelle.

Produzido ao longo de três anos, o projeto foi desenvolvido de forma imersiva durante a pandemia, sem as pressões do tempo externo. Esse processo resultou em uma obra que equilibra precisão técnica e liberdade criativa, revelando Michelle Abu de forma integral: percussionista, compositora, produtora e, pela primeira vez, também como voz presente em sua própria obra.

“São 30 anos dedicados aos tambores. Um disco feito pra eles. Não existe música brasileira sem tambor”, conclui a artista

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Gabriel von Borell

Lançamentos nacionais: Joshua B. Haus, The Bombers e Michelle Abu


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