Caminhão na Coreia e vigília em Copa: como o ‘Come To Brazil’ mudou o pop internacional
O “Come to Brazil” deixou de ser apenas um meme da internet há muito tempo. Entre mutirões nas redes sociais, projetos de fandom e campanhas online, fãs brasileiros passaram a ocupar um papel ativo na mobilização pela vinda de artistas internacionais ao país. Seja no pop, no K-pop ou até em comunidades de séries, livros, o engajamento brasileiro ganhou fama mundial e pode influenciar até mesmo a percepção de produtoras e artistas sobre o Brasil.
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(Foto: Instagram @orbdmaniaco)
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Que os fãs brasileiros usam as redes sociais para engajar seus artistas favoritos não é novidade. O país se tornou protagonista quando o assunto é demonstrar apoio de forma intensa, criativa e barulhenta. Em qualquer lugar do mundo onde exista um artista internacional, provavelmente haverá um brasileiro comentando, organizando campanhas ou pedindo uma visita ao país.
De divas pop ao K-pop, passando por artistas latinos e fenômenos da cultura pop mundial, os fandoms brasileiros se destacam por transformar apoio em movimento coletivo. Além das tradicionais hashtags e mutirões, fãs também organizam projetos presenciais, campanhas beneficentes, ações em eventos e até mobilizações internacionais.
Muito além de um meme
(Foto: Instagram @christianchavezreal)
Para Ronalt Condack, editor de vídeos, influenciador e produtor conhecido pelo perfil @orbdmaniaco, o comportamento dos fãs brasileiros faz parte da própria cultura do país.
“Nós, brasileiros, sempre fomos muito calorosos com os nossos ídolos, seja com artistas internacionais ou com os talentos que surgem aqui no Brasil. Somos um povo que, quando ama, ama de verdade, se entrega e faz de tudo para demonstrar esse carinho”, explica.
Segundo ele, a força dessas mobilizações também vem da organização construída ao longo dos anos dentro dos próprios fandoms.
“Quando existe organização, engajamento e sentimento genuíno de fã, a internet se torna uma ferramenta muito poderosa.”
Ronalt relembra ainda que alguns movimentos organizados por fãs acabaram ultrapassando as redes sociais e gerando impactos concretos. Um dos exemplos citados por ele é o movimento #FreeRBD, criado para chamar atenção sobre a situação dos direitos do grupo mexicano.
“A pressão e o engajamento cresceram tanto que finalmente olharam para aquilo com atenção, e foi assim que conseguimos ter os álbuns do grupo disponibilizados oficialmente nas plataformas digitais.”
Ronalt acredita que o caso do RBD é um dos maiores exemplos de como a mobilização dos fãs brasileiros pode gerar resultados concretos. Para ele, o engajamento constante do fandom ajudou a manter o grupo relevante mesmo após anos longe dos palcos, algo que acabou refletindo diretamente no reencontro e na realização da Soy Rebelde Tour em 2023.
“Tenho certeza que o impacto dos streams na volta das canções para as plataformas despertou algo entre os integrantes para se concretizar o reencontro.”
O engajamento brasileiro virou fenômeno
(Foto: Divulgação)
O comportamento dos fandoms brasileiros também chama atenção fora do país. Para Alan Mangabeira, pesquisador de fandoms e cultura pop, criador do @BritneyOnlineBrasil e autor do livro “Divas Pop: o corpo-som das cantoras na cultura midiática”, o Brasil transformou o ato de ser fã em uma experiência coletiva.
“Nós não apenas pedimos shows. Nós fazemos vigília para divas pop”, afirma.
Alan cita como exemplo uma mobilização recente envolvendo fãs de Britney Spears em Copacabana, no Rio de Janeiro.
“Nós expressamos no corpo nosso afeto, e em meio virtual, através de engajamento.”
(Foto: Instagram @britneyonlinebrasil | @_arena_artes_)
Segundo ele, essa intensidade ajuda a transformar o Brasil em um dos públicos mais comentados do pop internacional.
“Nós adoramos adorar e mostrar isso nos destaca de outros fandoms.”
O “Come to Brazil” também chegou ao K-pop
(Foto: X @pledis_17)
No K-pop, as mobilizações também fazem parte da rotina dos fãs brasileiros. Franciele Oliveira, auxiliar administrativa e administradora da fanbase @svt.inbrazil, dedicada ao grupo SEVENTEEN, acredita que a distância geográfica faz com que os fãs intensifiquem ainda mais os pedidos por shows no país.
“É realmente raro um artista vir para cá e quando geralmente é só um show, então os fãs sentem falta dessa atenção dos seus ídolos”, explica.
Ela relembra que, juntamente com os fãs do grupo, já organizou diferentes ações para tentar chamar a atenção dos integrantes e da empresa responsável. Entre elas, mutirões no Weverse, campanhas no X e mobilizações que chegaram aos assuntos mais comentados da plataforma.
Franciele também destaca uma das ações mais marcantes organizadas pela fanbase: um caminhão de LED enviado para a frente da empresa do grupo na Coreia do Sul com mensagens de “Come to Brazil”.
“Até os coreanos que passavam na calçada paravam para gravar e tirar foto.”
(Foto: svt.inbrazil)
Apesar disso, Franciele acredita que as campanhas funcionam mais como demonstração de demanda do que como fator decisivo para uma turnê.
“Essas mobilizações são importantes para mostrar que há público e interesse, mas infelizmente não é isso que vai fazer com que eles realmente venham de fato.”
No fim, o “Come to Brazil” deixou de ser apenas um meme da internet para se consolidar como símbolo de um público ativo, organizado e presente nas estratégias de engajamento de artistas internacionais.
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Vanessa Bandeira
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