Baterista do NX Zero diz por que não gosta do primeiro disco da banda

Baterista do NX Zero diz por que não gosta do primeiro disco da banda
Divulgação

Daniel Weksler, baterista do NX Zero, refletiu recentemente sobre a época em que sua banda assinou um contrato com a Universal Music e lançou seu aclamado disco homônimo, produzido por Rick Bonadio e Rodrigo Castanho.

A obra apresentou ao público sucessos como “Razões e Emoções” e “Além de Mim”, que se tornaram alguns dos dois maiores hits do rock nacional dos anos 2000 e consolidaram o sucesso comercial do grupo. Porém, Weksler revelou durante o programa Os Bastidores de Tudo!, comandado por Leo Paiva, que guarda uma relação complicada com o primeiro álbum lançado pelo NX por uma grande gravadora.

Na entrevista, Daniel apontou que nunca gostou do resultado final da gravação por causa das mudanças feitas no som de sua bateria durante a produção. O músico apontou que sua principal frustração surgiu ao perceber que boa parte do timbre que havia gravado foi substituída por samples, sem que ele pudesse aprovar a mixagem.

Ele ainda relembrou que ouviu a versão final pela primeira vez no rádio, ao lado do guitarrista Fi, e imediatamente percebeu que aquele não era o som que havia imaginado para o disco.

Eu não gosto do primeiro disco do NX. […] Gravei o som da batera do jeito que eu queria, e aí muita coisa foi sampleada nesse primeiro disco. Botou um som de caixa que eu não gostava e deixou de uma sensibilidade que eu também não gostava e não pude opinar.”

O baterista ainda explicou que o incômodo também refletia o momento de transição vivido pela banda. Antes do contrato com a Universal, ele acumulava a função de empresário do NX Zero, negociando shows e cuidando dos bastidores. Com a chegada de Rick Bonadio para assumir a gestão e a produção, precisou abrir mão desse controle – algo que, segundo ele, foi difícil de aceitar aos 20 anos.

Ao questionar Bonadio sobre a decisão de mudar o som de sua bateria, ele ouviu que o objetivo era fazer um disco com músicas que tocassem nas rádios. Na época, a resposta o decepcionou; hoje, refletindo sobre o assunto, o músico reconhece que o produtor tinha razão do ponto de vista comercial:

Na época, aquilo pra mim foi uma facada. Uma ferida grande, né? Porque pô, eu tinha 20 anos, eu estava estudando, eu sabia a caixa que eu usava, eu sabia a pele que eu usava, mas muita coisa que eu fiz foi modificada por ter um sample, por não ter a coisa.

[…] No final das contas ele teve razão, porque a música tocou do mesmo jeito na rádio e ninguém nunca percebeu isso. Isso foi uma coisa minha. Então foi uma grande lição também pra mim: ‘Peraí, onde é o seu ego, onde é o artístico, onde é a confiança, onde é o delegar?’. Então, pra mim foi uma escola muito grande de entender, tipo, ‘Não, peraí, estamos lidando com outras pessoas que têm outras experiências, outras visões’.”

Daniel finalizou seu relato lembrando que, após o episódio, teve uma conversa sincera com Rick Bonadio para deixar claro que ele e seus companheiros de banda precisariam aprovar as mixagens dos trabalhos seguintes:

Eu preciso aprovar. Eu preciso ouvir e falar assim: ‘Não, aqui eu gosto, aqui eu não gosto’. Porque o negócio, se desse errado, o rosto de quem ia estar ali era o meu, era dos caras. Não era o do Rick nem nada.”

A seguir, confira o depoimento do baterista do NX e aproveite para relembrar o clipe de “Além de Mim”!

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Lara Teixeira

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