Lumen Festival combina cinema e atitude Punk com retrospectiva de F.J. Ossang

O Lumen – Festival de Cinema Independente do Rio de Janeiro apostará, em sua edição de 2026, em duas cinematografias marcadas pela experimentação e por novas formas de olhar para o mundo. Entre os primeiros destaques anunciados estão uma retrospectiva completa do cineasta, poeta e músico francês F.J. Ossang e um panorama dedicado a uma nova geração de realizadores chineses que vem ganhando espaço no circuito internacional.
A programação com sessões gratuitas acontecerá de 6 a 14 de novembro, no Rio de Janeiro, e de 3 a 6 de dezembro, em Brasília. Considerado uma das vozes mais radicais e singulares do cinema de vanguarda contemporâneo, F.J. Ossang terá 11 filmes exibidos pelo festival, em uma retrospectiva que percorre mais de quatro décadas de sua trajetória.
A obra do diretor combina referências do expressionismo alemão e do cinema mudo à estética e à atitude do movimento Punk, construindo universos marcados pela experimentação visual, pela música e por uma atmosfera frequentemente hipnótica. A retrospectiva conta com apoio da Embaixada Francesa no Brasil.
Entre os filmes selecionados está Doctor Chance (1997), estrelado por Joe Strummer, lendário vocalista do The Clash. Também integram a programação O Tesouro das Ilhas Caninas (1990), exibido no Festival de Cannes, e os premiados Dharma Guns (2010) e 9 Dedos (2017), que passaram por importantes festivais como Locarno, Roterdã e Mostra de São Paulo.
A seleção acompanha ainda diferentes momentos da carreira de Ossang, desde seu primeiro curta-metragem, O Último Enigma (1982), passando pelo emblemático Zona Inquinata (1983) e pelo longa O Caso das Divisões Morituri (1985), até trabalhos posteriores como Silêncio (2007), Céu Escuro! (2008) e Vladivostok! (2008).
O percurso chega ao trabalho mais recente do realizador, Tumba dos Sonhos (2026), exibido recentemente no Festival de Locarno e que terá sua estreia nacional no Lumen.
O novo cinema chinês dentro da programação do Lumen Festival 2026
A programação do festival também lança luz sobre uma geração de cineastas chineses que vem construindo novas possibilidades para o cinema do país. O panorama dedicado ao Novo Cinema Chinês reúne filmes que transitam entre ficção, documentário, memória e experimentação e que, em diferentes graus, partem de experiências pessoais e da observação do cotidiano para refletir sobre a China contemporânea.
Entre os destaques está A Filha de Xangai (2026), de Agnis Shen Zhongmin, que terá sua estreia nacional no Lumen depois de ser exibido na mostra Panorama do Festival Internacional de Cinema de Berlim. Primeiro longa da escritora e realizadora chinesa, o filme nasceu de uma experiência familiar quando, após a morte do pai, Shen Zhongmin viajou ao sudoeste da China, região para onde ele havia sido enviado durante a Revolução Cultural. Anos depois, a viagem se transformou em matéria cinematográfica.
A seleção inclui ainda O Céu Inacabado (2026), de Huizhi Liu, premiado no FIDMarseille; O Vento Recua (2026), thriller de Xiao Xiao apresentado no Festival Internacional de Cinema de Pequim; e Um Outro Paraíso, novo filme da cineasta Kejing Wang, exibido no Festival de Busan. Também faz parte da programação O Lago Verde, média-metragem de Linwei Zhu, jovem realizador indicado ao Golden Horse, uma das principais premiações do cinema chinês, na categoria de melhor filme.
O recorte se amplia com uma seleção de curtas-metragens de realizadores ainda mais jovens. Integram a programação Proibido Pescar, de Yuchen Song; Gestalt, de Guang Han; Em um Casulo Rosa, de Binyu Wang, vindo do Cinéma du Réel; Palindrômico, de Faye Shu, que terá estreia mundial e acompanha, por meio de uma carta, estranhas ocorrências em uma ilha; e o sinistro No Vazio Não Há Forma, de Leah Zhang.
Você pode ver mais informações sobre o Lumen Festival 2026 clicando aqui.
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Gabriel von Borell
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