Luedji Luna assume o controle de sua própria arte com novo projeto acústico

Luedji Luna segue reafirmando toda a sua potência musical. Após um 2025 marcado pelo lançamento dos dois elogiados discos Um Mar Pra Cada Um e Antes que a Terra Acabe, vitórias em premiações importantes e a conquista de um Grammy Latino, a artista baiana agora mergulha em um formato mais íntimo com o recém-lançado Acústico Luedji Luna.
Neste novo projeto, disponibilizado em vídeo e áudio, Luedji revisita diferentes fases de sua discografia através de novos arranjos e ainda apresenta belíssimas canções inéditas, incluindo composições feitas em colaboração com as conterrâneas e talentosíssimas Jadsa e Josyara.
Em conversa com o TMDQA!, Luedji refletiu sobre a liberdade criativa que encontrou ao abandonar a pressão por resultados e expectativas de mercado, e detalhou como o acústico, que foi gravado no Cine Copan em São Paulo, representa uma fase de maior autonomia artística:
Eu acho que esse novo acústico é o reflexo de um momento onde eu tô com muita autonomia. Eu tô dirigindo as músicas, eu tô dirigindo a arte, eu tô assinando muita coisa além da composição e do canto, necessariamente. Eu decidi absolutamente sobre tudo, eu me envolvi em tudo. Foi um trabalho fluido, feito com muita escuta, com muito respeito. Então eu escolhi uma equipe muito mais alinhada comigo, uma equipe respeitosa.”
A artista também revelou alguns detalhes sobre o que motivou a gravação do projeto acústico e o que a “Água”, elemento sempre presente em suas obras, está representando em uma de suas novas músicas. Luedji ainda refletiu sobre a mensagem que ela busca passar ao incluir o elemento em seus trabalhos.
Confira abaixo a conversa na íntegra e veja o Acústico Luedji Luna ao final da entrevista!
TMDQA! Entrevista Luedji Luna
TMDQA!: Primeiro de tudo, quero te parabenizar pelo ano de 2025. Dois discos lançados, prêmios conquistados, incluindo um Grammy Latino. Pra quem está de fora tudo isso representa muito sucesso, mas e pra você? O que esses feitos e esse reconhecimento representam para você e como isso influenciou suas decisões para 2026?
Luedji: Eu busquei, nesses dois trabalhos, nesses discos, resgatar a Luedji de “Um Corpo no Mundo”, né? Que era essa jovem sonhadora, com muita pouca experiência, muita pouca pretensão, e que fez um disco com muita liberdade, com muita honestidade. E eu acho que o resultado desses dois trabalhos, os Grammys, as indicações, as premiações e tudo, é resultado dessa mesma liberdade e quase que ingenuidade lá da Luedji, de “Um Corpo no Mundo”, né? Esse apego apenas com a música, com o processo, com estar feliz fazendo aquilo do jeito que quer. Então, eu acho que é o resultado disso. Trabalhos honestos são frutíferos. Trabalhos criados com liberdade, sem a pretensão de alcançar algum objetivo ou algum público ou alguma meta que o mercado impôs. E isso foi um grande aprendizado, né, porque eu já fiz discos pretensiosos, eu já fiz discos com a finalidade de ir para. E esses dois discos, não, eu só fiz porque eu gosto de fazer música, porque eu gosto de ser compositora, porque eu gosto do som.
TMDQA!: E agora falando sobre esse novo projeto, um disco acústico, eu vi que você escolheu algumas canções dos seus dois últimos discos para acompanhar as músicas inéditas, e entre elas tem duas músicas que a gente até conversou sobre, quando falamos sobre “Um Mar Pra Cada Um”, que foi “Gamboa” e “Harém”. Mas pensando em todas que você escolheu fazer uma nova versão, qual foi o critério para elas integrarem o disco?
Luedji: O critério público. O que o público mais pede, o que o público mais gosta. E sobre as canções inéditas, são canções que se conectam com o tema. “Encruzilhada”, por exemplo, foi uma das canções que quase entrou no disco “Antes que a Terra Acabe”. Chegou até a ir pra mix, mas aí eu desisti da produção, enfim. Deixou de fazer sentido na época, e aí entrou agora no acústico. Então foram vários critérios, né? Canções que poderiam estar nos dois discos e não entraram por alguma razão, canções de outros compositores que eu gostaria de conectar e de cantar, e que nunca cantei, que nunca tive oportunidade, e agora encontrei ensejo, e canções que o povo gosta.
TMDQA!: Precisamos falar sobre a nova versão de “Ioiô”, que conta com a participação do seu companheiro Zudizilla, outro artista talentosíssimo. E você contou nas redes sociais que essa música surgiu como uma carta de amor. O que mudou no significado dessa faixa depois que ela passou a carregar também a perspectiva do Zudizilla?
Luedji: É uma resposta, né? É uma canção em que eu falo sobre ele, ou seja, sobre a nossa relação. E é uma canção que eu também dedico a ele. E ele vem com uma resposta super ácida e também, ao mesmo tempo, muito bonita. Eu acho que, de todas as canções do disco, é a canção que mais me expõe, como indivíduo, como pessoa, como pessoa que ama, como eu amo, como eu me relaciono. Expõe as contradições, expõe as crises de uma relação, de um casamento. Então, de modo geral, é uma canção muito humana. E, com o olhar dele, com a resposta dele, com a perspectiva dele, eu acho que humanizou ainda mais. E desmistificou muito esse olhar do… Porque na internet todo mundo é lindo, todos os casais são felizes, né? Então traz um pouco pra realidade do que é um casamento, do que é uma relação. E é bem desafiante mesmo.
TMDQA!: Nesse projeto você aposta em arranjos mais enxutos e em uma sonoridade mais orgânica. Como foi o desafio de reconstruir essas músicas dentro dessa estética acústica, especialmente as faixas que foram trabalhadas anteriormente em produções mais densas e elaboradas?
Luedji: Eu fiz um teste antes. A minha social media propôs a gente fazer umas sessions, eu aparecer mais nas redes sociais cantando, enfim, porque a gente tinha notado essa falta de eu me expressar musicalmente nas minhas redes sociais. Então a gente fez umas sessions voz e violão, e as pessoas amaram muito, começaram a pedir, começaram a querer nas plataformas. Eu falei: “Então acho que a gente pode apostar num formato acústico”. Tem muito tempo que eu não uso esse elemento. O violão é uma coisa que eu acho que eu parei lá em “Um Corpo no Mundo”, porque “Bom Mesmo é Estar Debaixo D’Água” já não têm violão. Então também foi um jeito de retomar essa relação com as cordas. Aí eu coloquei dois violões, as vozes, e foi um processo muito fácil. Foi criado coletivamente, junto com Guga Sanva e Gabriel que são os violonistas, os arranjos de vozes foram produzidos pelo Bruno Oliveira, que está comigo em vários discos, nesse arranjo dessas vozes todas. E eu amei o resultado.
A gente procurou texturas, timbragens diferentes, não um violão tão brasileiro, mas ao mesmo tempo tem esse violão de nylon e de madeira, esse amadeirado do violão brasileiro, mas também vai pra uma coisa mais indie, mais folk ali dos Estados Unidos e tal. Então tem muitos timbres de violão ali, e a voz bem crua, tudo muito orgânico, pra não parecer algo de estúdio, para trazer mesmo essa ambiência de algo ao vivo, de algo que foi gravado junto e tal.
TMDQA!: E a “Água” está mais uma vez presente em uma obra sua, com você lembrando o ditado popular de “Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura”, mas mudando em “Gris” para “Eu tenho um corpo mole, a vida é dura, tanto bate até que água”. O que a “Água” simboliza dessa vez?
Luedji: Eu sinto que estou encerrando esse tema. A água sempre apareceu como metáfora das minhas emoções, dos meus sentimentos, do amor, o mar como metáfora do amor, etc. Mas acho que nessa canção ela aparece como metáfora da fluidez. Tem um provérbio africano que fala que a água sempre encontra um meio. A água é imparável, ela sempre encontra um meio de passar, de se infiltrar e de seguir o rumo, o fluxo. Então eu acho que é muito isso.
No final, a mensagem que eu quero passar, encerrando esse ciclo de água, se Deus quiser, encerrei essa história toda, eu sempre digo que estou encerrando, aí eu trago um acústico. Mas acho que a grande mensagem é pra gente se permitir, nesse mundo cheio de guerras, de durezas, os próprios desafios da vida, a gente se permitir fluir que nem a água e encontrar saídas pra todas as durezas, bloqueios e desafios da vida. Ser água, ser fluido, ser flexível é a melhor maneira de estar na vida. Eu acho que essa é a grande mensagem de todos os discos.
TMDQA!: No vídeo que você publicou falando um pouco sobre esse projeto, você descreve a música como um espaço de encontro com a intimidade e até de cura também pra quem ouve. Como você enxerga essa conexão tão profunda que o público cria com as suas canções?
Luedji: É exatamente isso que eu disse lá. Eu acho que a primeira pessoa a se impactar sou eu. A primeira pessoa a se curar, a se impactar sou eu mesma. Então, se faz sentido pra mim, isso acaba fazendo bastante sentido pra outras pessoas também. Eu acho que o encontro das pessoas com a minha música é um lugar de muita verdade. Eu fiz essa escolha, nesses anos todos, de me colocar num mundo exposta. É um fragmento do que eu sou, do jeito que eu penso, do jeito que eu amo, do jeito que eu sinto, do jeito que eu sinto raiva, do jeito que eu desejo.
E as pessoas se identificam porque elas não se sentem tão sós nessa estranheza ou nesse lugar aí do humano, que é complexo e diverso. Então, tipo: “Ah, tem essa cantora que sente como eu, que vive como eu, que pensa o mundo como eu”. E aí eu realmente sinto que faço parte de uma grande egrégora, de uma grande bolha, sabe? Quando as pessoas me perguntam: “Ah, você sofre isso? Você sofre aquilo? Cancelamento? Não sei o quê…”. Não, porque parece que eu vou atraindo os meus, o meu pessoal. E aí eu fico nessa grande… Acho que é isso, nessa igreja que a música me trouxe e nos une, né?”
TMDQA!: O que esse novo acústico revela sobre a Luedji que surgiu depois de toda essa trajetória?
Luedji: Eu acho que esse novo acústico é o reflexo de um momento onde eu tô com muita autonomia. Eu tô dirigindo as músicas, eu tô dirigindo a arte, eu tô assinando muita coisa além da composição e do canto, necessariamente. Eu decidi absolutamente sobre tudo, eu me envolvi em tudo. Foi um trabalho fluido, feito com muita escuta, com muito respeito. Então eu escolhi uma equipe muito mais alinhada comigo, uma equipe respeitosa. Foi um trabalho que, tipo, eu fiz em bem menos tempo que os dois discos, né? Ou seja, eu tive bem menos tempo pra elaborar, tinham bem mais pessoas envolvidas e, no entanto, foi um trabalho muito fluido, por conta que eu fiz escolhas assertivas de equipe, de jeito de trabalhar. Me impus mais. Então eu acho que revela uma Luedji madura, que sabe com quem quer estar, o que quer fazer, do jeito que quer fazer, do jeito que quer trabalhar. E eu espero que isso também se reflita no som e na imagem. Que a gente possa prosperar.
TMDQA!: Pra gente encerrar, eu queria que você indicasse para os leitores do Tenho Mais Discos, discos ou artistas que você tem ouvido com frequência nos últimos meses.
Luedji: Eu vou indicar Bebé, o novo disco da Bebé, “Dissolução”, tá muito bom. Eu vou indicar, até o final do ano, o novo disco do Zudizilla, porque vai vir com tudo. E o novo disco da Melly, “Mais Forte Que A Dúvida”, que eu faço participação em uma das faixas.
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Lara Teixeira
Luedji Luna assume o controle de sua própria arte com novo projeto acústico




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