Natashha Maria revisita memórias e a brasilidade no EP “Pitanga”; ouça

Natashha Maria revisita memórias e a brasilidade no EP “Pitanga”
Crédito: divulgação

Em um cenário musical cada vez mais marcado pela velocidade e pelo consumo imediato, Natashha Maria escolheu seguir na direção contrária.

Depois de quatro lançamentos em sua carreira, a cantora e compositora mineira apresentou Pitanga, EP que nasceu da vontade de desacelerar e recuperar a atenção dedicada a uma canção, valorizando os detalhes que muitas vezes passam despercebidos.

O trabalho de estúdio propõe uma experiência de escuta atravessada por memória, afeto, brasilidade e pela busca de uma sonoridade mais orgânica. A ideia de Pitanga partiu da maneira como Natashha se relaciona com a música.

Para a artista, em meio ao excesso de escolhas, ruídos e estímulos, retirar aquilo que sobra pode ser uma forma de voltar a enxergar o que realmente importa. Tal reflexão também se estendeu à forma como a música é descoberta e consumida atualmente, em um mercado no qual as canções circulam em velocidade cada vez maior.

O EP surge, portanto, como uma tentativa de recuperar outro tempo de escuta. Natashha queria voltar a ouvir uma música inteira, perceber o desenho de um violão, a força de um acorde e até mesmo o silêncio entre as notas.

A proposta está relacionada às lembranças de uma época em que ouvir música envolvia também outros rituais, como colocar um vinil para tocar do início ao fim, observar os encartes e descobrir quem havia escrito os arranjos, tocado cada instrumento, produzido ou fotografado aquele material.

Natashha Maria lançou seu novo EP a partir de fragmentos de sua memória

A relação com a música também passou pelas fitas cassete. Natashha recorda o momento de esperar a canção escolhida tocar no rádio para tentar gravá-la, torcendo para que o locutor terminasse de falar antes dos primeiros acordes.

Os pequenos rituais contribuíram para sua compreensão de que uma música nunca pertence apenas a quem a interpreta. Ela é resultado do trabalho de compositores, arranjadores, produtores, músicos, técnicos e de todos aqueles envolvidos na construção de uma gravação.

Da formação musical ao encontro com Milton Nascimento

Natural de Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, Natashha cresceu em uma cidade diretamente ligada à história da música brasileira. Terra de Milton Nascimento e parte importante da trajetória do Clube da Esquina, o município ajudou a formar o repertório afetivo e musical da artista.

Aos 17 anos, em 2002, Natashha começou a compor enquanto estudava no Conservatório Heitor Villa-Lobos. Desde então,ela construiu uma trajetória de mais de duas décadas dedicada à música, acompanhando diferentes momentos da cena independente e as transformações pelas quais passou a indústria fonográfica.

Ao longo do percurso, a cantora participou de festivais de música autoral e recebeu premiações e reconhecimentos por seu trabalho como compositora e intérprete. Natashha foi convidada pelo próprio Milton para participar das gravações dos álbuns Pietà e A Gente Sonhando, experiências que se tornaram parte importante de sua trajetória.

As canções da artista chegaram a mais de 100 rádios e Natashha também passou pelo Top 10 da MTV. As experiências acumuladas ao longo dos anos apareceram em Pitanga como parte de um novo momento artístico. O EP reúne encontros, referências e memórias que acompanham a cantora desde a infância e que continuam influenciando sua maneira de criar.

Entre as referências estão Gal Costa, Maria Bethânia, Secos e Molhados, Novos Baianos, Toni Tornado, Hyldon, Cassiano e Banda Black Rio, ajudando a construir a percepção de Natashha Maria sobre uma música brasileira capaz de experimentar sem perder sua identidade, transitar entre diferentes públicos e combinar sofisticação e espontaneidade.

Ouça Pitanga logo abaixo!

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Gabriel von Borell

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