SPIM estreia em São Paulo com festival de cinco dias e conferência voltada ao mercado independente

De 12 a 16 de agosto, São Paulo recebe a primeira edição da SPIM (São Paulo Independent Music), festival que ocupa algumas das principais casas de shows da capital paulista com uma programação dedicada à cena independente brasileira.
Ao longo de cinco dias, o line-up cruza gerações e regiões, espalhando suas atrações por dez palcos da cidade: Algo Hits, Bar Alto, Casa Natura, Casa Rockambole, Cine Joia, Fenda 315, FFFront, Hangar 110, La Iglesia e Porta.
Idealizada pela 5511 Entretenimento, a SPIM não se resume apenas aos shows do festival. Nos dias 15 e 16 de agosto, também abriga uma conferência gratuita voltada a artistas e profissionais do setor, na Casa Rockambole.
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Programação de shows da SPIM conta com bandas consolidadas ao lado da nova geração
Para Edimar Filho, idealizador do evento e com quem também conversamos, o line-up reflete a rotina do mercado independente, o mesmo circuito que recebe desde bandas que já passaram por Rock in Rio e Lollapalooza até projetos que ainda começam a ganhar espaço nas casas menores do país.
É o caso de nomes como Menores Atos, que soma passagens por grandes festivais, ao lado de projetos mais recentes como Ottopapi, com dois anos de estrada, e veteranos como o Garage Fuzz, com 35 anos de carreira. A programação também reforça a pluralidade geográfica da cena, com atrações vindas de fora do eixo Rio–São Paulo como Budang (SC) e Boogarins (GO).
Os ingressos são vendidos separadamente por noite, e há um lote limitado de passaportes com acesso a todos os palcos do festival, respeitando a lotação de cada casa.
A conferência se torna um espaço para quem move a cena por trás dos palcos
Além dos shows, a SPIM dedica dois dias a uma conferência gratuita voltada aos profissionais que sustentam o dia a dia da música independente, artistas, casas de shows, selos, produtores e demais agentes do setor. O encontro reúne cerca de 40 convidados em dez painéis, na Casa Rockambole, com inscrições limitadas pelo site do festival e atualmente já esgotadas.
Os temas propostos atravessam diferentes etapas da carreira de um artista independente: o papel das casas de shows na formação de público, o crescimento das turnês internacionais no Brasil, a criação e gestão de selos, direitos autorais e sustentabilidade financeira para artistas independentes.
Entre os confirmados estão representantes de iniciativas como Lollapalooza Brasil, Popload, Festival Bananada, Festival Dosol, Casa Natura Musical, Cine Joia, Balaclava Records, YBmusic, 30e, UBC e ABMI, mas também profissionais independentes do setor, além de artistas como Ale Sater (Terno Rei), Léo Ramos e Carol Navarro (Supercombo), Cris Botarelli (Far From Alaska / Ego Kill Talent) e Phil Fargnoli (CPM22 / Repetente Records).
Para Edimar, a proposta da conferência nasce de uma lacuna identificada no setor:
Tudo nasce do diálogo e da escuta. Para que possamos ter um mercado independente mais forte, com potencial de crescimento e sustentável, é importante que esses agentes se encontrem, troquem ideias e compartilhem tecnologia e informação.”
Segundo ele, encontros como esse são fundamentais para o avanço do circuito independente como movimento cultural e para o fortalecimento de sua cadeia produtiva que, apesar de movimentar artistas, casas de shows, selos e público o ano inteiro, costuma ficar de fora das grandes feiras da indústria musical.
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Um festival que apoia a cena independente em todas as frentes
Ao unir programação musical e conferência num mesmo evento, a SPIM propõe uma leitura mais completa do que sustenta a cena independente: não apenas os shows que o público vê, mas também as relações profissionais, os desafios estruturais e as trocas que acontecem fora do palco.
Com uma proposta descentralizada, espalhada por dez espaços da cidade, o festival reforça o compromisso de aproximar artistas, público e casas de shows, criando uma experiência que atravessa diferentes territórios e sonoridades da música independente brasileira.
Para entender mais sobre o festival, conversamos com Edimar Filho e você pode conferir a entrevista e a programação completa abaixo!
TMDQA! Entrevista Edimar Filho sobre a SPIM
TMDQA!: Como veio a ideia do SPIM? E como foi esse processo de juntar as bandas, casas deshow e profissionais da indústria?
Edimar Filho: Eu sempre gostei da idéia de festivais em casas de show. Durante um tempo, programei a semana de showcases do Festival Bananada e era a parte mais divertida de fazer. Existem alguns festivais em outros lugares do mundo que têm esse formato e que sempre fui muito fã. Great Escape em Brighton, Noise Pop em São Francisco, Pop Montreal, Canadian Music Week, CMJ em Nova Iorque, e alguns outros. E eu sempre achei que São Paulo precisava de um festival assim, que levantasse essa bandeira das casas de show independentes. As casas de show são a parte mais importante da indústria da música, e são também a parte mais fragilizada e com menos apoio de marcas e poder público.
Trazer essa visibilidade para as casas, respeitando a vocação de cada palco e ajudando a amplificar a voz de cada um desses lugares, era um plano antigo. Finalmente tirei ele do papel. As casas são casas que eu frequento, que a cena de rock independente da cidade frequenta o ano todo. Os artistas também estão todos inseridos nesse circuito, tocando oano todo nessas casas. O festival surge mais como uma celebração e um compilador, uma fotografia do que acontece durante o ano em São Paulo.
TMDQA!: Achei muito legal o fato da conferência ser gratuita, o que garante uma acessibilidade maior para os profissionais do mercado. Com tantos profissionais incríveis na programação, imagino que foi difícil manter a gratuidade. Foi uma ideia que teve desde o início? Como conseguiu viabilizá-la?
Edimar: Desde o início da ideia da conferência eu queria que fosse gratuita. É importante tentar trazer esses assuntos para o público e para as bandas, e garantir acessibilidade para isso era fundamental pra mim. Esse circuito de bandas independentes nunca teve uma conferência de música voltada para esse estilo e mercado. Então além do incentivo para que as bandas e o público participassem dos painéis, precisava criar condições para isso.
Os nomes foram uma tarefa difícil de juntar. Tanto para conciliar agendas, quanto na escolha de cada um. Precisavam ser pessoas que tivessem um contato e um entendimento desse circuito independente e underground. Pessoas que acompanham essas bandas e entendem não só as possibilidades de mercado para esse nicho, quanto pessoas que tivessem uma trajetória dentro das suas áreas que pudessem somar ao propósito da conferência.
A viabilidade veio mais do interesse e da generosidade de todas as pessoas que estão participando, em dedicar um tempo para essa troca de conhecimento e contribuir de certa forma para um aumento e profissionalização dessa cena. Se tornou muito possível também, claro, com o apoio da UBC (União Brasileira de Compositores), que é o apoiador oficial da conferência esse ano.
TMDQA!: Juntar várias gerações da cena independente brasileira em um festival foi uma baita sacada, quais suas expectativas para essa primeira edição? Já pensou em ter próximas edições?
Edimar: As expectativas são as melhores possíveis. Pra ser sincero eu já estou muito feliz com o resultado que estamos tendo até agora. A repercussão do anúncio e o interesse dos artistas foi maior do que o esperado. O público também parece que se engajou com a ideia e se interessou pelo festival.
É importante colocar bandas já consagradas nos seus estilos para dividir o palco com bandas novas. Isso ajuda na formação de público para novos artistas, e provoca esse diálogo entre as gerações, não só no palco mas também na platéia. Eu espero que esse formato proposto ajude a dar visibilidade para as casas e para essa geração nova de artistas que está se apresentando no festival. Importante as pessoas num geral, público, mercado, agentes do setor, marcas e poder público, perceberem a importância das casas de show não só para o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva, mas principalmente para a sensação de pertencimento das pessoas em suas cidades, pra diversidade da vida e economia noturna, e para o acesso e consumo de arte e cultura pela população.
Eu já estou com várias ideias para a próxima edição. Algumas coisas que não foram possíveis de serem viabilizadas nessa primeira, e outros palcos e projetos que quero trazer pra dentro do festival. Colaborar mais com outros projetos, ocupar mais lugares, e ampliar o diálogo com a produção da cidade e com outros agentes dessas cenas.
SPIM 2026 – Programação Festival – Shows
Qua, 12.08
Local: Bar Alto
LineUp: Molho Negro + Swave
End: R. Aspicuelta, 194 – Vila Madalena
Ingressos: https://fastix.com.br/events/spim2026-bar-alto
Local: Porta
LineUp: Ottopapi + Julieta Social
End: R. Horácio Lane, 95 – Pinheiros
Ingressos: https://fastix.com.br/events/spim2026-porta
Qui, 13.08
Local: La Iglesia
LineUp: Garage Fuzz + Deb and the mentals
End: R. João Moura, 515 – Pinheiros
Ingressos: https://fastix.com.br/events/spim2026-la-iglesia
Local: Casa Algo Hits
LineUp: Jonabug + Chão de Taco
End: R. Patizal, 38 – Vila Madalena
Ingressos: https://fastix.com.br/events/spim2026-algohits
Sex, 14.08
Local: Rockambole
LineUp: Ludovic + Jovens Ateus
End: R. Belmiro Braga, 119 – Pinheiros
Ingressos: https://fastix.com.br/events/spim2026-rockambole
Local: Fenda 315
LineUp: Ana Paia + boasorte
End: R. Dr. Cândido Espinheira, 315 – Perdizes
Ingressos: https://fastix.com.br/events/spim2026-fenda-315
Sáb, 15.08
Local: Hangar 110
LineUp: Sugar Kane + Menores Atos
End: R. Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro
Ingressos: https://fastix.com.br/events/spim2026-hangar-110
Local: Casa Natura
LineUp: Boogarins + Pelados
End: R. Artur de Azevedo, 2134 – Pinheiros
Ingressos: https://casanaturamusical.com.br/
Local: FFFront
LineUp: Esse Lado Pra Cima + glover.
Horário: 20h
End: R. Purpurina, 199 – Sumarezinho
Ingressos: https://fastix.com.br/events/spim2026-fffront
Dom, 16.08
Local: Cine Joia
LineUp: Bad Luv + Budang + Metade de Mim + Chococorn and the Sugarcanes
End: Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade
Ingressos: https://fastix.com.br/events/spim2026-cine-joia
SPIM 2026 – Conferência
Data: 15 e 16 de agosto de 2026
Horário: 10h às 19h
Local: Casa Rockambole – Rua Belmiro Braga, 119 – Pinheiros – São Paulo
Entrada: Gratuita, mediante inscrição no site do evento.
Programação
Sáb, 15.08
10h – UBC apresenta: Do cadastro à distribuição
Lançar uma música nas plataformas digitais é apenas um dos passos de uma engrenagem muito maior. Para onde vai o dinheiro quando uma faixa toca no rádio, na TV, num show ou no streaming? Como garantir que autores, intérpretes e músicos acompanhantes recebam cada centavo corretamente? Para responder a essas perguntas e desatar os nós do mercado musical, a UBC apresenta o painel “Do cadastro à distribuição”. O encontro propõe uma abordagem descomplicada e didática sobre o funcionamento do direito autoral e da execução pública no Brasil. Voltado para artistas, produtores, empresários e demais profissionais desse ecossistema, o debate é um convite para entender como as engrenagens da indústria se movem para garantir que a música seja protegida e devidamente remunerada no mercado atual.
Participantes: Laura Bahia (UBC), Vinícius Naka (UBC)
11h45 – Os festivais de rock e a cena independente no Brasil
Um panorama sobre a evolução dos festivais de rock no Brasil pelo olhar de quem faz essa história acontecer. A conversa trata dos principais desafios do setor e o papel desses eventos no fortalecimento da música independente. Além de falar dos bastidores da curadoria, os convidados dão orientações sobre posicionamento para artistas que desejam se inserir nesse circuito e os principais fatores considerados na escolha das atrações.
Mediação: Fabrício Nobre (Festival Bananada / Toca UOL)
Participantes: Alex Palaia (Cult MIX), Ana Morena (Festival Dosol), Marcelo Beraldo (Lollapalooza Brasil / C3 Presents)
13h30 – Como montar e gerir o seu selo independente
O que é preciso para criar e desenvolver um selo independente? O painel discute os principais desafios de um negócio musical, o papel da curadoria e a construção de uma relação sólida com os artistas e público. O encontro também vai falar do papel dos selos na descoberta e desenvolvimento de novos talentos, além de sua relevância para a construção de comunidades engajadas em sustentar cenas específicas, no Brasil e no exterior.
Mediação: Katia Abreu (Tratore)
Participantes: Rafael Farah (Balaclava Records), Ygor Alexis (Selo Rockambole), Tiago Agostini (Ditto Music)
15h15 – Circulação e Turnês: Como colocar o seu projeto na rua
O painel trata dos principais desafios da circulação no circuito independente, do planejamento e da logística à negociação de datas e construção de redes de contato. A conversa também apresenta estratégias para ampliar o alcance dos projetos e viabilizar turnês de forma sustentável, destacando a importância de shows como fonte de receita e como ferramenta de conexão e expansão de público
Mediação: Anderson Foca (Festival Dosol)
Participantes: Thais Pimenta (Café8 Music), Ícaro Lima (Kaká) (Xaninho Records), Francesca Ribeiro (Manager / Booker).
17h – Jornalismo musical na cobertura da cena independente
De que forma as transformações do jornalismo e na produção e difusão de conteúdos impactam o desenvolvimento da música independente? O debate traz o papel da crítica e a importância dos veículos especializados na descoberta e divulgação de novos artistas e cenas. A conversa também apresenta estratégias para que músicos fortaleçam sua relação com a imprensa, abordando boas práticas de comunicação e divulgação.
Mediação: Claudia Assef (Billboard Brasil)
Participantes: Isabela Yu (Revista Noize), Guilherme Guedes (Multishow), Amanda Cavalcanti (Folha de São Paulo / Wire / Bandcamp).
Dom, 16.08
10h – Onde tudo acontece! As casas de show como plataformas de difusão cultural
O painel destaca o papel fundamental de palcos permanentes como polos de resistência cultural e desenvolvimento da cena independente, abordando os desafios de operação e curadoria desses espaços. Além da importância na formação de público e descoberta de novos artistas, a conversa também trata do impacto na construção de comunidades e senso de pertencimento da juventude ligada à música alternativa.
Mediação: Ricardo Rodrigues (Let’s Gig)
Participantes: Mancha Leonel (Cine Joia / Casa do Mancha), Carol Stuart (Casa Natura Musical), Luiza Gonçalves (Casa Rockambole).
11h45 – O boom dos shows internacionais no Brasil
Nos últimos anos, houve um crescimento expressivo de turnês internacionais no Brasil, incluindo os circuitos de pequeno e médio porte. O painel analisa a inserção de São Paulo nas rotas de atrações de diferentes vertentes da música alternativa, os desafios logísticos, financeiros e operacionais para viabilizar atrações internacionais e os impactos desse movimento na cena independente nacional.
Mediação: Juli Baldi (Mapa dos Festivais / Bananas)
Participantes: Lúcio Ribeiro (Popload), Isadora Almeida (30e), Fernando Dotta (Balaclava), Leandro Carbonato (Powerline)
13h30 – ABMI apresenta: Encontro de selos independentes
O encontro reúne selos e profissionais do setor para uma troca de experiências sobre as dores e rotinas do mercado independente, abordando temas como monetização, inteligência artificial, distribuição digital, desenvolvimento de artistas e sustentabilidade dos negócios. A iniciativa da Associação Brasileira de Música Independente (ABMI) busca fortalecer o diálogo entre os agentes da cena independente e fomentar a construção de soluções coletivas para os novos desafios do setor.
Mediação: Talita Cordeiro (ABMI)
Participantes: Maurício Tagliari (YBmusic), João Bagdadi (Selo Risco), Yasmin Kalaf (Cavaca Records), Felippe Llerena (Nikita Music Digital)
15h15 – É possível viver de música independente?
O que é preciso para transformar um projeto musical em uma carreira sustentável? O painel discute os desafios de viver de música independente, com estratégias de posicionamento e atuação, diversificação de receitas e os caminhos percorridos por quem conseguiu consolidar seus projetos. A conversa trata ainda da relação entre criação e mercado e da dedicação e escolhas necessárias para construir uma trajetória de longo prazo.
Mediação: Alexandre Matias (Trabalho Sujo)
Participantes: Ale Sater (Terno Rei), Phil Fargnoli (Cpm22 / Repetente Records), Léo Ramos (Supercombo)
17h – Treinam apresenta: participação feminina na música independente
Conduzida pela Treinam (Turma Remota de Ensino Intensivo para Artistas Mulheres), a conversa aborda os avanços e os desafios da participação feminina na música independente. O painel discute as barreiras enfrentadas por artistas e profissionais do setor e apresenta iniciativas que fortalecem a representatividade, as redes de apoio e a construção de uma cena mais diversa, segura e inclusiva.
Mediação: Nath Moura (Treinam)
Participantes: Natália Lebeis (Palatável Records / SIM São Paulo), Carol Navarro (Supercombo), Letícia Tomás (Power Records / Rec-Beat), Cris Botarelli (Far From Alaska, Ego Kill Talent)
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Nina Shimazumi
SPIM estreia em São Paulo com festival de cinco dias e conferência voltada ao mercado independente




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