O desabafo de Canisso sobre a situação do Raimundos ao final de sua vida

Canisso, baixista do Raimundos
Foto: Reprodução / YouTube

O baixista Canisso, que faleceu em Março de 2023, deixou registrado um depoimento extremamente sincero sobre como se sentia em relação à situação do Raimundos, banda na qual ele tocou por muitos anos.

O documentário recém-lançado Andar na Pedra – A História do Raimundos apresenta um trecho do desabafo do músico, que nos deixou aos 57 anos de idade após um ataque cardíaco. Na ocasião, ao falar sobre o reencontro de Rodolfo Abrantes e Digão, ele demonstrou ressentimento ao afirmar que foi o mais prejudicado ao longo da carreira da banda:

“Raimundos é minha vida. Raimundos é de onde eu tiro dinheiro. Eu não estou tocando em show solo. ‘Vai gravar um disco? Tô afim não’. Porra meu, não vou gravar suas músicas com você falando bosta bolsonarista. Vai se foder. Pensa bem, eu passei 20 anos – 20 anos! – me fodendo, me fodendo, literalmente, porque nenhum dos dois se fodeu, sacou? Dois filhinhos de papai. Aí agora vem, ‘Meu querido, vamos falar com carinho, vamos falar com amor’. Vão se foder um pouco também, né? Porque só eu que me fodi aqui nessa história. Eu cheguei longe, cheguei até aqui, isso me trouxe até aqui, sacou?”

Canisso desabafou sobre os Raimundos em documentário

Ainda no trecho em questão, Canisso abordou o impacto das declarações políticas feitas por Digão nas redes sociais em sua própria vida:

“É uma parada super frágil. Basta um gordinho mal assessorado falando merda pra tirar a gente de todos os festivais desse ano. Essa treta de, ‘Ah, o Canisso tá com raiva dele porque ela fala merda na internet’. Não, meu irmão, ele pode falar o que ele quiser, sacou?”

Na sequência, o vocalista e guitarrista Digão aparece se defendendo:

“Eu nunca falei de política em cima do palco, nunca usei o palco pra fazer discurso. É uma coisa pessoal minha”.

O baixista ainda ironizou o contraste entre as posições políticas associadas a Digão e o repertório do Raimundos e abriu o jogo sobre a relação entre os integrantes da banda:

“Mas isso é até engraçado, porque ele pode até estar pensando numa forma de direita, ou que ele seja agora reacionário, conservador, mas vai ser obrigado a passar o resto da vida cantando música libertária, velho. Essas músicas do Raimundo são libertárias.

Não estamos numas boas, já não estávamos antes. Então, chegamos num momento agora que está todo mundo no profissional. Eu vou lá e faço meu profissional. O amor acabou faz tempo. Acabou faz tempo.”

Anteriormente, destacamos aqui outra fala polêmica do baixista no documentário sobre a reaproximação de Digão com o líder do Rodox, dizendo que isso não aconteceu de forma genuína e sim como um “gesto desesperado”.

Saiba como assistir ao documentário Andar na Pedra – A História dos Raimundos aqui e veja um trecho da obra ao final da matéria!

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Lara Teixeira

O desabafo de Canisso sobre a situação do Raimundos ao final de sua vida


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