TMDQA! Entrevista: KNOWER, C6 Fest e a engenharia do som

KNOWER, em foto retirada do Bandcamp do duo
Reprodução: Bandcamp

Louis Cole e Genevieve Artadi não parecem habitar a mesma dimensão que nós, embora Louis insista que é apenas um “cara normal”. A música do KNOWER é um organismo vivo e estranho: tem o cérebro de um matemático aplicado, os dedos de um mestre do jazz e o coração de um punk fritando em uma rave clandestina às quatro da manhã.

Se o Instagram de muitos artistas é uma vitrine de ego, o universo visual do KNOWER é um manifesto de deboche. Entre fantasias de baixo orçamento, edições que lembram a internet discada e uma seriedade técnica que assusta, eles provam que o virtuosismo não precisa de terno e gravata – ele pode vir vestido de vendedor de tacos, quem sabe! Eles são a prova de que, por trás de toda aura “cool” da indústria, geralmente existe apenas um idiota tentando acertar o tempo da bateria.

Ao desembarcarem no Brasil para o C6 Fest, o duo traz na bagagem não apenas o caos controlado de seus sintetizadores, mas uma reverência genuína a Milton Nascimento e Toninho Horta, reconhecendo no solo brasileiro um dos últimos refúgios onde a música complexa ainda encontra o abraço das massas.

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Em uma conversa exclusiva com o TMDQA!, Louis e Genevieve filosofaram sobre o fim do mundo, desmistificaram a aura de ícones do jazz e projetaram o cenário ideal para o apocalipse: um cone cinza visualizado ao som de uma balada melancólica sob uma tempestade solar.

Prepare o seu magnetismo e confira nosso papo com a dupla mais imprevisível do line-up. O KNOWER se apresenta no C6 Fest e você pode garantir seu lugar nos eventos restantes (C6 JAZZ e C6 LAB) clicando aqui.

TMDQA! Entrevista – KNOWER

TMDQA!: Louis, você é conhecido por fundir harmonias complexas de jazz com uma energia de rave que parece prestes a explodir. No palco do C6, como você equilibra a precisão matemática de um baterista de jazz com o impulso de fazer todo mundo pular como se estivesse em um show punk?

Louis: Eu só estou tentando tocar bateria o melhor que posso. Espero que isso se traduza em uma boa experiência para o público e que eles sintam que o dinheiro do ingresso valeu a pena!

TMDQA!: Genevieve, suas linhas vocais frequentemente dobram sintetizadores ou metais com uma precisão quase robótica. Em um festival onde sons “orgânicos” são muito valorizados, você se vê como uma tradutora de sons sintéticos para o corpo humano?

Genevieve: Eu amo dobrar instrumentos com a minha voz. Em vez de focar se um som é produzido organicamente ou se vem de um sintetizador, eu tento criar combinações interessantes de sons para que, quando se unam, tenham uma qualidade legal. O equilíbrio entre vozes orgânicas e sintetizadas é guiado pelo que melhor expressa a emoção da música.
Além disso, eu sou vendedora de tacos.

TMDQA!: O Living Room Power Set de 2020 tornou-se icônico por sua proximidade crua e “faça-você-mesmo”. Como é trazer essa energia íntima (e quase claustrofóbica) de uma sala de estar para um palco sofisticado e ao ar livre como o do C6 Fest?

Louis: Nós vamos nos espalhar mais e nenhum de nós estará com COVID – ou, se algum de nós estiver doente, prometemos não fazer o teste. Também teremos mais músicos conosco do que naquele vídeo (naquele “Covídeo”).

TMDQA!: A identidade visual de vocês costuma subverter o que se espera de músicos “virtuosos” (fantasias engraçadas, edição de vídeo lo-fi). Existe um prazer específico em chocar um público que espera uma postura séria de músicos formados pela USC e CSU?

Louis: Eu sou apenas um cara normal como você e eu. Qualquer músico que se apresenta como “cool” demais, ou misterioso demais, ou simplesmente sexy demais para o seu nível de realidade, geralmente é um baita de um bobo nos bastidores.

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TMDQA!: Olhando para a lista de membros adicionais do KNOWER, parece que vocês montaram um supergrupo rotativo (MonoNeon, Sam Gendel, Cory Wong). Se você tivesse que definir o “DNA” que alguém precisa ter para tocar com o Knower por uma noite, qual seria a característica essencial?

Louis: Ser bom no seu instrumento e estar interessado em aprender e tocar a música bem. Eles também precisam ser pessoas legais para se passar o tempo junto.

TMDQA!: Vocês foram endossados por Quincy Jones e apareceram na rádio FlyLo FM do GTA V. Ter a validação de mundos tão diferentes — o jazz clássico e a cultura gamer — influencia como vocês abordam o próximo álbum?

Louis: Pode me citar nisso: Quincy Jones era meio esquisito. Ter a validação desses caras ajudou algumas pessoas a formarem opiniões positivas sobre nós.
Sou grato por isso, quero que o máximo de pessoas possível ouça minha música.

TMDQA!: O EP mais recente de vocês se chama Some Thingies (2025), e esse título sugere uma coleção de ideias espontâneas. Existe algum “bagulho” (thingy) específico do Brasil ou da música brasileira que vocês estão animados para processar e transformar em um novo groove?

Louis: Eu amo [Tom] Jobim, Milton Nascimento e Toninho Horta. O Brasil tem uma história de música excelente e uma apreciação em massa por música de qualidade (coisa que provavelmente não existe mais em lugar nenhum). Esses artistas foram influentes para mim.

TMDQA!: Se o som que vocês estão trazendo para o C6 Fest fosse uma cor ou um objeto físico, o que seria e por quê?

Louis: Um cone cinza. Visualize-o.

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TMDQA!: Quase terminando: se o mundo estivesse acabando a 128 BPM e você pudesse tocar apenas uma última música, seria algo introspectivo como “Crash The Car” ou o caos total de “The Government Knows”?

Louis: “Crash The Car”, com certeza, enquanto uma erupção solar de classe X-100 explode através da magnetosfera quase inexistente da Terra. Essa música vai combinar melhor com a aurora boreal diurna.

TMDQA!: Pessoal, eu represento um site chamado Tenho Mais Discos Que Amigos!. Considerando essa informação, vocês concordariam que também têm mais discos do que amigos? E se pudessem escolher um álbum para descrever vocês — ou um álbum que seja significativo — qual seria?

Louis: Isso é verdade para mim! Mas eu gosto tanto dos meus discos quanto dos meus amigos.
Eu escolheria meu próprio álbum, Nothing, para me descrever. Esse é o meu álbum favorito.

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Eduardo Ferreira

TMDQA! Entrevista: KNOWER, C6 Fest e a engenharia do som


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