Legião Urbana, “Dois” e o disco que fez uma geração inteira se reconhecer no Rock brasileiro

Legião Urbana na época do disco

Em meados dos anos 80, o Brasil vivia a ressaca eufórica da redemocratização. As Diretas Já tinham mobilizado multidões, o Rock in Rio havia revelado ao país que o rock nacional tinha força própria, e uma geração inteira de jovens buscava nas músicas uma linguagem para nomear o que sentia.

Foi nesse cenário que a Legião Urbana, então com apenas um disco nas costas, entrou em estúdio em janeiro de 1986 e saiu com um dos maiores álbuns já gravados em solo brasileiro.

Quarenta anos depois de seu lançamento, Dois chegará ao palco do C6 no Rock para ser executado na íntegra em um show pra lá de especial, que será comandado pelo guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá, integrantes da formação original da banda.

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De Brasília para o Brasil: a formação de uma legião

A Legião Urbana surgiu em Brasília e, apesar da carreira relativamente curta devido ao falecimento de Renato Russo, criou um dos legados mais marcantes da música brasileira.

Muito disso veio devido à forte influência de bandas que despontavam na época, como The Cure, The Smiths e Joy Division, oferecendo uma nova roupagem ao Rock nacional que se afastava dos estereótipos mais predominantes daqui e buscava nessa sonoridade internacional novas referências mais cruas.

Em Dois, no entanto, a Legião condensou essas marcas em uma síntese mais próxima do Folk, mais lírica, mais aberta ao amor e à contemplação sem abrir mão da potência política. O resultado deu força à expansão que já havia levado a banda de Brasília para todo o Brasil depois do lançamento de seu primeiro álbum, com canções como “Eduardo e Mônica” e “Quase Sem Querer” mostrando novos lados do grupo.

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Ainda assim, e mesmo com Renato Russo tendo declarado na época do lançamento que a Legião estava se “distanciando do referencial externo” de “governo, política, estado, poluição”, Dois trazia, por exemplo, menções à Guerra Fria em “Plantas Embaixo do Aquário” e até um trecho do hino da Internacional Socialista no início de “Daniel na Cova dos Leões”.

Não à toa, Dois foi o álbum que mais vendeu cópias na história da Legião Urbana, além de ter conquistado de vez o respeito da crítica. Com produção de Mayrton Bahia, o disco vendeu mais de 1,5 milhão de cópias e foi alavancado justamente pelo sucesso de “Eduardo e Mônica”, faixa emblemática por diversos motivos.

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Dois, “Eduardo e Mônica” e a “nova” identidade da Legião Urbana

Sem um refrão convencional e funcionando quase que como uma contação de história ao melhor estilo Folk, “Eduardo e Mônica” simboliza a recusa às fórmulas que se tornou parte integral do que a Legião Urbana desenvolveu em sua sonoridade ao longo dos anos, com seus 73 versos distribuídos em quase 5 minutos; o charme estava justamente na letra simples e cotidiana, como uma história sendo contada em uma roda de amigos.

Enquanto isso, “Índios” surgiu apostando em um instrumental simples e genial, reforçando a crueza do Post-Punk que influenciou o grupo e tornando aquele som mais acessível do que nunca. Ainda em outro caminho, “Fábrica” é um exemplo de como o Punk tradicional ainda estava presente no som da Legião, e isso tudo sem falar nas deliciosas melodias de “Quase Sem Querer” e “Tempo Perdido”.

Curiosamente, Renato Russo teve que ser “contido” pelas pessoas ao seu redor – a intenção do músico era ter feito Dois como um álbum duplo, mas a gravadora, na época, não se convenceu mesmo depois do grande sucesso do disco de estreia. Assim, a régua foi mais alta, e praticamente tudo que ouvimos no trabalho de 1986 pode ser considerado um hino da música brasileira.

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30 anos sem Renato Russo e o show do C6 no Rock

O show do C6 no Rock acontece dentro de um cenário ainda mais importante, já que não se trata apenas de uma celebração dos 40 anos de lançamento de Dois.

Em 2026, completam-se também 30 anos sem Renato Russo, que nos deixou em 11 de Outubro de 1996 mas se mantém até hoje como uma das maiores figuras da música nacional, com uma influência inestimável sobre todas as gerações que vieram em seguida.

Nesse contexto, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, integrantes da formação original da Legião Urbana, comandam a apresentação de Dois na íntegra no C6 no Rock no dia 23 de Agosto, data em que o festival também receberá shows de Blitz com Fernanda Abreu (tocando As Aventuras da Blitz), IRA! tocando Vivendo e Não Aprendendo e Marina Lima tocando Fullgás com participações de Lobão e Liminha.

Neste dia, inclusive, também haverá uma homenagem a Cazuza chamada “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”, com direção musical de Liminha e direção artística de Rafael Dragaud (que assinou “Tempo Rei”, a última turnê de Gilberto Gil) para promover encontros de artistas que atravessaram a carreira do compositor ou foram influenciados por ele.

Nos vemos por lá? Garanta seu ingresso para o C6 no Rock clicando aqui!

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Felipe Ernani

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