“Boa noite, povo”: como a cultura popular de Alagoas deu origem ao cartão de visitas do Brasil com S

Mesta Maria do Carmo foi a criadora da canção que fez sucesso na internet nas vozes de Barbatuques

“Boa noite, povo, que eu cheguei”. Ao escutar este verso, popularizado ao som dos batuques de “Baianá”, lançada em 2011 pelo grupo paulistano Barbatuques, abre-se um cartão de visitas – como um convite ao mundo para conhecer um Brasil com S. 

A canção, que repercutiu fortemente nas redes sociais, se tornou uma das principais representações musicais do país em 2026. O objetivo das trends é mostrar belezas naturais e periféricas se opondo à onda de turistificação do território Tupiniquim, que transforma um espaço cultural apenas em ponto turístico.

Porém, para “apresentá esses baianá de Maria”, é preciso sair da caixa: as baianas não estão na Bahia, mas em Alagoas.

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As baianas por trás de “Baianás”

Para que surgisse a adaptação de “Boa Tarde, Povo!”,  música das Baianas Mensageiras de Santa Luzia, anteriormente lideradas por Mestra Maria do Carmo, tudo começa na mistura de influências e transformações marcadas pela proximidade entre o litoral norte alagoano e o sul de Pernambuco.

De acordo com o poeta Ascenço Ferreira, é da união entre os folguedos pastoril, maracatu, coco de roda e reisado, que contam histórias a partir da dança e da música, que nasce o Samba de Matuto, que será conhecido como Baianas ou Baianá em Maceió.

Aos toques de zabumba, cantos de coro e dança, não demorou muito para que, nos anos 20, o Samba de Matuto adentrasse de vez no cotidiano cultural na Zona Central de Alagoas e na capital alagoana.

As baianas entraram no imaginário cultural do estado, mas para isso passaram por uma série de transformações, como as vestimentas das primeiras figuras no fronte do grupo, que aparecem com cordões e vestidos azuis semelhantes ao do reisado.

Dali em diante, diversos grupos surgem por todo o estado, como as Baianas de Ipioca, lideradas por Mestra Terezinha Oliveira, e as Baianas Mensageiras de Santa Luzia, que deram origem à música mundialmente conhecida.

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Canções das baianas

A canção “Boa Tarde, Povo!”, composta pela Mestra Maria do Carmo, apresenta elementos musicais do Coco de Embolada, caracterizado por versos improvisados ao som de um pandeiro – diferentemente de “Baianá”, que é complementada com elementos de percussão em um ritmo mais rápido.

Outras versões de “Baianá” foram lançadas durante os anos, como o remix de Alok, que puxa para as produções eletrônicas feitas pelo DJ, e a do grupo Mundaréu, que segue pelo ritmo tradicional.

Em maio deste ano, os Barbatuques publicaram um post em sua página no Facebook comentando sobre a adaptação e enaltecendo o trabalho da mestra. “Viva a cultura popular! Viva os folguedos de Alagoas! Viva o Baiana!”, escreveram na postagem.

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Conheça outros grupos de baianas

Porém, outro grupo também fez uma canção semelhante à de Maria do Carmo: as Baianas de Ipioca, que seguem a tradição folclórica de cantar abrições de sede e marchas em seu EP Baianas 1977, gravado para o Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro.

O projeto utiliza o bombo, instrumento de percussão para sons graves, e o ganzá, tubo oco que produz sons com sementes, como acompanhamento para as vozes estridentes das baianas. 

Durante as seis faixas, sentimos o caminhar de uma apresentação do grupo na qual podemos sentir a felicidade no canto daquelas mulheres mesmo que estejamos apenas ouvindo. Em destaque, Mestra Terezinha, que se assemelha à canção de Maria do Carmo, mas que também resgata a sensação de ouvirmos a versão famosa nas redes.

Para além de Santa Luzia e Ipioca, existem outras baianas por toda Alagoas que agregam a cultura popular alagoana e a música do estado.

Conheça os sons logo abaixo!

1. Baianas de Coqueiro Seco – Baianas Voltam a Sorrir (2008)

2. Baianas de Ipioca (1977)

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Lu Melo

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