“Vai com medo mesmo”: BAD LUV detalha novo álbum e parcerias com Badauí e Luccas Carlos (ENTREVISTA)

A BAD LUV apresentou ao público o seu segundo disco de estúdio, “O MEDO NÃO ME PAROU”. Ao longo de 9 faixas que fundem o peso do post-hardcore e do metal moderno com melodias marcantes, o trabalho traz letras focadas em sentimentos reais e nas vulnerabilidades do dia a dia. Ao POPline, a banda detalha as inspirações por trás do projeto e a escolha de apostar na força de uma narrativa completa em meio à volatilidade do mercado atual.

Por que lançar um álbum completo em vez de apostar apenas em singles? A BAD LUV responde!
Para o baixista João Bonafé entregar uma obra conceitual cheia de camadas é uma declaração de intenção frente ao dinamismo acelerado das redes:
“A gente tá ali forçando essa barra mesmo, porque é importante absorver a arte de uma maneira mais profunda e mais completa possível. Hoje em dia tá tudo tão superficial, né. Então, as coisas chegam a passar despercebidas de tão rápido que algumas coisas vão. Acho que num disco ele ajuda a contar a história melhor, mais detalhado.”
João Bonafé – BAD LUV
O vocalista Caio Weber reforça que a escolha é um reflexo direto do modo como os próprios integrantes consomem música, servindo como uma alternativa ao imediatismo da indústria:
“Eu acho que é uma forma também da gente, de certa maneira, educar a nossa comunidade ali, as pessoas que se identificam com a nossa música, a recuperarem esse costume aí, que por algum momento ficou meio perdido. […] Eu percebo que algumas pessoas, principalmente pós-pandemia, se voltaram muito pra essas coisas um pouco mais profundas. E, logicamente, um disco acaba tendo uma profundidade muito maior do que um EP ou do que um single.”
Caio completa explicando a facilidade do processo criativo do projeto:
“Pra ser sincero, eu acho que a gente nem chegou a cogitar fazer um outro trabalho que não fosse um novo álbum. A gente não chegou a falar ‘vamos fazer singles’ ou ‘vamos fazer EP’. Já tava meio intrínseco. Quando a gente fez o primeiro, a gente falou: beleza, vamos fazer o segundo agora.”
Mesmo focado na experiência completa, o grupo construiu estrategicamente a chegada do trabalho. Como pontua João Bonafé:
“Antes mesmo de a gente lançar esse trabalho, a gente lançou o nosso primeiro single, ‘Sonho Bom’, em abril. Depois lançamos ‘Sinto Sua Falta’ pra chegar com o disco ali, com o exército todo pra mostrar as músicas e a profundidade do que a gente quer dizer.”
Qual é o significado do título ‘O MEDO NÃO ME PAROU’ para a BAD LUV?
O nome do registro traduz conflitos pessoais, superações e o desafio de manter o projeto ativo diante das incertezas e das distâncias geográficas. Caio Weber relata como a rotina e a ascensão do grupo impulsionaram reflexões sobre ansiedade e o tempo presente:
“Quando eu entrei, a gente já começou a fazer as coisas muito rapidamente. De repente, um anseio ou medo que eu tinha é de que aquilo poderia acabar a qualquer momento. Eu tive que lutar muito contra a minha auto-sabotagem. Mas esse medo do futuro se transformou numa apreciação pelo presente. Parece que quanto menos eu penso no futuro e mais nas coisas que estão acontecendo, mais a gente vai construindo juntos um futuro próspero.”
Para o guitarrista Gee Rocha, as 9 faixas funcionam como um espelho das tensões e vulnerabilidades da vida moderna:
“A gente vive numa sociedade que deixa todo mundo cada vez mais doente. As pessoas cada vez menos têm tempo pra cuidar de si mesmas, pra olhar pra dentro, pra tratar as próprias feridas. Eu acho que esse álbum fala muito disso.”
Gee Rocha – BAD LUV
Gee também ressalta a virada de chave para não se deixar paralisar diante das adversidades:
“Diversas vezes na minha vida o medo me atrapalhou, mas é você entender e ir: se tiver medo, vai com medo mesmo e segue em frente. Por isso a gente botou esse título no álbum.”
A mensagem central transborda na faixa-título com o verso “Não deixo a vida me levar, sou eu quem levo ela”, que Caio define como essencial para o cotidiano:
“Talvez esse momento ideal que muitas pessoas esperam pra fazer as coisas nunca exista. É essa luta constante contra essa ansiedade que a gente vive cada vez de uma maneira mais forte.”
Como as parcerias com Badauí (CPM 22) e Luccas Carlos expandem o som da BAD LUV?
Entre as colaborações do disco, o destaque vai para a presença de Badauí, vocalista do CPM 22, na faixa “Dias Difíceis”. A parceria celebra a ponte com a escola clássica do hardcore nacional:
“Pra coroar o nosso trampo, é tipo a bênção do mais velho ali. Se não fosse CPM, acho que nenhum de nós estaria sonhando com uma parada parecida. O CPM abriu muito caminho pra galera do nosso rolê, então é uma honra ter um cara desse. É a cereja do bolo”, afirma João Bonafé.
Ao mesmo tempo em que reverencia suas raízes, a BAD LUV flerta com a música urbana na faixa “Na Noite Passada”, que traz a participação de Luccas Carlos. João comenta como a fusão surgiu no estúdio:
“É uma música que começou meio no rock, meio rap, e a gente falou: ‘mano, parece meio rap’. Aí a gente chamou o Luccas Carlos pra fazer a parte do rap ali. Eu acho que isso é a salvação pra qualquer estilo, todos têm o que aprender um com o outro.”
Gee complementa sobre essa troca entre vertentes musicais no cenário atual:
“Hoje a gente vê artistas do pop misturando rock e sendo responsáveis por apresentar o rock pra uma galera. Tem uma mistura do rap, do eletrônico, do funk. Isso é um facilitador de você ter essa mesclagem de gêneros pra que seja mais fácil da galera consumir.”
O que a BAD LUV busca representar na cena musical brasileira?
Mais do que conquistar posições em charts, a BAD LUV enxerga o novo álbum como uma ferramenta de conexão com o público e criação de um espaço seguro nos shows. João Bonafé enfatiza a proposta do grupo:
“A gente tem uma mensagem forte pra caralho. Lógico que a gente preza pelo arranjo mais moderno, mas o primeiro lugar do BAD LUV tem sido a mensagem. Levar uma visão massa, às vezes o cara tá procurando uma saída ou brigou com alguém, e a música pode ajudar a tomar um ar e ver as paradas de outra maneira.”
Gee reforça o sentimento de ver o trabalho surtir efeito nos novos músicos e fãs:
“É muito legal quando a galera chega pra gente e fala: ‘tô montando minha banda por causa de vocês, por causa da letra de vocês’. Quando a gente vê a galera se mexendo e correndo atrás do sonho, é o que a gente quer.”
Caio Weber conclui destacando o papel inclusivo e acolhedor que o rock precisa desempenhar no cenário contemporâneo:
“Por algum tempo, o rock foi muito excludente pra algumas pessoas, sobretudo pra algumas minorias. A gente sente que, ainda bem, isso mudou. Eu enxergo a BAD LUV muito como sendo esse lugar seguro pra todo tipo de pessoa, independente de crença, sexualidade ou cor. É criar um lugar consciente o suficiente pra que as pessoas se sintam livres e possam compartilhar seus sentimentos.”
Caio Weber – BAD LUV
Bruna Cora
https://portalpopline.com.br/bad-luv-novo-album-feats-badaui-luccas-carlos/



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