Marcelo Barbosa (Angra) explica por que bandas como Metallica e Megadeth não usam amplificadores

Marcelo Barbosa (Angra) explica por que bandas como Metallica e Megadeth não usam amplificadores
Crédito: reprodução

A gente te contou aqui sobre a polêmica envolvendo amplificadores e simuladores que surgiu a partir de uma entrevista do produtor Rick Bonadio, e o guitarrista Marcelo Barbosa, do Angra, entrou na discussão recentemente.

O debate movimentou o meio da produção musical brasileira e um vídeo antigo resgatado por Marcelo no Instagram apresenta o ponto de vista dele sobre a diferença entre tocar com um amplificador real e utilizar plataformas digitais para reproduzir determinados timbres.

Na legenda da publicação que você confere ao final da matéria, Barbosa afirmou ter experiência em produções de diferentes portes, inclusive internacionais, e lembrou que sempre teve contato com amplificadores valvulados de alto padrão:

Eu já tive a oportunidade de gravar em produções de todos os tamanhos, inclusive fora do país. Além disso, sempre possuí e até hoje possuo amplificadores valvulados de alto padrão como Bogners, Oranges, Soldano, Fender etc!”

Segundo o guitarrista, a diferença entre tocar em um amplificador real e utilizar uma plataforma digital não está necessariamente na percepção de quem escuta a gravação, mas principalmente na resposta do equipamento para quem está tocando:

Em resumo, a sensação de estar tocando em um amp real e a forma como ele responde a dinâmicas e afins é diferente. Mas isso é mais pra quem está tocando do que pra quem está apenas ouvindo a reprodução pelas caixas de som.”

No vídeo, Barbosa também usou bandas como o Metallica e o Megadeth para reforçar seu pensamento:

Levando isso para a estrada, para o lance do show. O Metallica está usando o Fractal AXE-FX III, o Megadeth está usando Quad Cortex. Tem outras bandas usando tanto esses dois quanto o Kemper. Então, assim, quando você pega uma banda que pode levar o que você quiser para a estrada, e os caras falam: ‘Olha, não vale a pena porque a diferença que tem você está economizando… você está, de repente, abrindo mão de 7% do som para 180% da praticidade, e de ser sempre o mesmo som todos os dias’. Você pluga e é aquele som, não vai mudar. A válvula não cansou, o knob não desgastou e agora está fazendo barulho quando você mexe. É igual, todo show você pluga dois cabos, ligou, é o som, está pronto. Isso facilita muito, barateia muito e economiza muito tempo de trabalho.”

Você pode ver a postagem ao final da matéria!

Marcelo Barbosa gravou novo vídeo após repercussão de sua postagem

Diante da repercussão do vídeo antigo, Marcelo Barbosa gravou posteriormente um novo registro na tentativa de aprofundar o debate sobre a antiga discussão entre equipamentos analógicos e digitais. Como você também pode assistir mais abaixo, o músico respondeu ao interesse provocado pela publicação anterior e desenvolveu melhor suas ideias sobre a questão.

Marcelo sinalizou que pretende, em vez de encerrar a discussão em torno da velha oposição entre analógico e digital, entrar em detalhes e apresentar uma reflexão mais aprofundada:

Antes de discutir qual é a melhor [opção], eu acho que a primeira pergunta deveria ser: o que exatamente estamos comparando? Porque existe um erro básico nessa discussão. Na verdade, muitas vezes, ela já parte da premissa completamente errada. Eu postei um vídeo rápido no meu Instagram sobre esse assunto, um vídeo que eu já tinha gravado, e disse que daria os meus dois centavos a respeito. Como muita gente comentou, eu vi que existe bastante interesse nesse tema e resolvi aprofundar um pouco mais a conversa e acrescentar talvez aí uns 10 centavos a mais sobre esse tema, beleza?

Quando você está em uma sala em frente a um ventilador valvulado ligado em uma caixa, o som que você está ouvindo não é simplesmente o som do amplificador. Você está ouvindo o amplificador, o power amp, falante, caixa, a construção dessa caixa, se ela é aberta ou não atrás dela, o volume de ar que ela movimenta, a interação desse falante com o power, e também com a própria sala e os materiais da sala. Se você troca o falante muda o som, se você troca a caixa vai mudar o som também. Se você sai de uma caixa de um de doze por uma quatro de doze, muda o som também, e a sensação também.

Aí você abre a traseira da caixa, também muda, troca de sala, troca materiais dentro da sala, e é evidente que uma caixa de quatro de doze, com o amplificador valvulado tocando alto, vai proporcionar para você uma experiência completamente diferente de um processador através do monitores do estúdio. Só que aqui está a questão fundamental: este não é necessariamente o som que chega ao público. Quando você grava esse amplificador, normalmente, existe um microfone, ou vários, colocados muito perto do falante, captando uma parte bastante específica daquele sistema. Qualquer pequena mudança no sistema altera o resultado.

Então, se você quiser fazer uma comparação realmente justa entre um amplificador e um simulador, não faz muito sentido ficar na frente de uma caixa de quatro de doze, ouvindo aquele som enorme preenchendo a sala e depois comparar isso com uma Quad Cortex saindo do monitor do seu computador. Essa comparação já nasce errada porque você não está comparando a mesma coisa. Você está comparando laranja com maçãs, por exemplo.”

O debate continua…

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Gabriel von Borell

Marcelo Barbosa (Angra) explica por que bandas como Metallica e Megadeth não usam amplificadores


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