Conheça o We4Sessions, projeto que destaca a originalidade e autenticidade do artista

Foto: Reprodução/Divulgação We4Sessions

We4Sessions é um projeto que convida artistas a se desafiarem e revisitarem faixas marcantes de sua trajetória em releituras exclusivas, com novos arranjos, instrumentações e atmosferas sonoras. A proposta é explorar a autenticidade e a identidade musical de cada convidado em performances ao vivo únicas, revelando novas camadas de expressão e sensibilidade em seu repertório. 

Com um line-up que transita entre diferentes cenas e gerações, o We4Sessions já recebeu artistas como AJULLIACOSTA, que teve sua participação viralizada nas redes sociais, Teto, MC PH, Xênia França, Luccas Carlos, Negra Li, Di Ferrero, Thiago Pantaleão e Esteban Tavares, entre outros nomes relevantes da música brasileira, e em breve, internacional também.

Essa diversidade reforça a proposta do projeto de conectar estilos, trajetórias e sensibilidades, consolidando-se como um espaço potente de releitura e expressão artística.

Em nosso papo, Douglas Moda, diretor e produtor musical, Lucas Vaz, diretor e produtor musical, e Otávio Bontempo, Produtor Executivo e A&R, falam mais sobre o projeto, perspectivas futuras e sobre ter viralizado nas redes com a participação de AJULLIACOSTA

Confira a entrevista completa abaixo!

TMDQA! Entrevista Douglas Moda, Lucas Vaz e Otávio Bontempo, do We4Sessions

TMDQA!: Como vocês enxergam o We4Sessions? Ele é um espaço para mostrar a produção musical de vocês, ou para os artistas mostrarem sua versatilidade e autenticidade?

Douglas: Eu e o Lucas fazemos parte da We4Music, uma produtora, e queremos expandir esse mercado. Mas o We4Sessions nasceu como um espaço de descoberta, de brincar com a interpretação do artista, das sensações que podíamos criar, tipo um cara do metal cantando forró. Sempre foi pensado como um espaço de descoberta, de cultura e de música.

Lucas: É um espaço pra criar, que é do artista e é nosso. No começo era assim: “bora fazer?” e os amigos toparam, mesmo sem grana pra pagar banda e arranjo do jeito que a gente queria. Começamos entre a gente mesmo, deu certo, e virou também uma estética nossa, hoje muita gente nos procura pelo arranjo e por essa estética.

Douglas: No início, foram os amigos que ajudaram a fazer acontecer, Hodari, Luccas Carlos, Vitão, Day Limns, Jenni Mosello. Depois veio o “turning point”: os artistas passaram a nos procurar. O Teto, por exemplo, veio atrás da gente por DM.

Lucas: Hoje tem fila de espera. (risos)

Otávio: Mesmo quando somos nós que convidamos, o artista fica lisonjeado, foi assim com AJulliaCosta, por exemplo, que nunca tinha feito um projeto com banda e conhecia os projetos anteriores. Acho que o diferencial é o tamanho da nossa produção musical: outras sessions não fazem isso do mesmo jeito. Normalmente essas produções aparecem de artista para artista, e a gente conseguiu trazer uma marca própria pro projeto.

Douglas: Eu participo da montagem do setlist e do conceito artístico com o Lucas e o artista. Às vezes o Otávio também entra nessas conversas. A gente acaba conhecendo intimidades do artista, o que ele ouve, o que ele gosta, e isso cria uma troca muito autêntica. Temos ficado amigos de verdade dessa galera. Teve até o caso da Duquesa, que cancelou o We4Sessions porque foi chamada pro Tiny Desk mas convidou a gente pra fazer a direção musical dela lá. Fizemos também a estreia do Spotify Sessions no Brasil, com a Ana Castela saindo do sertanejo pro pop.

Lucas: Muita gente do cenário urbano não sabia que podia explorar esse formato de sessions.Várias pessoas diziam que nunca tinham cantado sem autotune ou com banda. A gente incentivou: usa a banda, usa o autotune se quiser, mas é tudo ao vivo, isso era inegociável. Porém, virou um baita desafio técnico para nós, regular autotune na hora, sincronizar arpejador com o clock MIDI, é difícil mas é nosso diferencial e a galera do urbano curtiu poder fazer do jeito dela.

Douglas: Hoje em dia eu e o Otávio ficamos no front de convidar os artistas, e às vezes eles chegam meio pressionados até entenderem que estão “em casa”. Mas virou um formato onde as pessoas respeitam se apresentar ali.

Otávio: Eles se desafiam também. Ver um artista grande topar um território novo já é um resultado muito legal pra gente.

Lucas: Na hora da gravação é metade direção musical, metade psicólogo, tem que gerenciar o emocional da galera. (risos) 

TMDQA!: Como vocês acham que o We4Sessions pode impactar a carreira de cada artista?

Douglas: Hoje os grandes artistas já vêm até a gente, mas temos o desejo de revelar um artista novo através do We4Sessions. Alguém que a cena inteira descubra tendo o projeto como fonte primária. Nosso olhar também para novos nomes, mesmo sem grande relevância em número ainda, esse tipo de impacto que estamos olhando além de desafiar os grandes artistas a fazer algo diferente. 

Otávio: Isso tem muito a ver com curadoria. A gente escolhe os artistas e não está preso só aos números, temos cases como a Fabiana Cozza, com linguagem e alcance bem diferentes dos grandes nomes. Essa diversidade e a possibilidade de lançar artistas é algo que valorizamos muito.

TMDQA!: Vocês pensam só no mercado brasileiro ou também em expandir internacionalmente?

Douglas: Já tivemos uma experiência internacional com o Capitão Fausto, banda portuguesa. Tem mais coisa vindo, mas o foco principal continua sendo aqui. Se acontecer internacionalmente, ótimo, mas não é algo que estamos caçando ativamente. Tem acontecido de forma orgânica, inclusive por conexões pessoais, como uma amiga nossa, a Sofia Reyes.

Otávio: Esse ano sai mais um projeto internacional. Já gravamos duas artistas de fora, uma delas é a Valerie Ekoume, franco-camaronesa. Além do We4Sessions, cada um de nós tem outras frentes: o Lucas é diretor musical de vários projetos, o Douglas também produz para nomes como o Matuê, e eu cuido da produção executiva, da curadoria, e A&R. Como circulamos muito nesses meios, todos são do meio artístico, artistas internacionais às vezes chegam até a gente por indicação.

Douglas: É importante citar também o Marvin Campos, nosso diretor de vídeo responsável pelo visual do projeto e que captou a essência do que queremos passar, e o Gabriel Guper, engenheiro de som e dono do estúdio lindo onde gravamos. O time completo somos nós cinco, sem eles não conseguiríamos entregar o que a gente entrega.  

TMDQA!: Como vocês desenvolvem os arranjos para artistas com background tão diferentes, como Jenni Mosello, Di Ferrero, AJulliaCosta?

Lucas: O principal é conversar bastante com o artista antes de tudo,  às vezes isso demora mais do que o próprio arranjo (risos). Com AJulliaCosta, por exemplo, fizemos um arranjo mais MPB antes de alinhar direito com ela, e ela pediu menos MPB depois de ouvir. Aprendemos que é melhor alinhar tudo antes, porque cada arranjo consome cerca de 12 dias. São 3 de arranjo, 3 de ensaio, 2 de gravação e o restante de edição. Se você erra o direcionamento no começo, a cadeia inteira desanda. 

Douglas: A gente praticamente entrega um EP pro artista antes de ele pisar no estúdio, com bateria simulada e tudo, pra ele ouvir e entender o processo inteiro antes do primeiro ensaio.

Lucas: Com o Junior Lord, por exemplo, decidimos misturar o funk dele com pagodão baiano, mas como eu não vivo esse universo, chamamos um produtor especialista em pagodão pra construir junto. Colaborar com gente de outros universos tem sido cada vez mais importante pro projeto.

Douglas: A gente falava que ia ser divertido antes de começar, e não fazíamos ideia  da responsabilidade gigante que viraria. Às vezes nem dormimos direito, mas estamos felizes com todos os resultados.(risos)

TMDQA!: Como o We4Sessions se diferencia de outros formatos no mercado brasileiro, como o Tiny Desk e o Spotify Sessions? E como funciona essa junção com a cultura digital?

Lucas: A gente decidiu não ser “mais uma session”. Vai ter autotune, delay na voz, teclado sincronizado, tudo isso, com qualidade de gravação de estúdio. É uma proposta de entrega de som diferente.

Douglas: A curadoria junto com a proximidade real com o artista faz diferença, a gente acompanha os ensaios, o Lucas às vezes toca na própria banda. Isso deixa tudo mais genuíno, e o nosso diferencial acaba sendo puramente musical, já que somos a produtora com menos investimento comparado a outros formatos.

Lucas: A parte de vídeo também é outro nível, o Marvin criou a identidade visual do mesmo jeito que a gente criou a identidade sonora.

Douglas: Cada um vive sua parte de coração, e isso dá um formato muito único ao projeto.

Lucas: Nossa curadoria também ajudou a mostrar que o trap e o urbano podem ser tocados ao vivo, isso chamou atenção de grandes produtoras. 

Otávio: Esse projeto praticamente funciona como uma session que entrega um “EP express”.  A gente produz um disco inteiro antes mesmo da gravação acontecer. Diferente de formatos onde o artista já chega pronto, aqui trabalhamos do início ao fim: arranjo, ensaio, e até figurino.

Douglas: A gente pergunta pro artista, na véspera, que roupa vai usar, que cor a banda deve vestir, às vezes o Lucas sai de casa com cinco kits de roupa só pra garantir que todos estarão na mesma vibe. (risos) É correria do início ao fim.

Otávio: E quando chega no streaming, a galera só vê o resultado final,  mas por trás tem muita coisa e os processos que falamos são diferenciais. 

TMDQA!: Sobre a estratégia de distribuição, vocês lançam primeiro no YouTube e depois nas plataformas de streaming. Qual o objetivo disso? Atingir novos públicos através dos streamings além do Youtube? 

Otávio: Seguimos um cronograma fixo: o vídeo sai numa terça, roda uma semana no YouTube, e na quinta seguinte vai para todas as plataformas de áudio. 

Douglas: A parte burocrática de liberação para streaming costuma ser mais demorada, então lançamos primeiro no YouTube enquanto resolvemos as autorizações, inclusive já tivemos casos complicados, como conseguir liberação de covers de artistas como Djavan, Gilberto Gil e Jorge Ben. Acho que essa é a parte mais complicada de soltar os episódios nos streamings. 

Otávio: A ideia inicial não era uma estratégia elaborada, queríamos testar como o público reagia. Diferente do mercado tradicional, que lança primeiro a música e depois o clipe, fizemos o caminho inverso, valorizando primeiro a imagem, já que temos uma parte audiovisual forte, e depois “presenteando” os fãs com o áudio.

TMDQA!: Vocês fizeram o We4Sessions Live no Central 1926 no ano passado. Tem novidade pra esse ano?

Douglas: Boa pergunta. Não sei se podemos falar já… (Risos) Mas, vai ter, sim! Provavelmente, em dezembro de novo, com uma parceria que ainda está em negociação. Ainda não temos data nem local fechados, mas o formato deve seguir semelhante: tudo filmado e gravado, trabalhando a live em paralelo ao projeto.

TMDQA!: Falando do episódio mais recente, com AJulliaCosta, que viralizou: qual foi o maior desafio de traduzir a energia do trap para uma instrumentação ao vivo? E a banda formada só por mulheres foi ideia dela ou de vocês?

Lucas: O que mais ajudou foi a conversa com a Jullia. Ela foi bem clara: não queria R&B, queria hip hop urbano com banda, muito violão, e banda só de mulheres, foi um pedido dela.

Douglas: Esse foi um dos poucos episódios em que participei diretamente do processo de criação com o Lucas. A gente zera a música, solta só a voz e vai reconstruindo o arranjo tocando junto com outros músicos. Mas quem trouxe a Jullia para o projeto foi o Otávio.

Otávio: Ela é um fenômeno. E o que mais fez diferença, no fim, foi mesmo a conversa depois que a gente entende o que o artista quer, o resto flui. Pra gente é muito importante ver uma mulher agora no nosso top. 

Lucas: Por melhor que seja o arranjo, se a banda não entrega, fica difícil. E as meninas entregaram muito, foram incríveis.

AJULLIACOSTA Foto: Reprodução/Divulgação

Douglas: As seis faixas dela chegaram ao topo do Spotify e já estão quase batendo 300 mil execuções, um resultado que nos deixou muito felizes.

TMDQA!: O retorno correspondeu ao que vocês esperavam? Teve alguma reação que surpreendeu?

Douglas: A gente nunca tinha vivido algo assim antes, mesmo o episódio do Teto, que já tinha viralizado, foi diferente. Eu estava nos Estados Unidos e via o We4Sessions e a JulliaCosta aparecerem no meu Feed repetidamente, achando até que fosse bug do algoritmo. (risos)

Lucas: Comigo foi parecido, até minha mãe comentou que só via o projeto aparecendo no Instagram dela.

Otávio: “Furou a bolha” resume bem. Muita gente que não conhecia o projeto passou a seguir. E ver artistas grandes, como a Tati Quebra Barraco, comentando e curtindo, foi incrível!  Isso tem a ver com o tamanho da Jullia, mas também com o nosso trabalho musical e o tamanho da banda que montamos.

Douglas: É um trabalho feito com muito carinho. A gente vai continuar ouvindo esse episódio por muito tempo ainda, porque além de fazer pro público, fazemos para nós mesmos algo que a gente gosta de ouvir. 

TMDQA!: Qual foi o maior aprendizado desse episódio e como pretendem aplicar isso nas próximas edições?

Otávio: Acho que vamos continuar fazendo o que já fazemos. Não existe muito uma fórmula fixa. É sobre a relação com o artista e manter uma boa energia no estúdio.

Douglas: Mais do que aprendizado, foi uma confirmação de que estamos no caminho certo. Não tem fórmula secreta: é trabalho, com calma, sem afobação.

Lucas: Uma novidade real desse episódio foi reforçar, no dia da gravação, que a Jullia podia se sentir totalmente à vontade como se estivesse em casa. Isso fez diferença perceptível no resultado e é algo que pretendemos levar para os próximos episódios.

TMDQA!: Autenticidade e originalidade são a essência de tudo, né? Quem é verdadeiro se conecta mais facilmente com o público, e a música já é, por si só, uma forma de conexão. Muito obrigada pela entrevista, meninos!

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Nina Shimazumi

Conheça o We4Sessions, projeto que destaca a originalidade e autenticidade do artista


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