Em turnê acústica pelo país, Carol Biazin fala sobre reconhecimento e a escolha de construir a carreira no próprio tempo

Carol Biazin
Divulgação

Carol Biazin volta com a turnê acústica “nem tão pouco assim” com 13 novas datas pelo Brasil.

Após esgotar sessões em teatros na primeira temporada, com ingressos vendidos em 20 minutos em São Paulo, a paranaense está de volta à estrada em um momento de reconhecimento nacional após a indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Português pelo disco No Escuro, Quem É Você?, álbum dividido em duas partes.

No palco, a cantora revisita o repertório em versões acústicas, destaca seu lado multi-instrumentista e cria uma atmosfera mais íntima. A turnê já passou por Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e Juiz de Fora.

A rota da artista agora segue para Salvador (BA – esgotada), Manaus (AM), Belém (PA), Uberaba (MG), Rio de Janeiro, Curitiba (PR), Londrina (PR), São Luis (MA – esgotada), Teresina (esgotada), Campinas (esgotada), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Blumenau (SC), Goiânia (GO), Vitória (ES), Ribeirão Preto (SP), Joinville (SC), Pelotas (RS) e Novo Hamburgo (RS).

Em entrevista concedida por texto, Carol falou sobre ‘No Escuro‘ já mencionado peloTMDQA! aqui, a fase marcante da carreira com shows esgotados em várias cidades do país, a pressão enfrentada por mulheres na música e a honestidade como eixo central de seu trabalho.

[continua após o vídeo]

TMDQA! conversa com Carol Biazin

TMDQA!: Você saiu de uma cidade pequena do interior do Paraná e hoje está vivendo um momento de reconhecimento nacional, com indicação ao Latin Grammy e turnês cada vez maiores. Em algum momento da sua trajetória você teve a sensação de estar vivendo algo que a Carol adolescente, lá em Umuarama, talvez nem conseguisse imaginar? E quando você olha para esse momento agora, qual sensação vem primeiro: a de conquista por tudo que construiu desde REVERSA ou a de responsabilidade de corresponder a esse público que parece cada vez mais conectado com o que você faz?

Carol Biazin: Eu acho que existem vários momentos em que eu paro e penso “caramba, isso aqui é muito maior do que eu imaginava”. O Carnegie Hall foi um desses momentos muito simbólicos, mas a resposta da turnê agora também tem sido assim. Ver datas esgotando, o site caindo, sentir as pessoas querendo estar ali… tudo isso dá uma dimensão que às vezes a internet não mostra.

Quando eu olho pra esse momento, sinto uma sensação de conquista e de responsabilidade de entrega para esse público que fez tudo isso comigo. Porque foi tudo construído com muita calma, com muito cuidado. Desde REVERSA, cada passo foi muito pensado, muito vivido.

E essa resposta do público e dos lugares que to chegando eu vejo mais como um sinal de que o caminho que estou seguindo faz sentido.

TMDQA!: No Escuro, Quem É Você? é um disco muito marcado por reflexões sobre identidade, insegurança e autoconhecimento. Depois de todo esse processo intenso de criação e com a indicação do álbum ao Latin Grammy, você sente que encontrou respostas para essa pergunta do título ou ela continua aberta, mesmo respondendo [na letra da música] que você é do mundo?

Carol Biazin: ‘No Escuro, Quem É Você’ foi um disco em que eu consegui acessar muitas coisas que estavam muito latentes em mim. Trouxe temas muito geracionais, de identidade, insegurança, autoconhecimento… coisas que eu sentia que precisava colocar pra fora.

Mas eu não sinto que encontrei uma resposta fechada pra essa pergunta do título. Acho que ela continua aberta, porque eu também continuo mudando e me questionando o tempo inteiro.

O que mudou é que hoje eu me sinto mais confortável com isso. Antes talvez existisse uma necessidade maior de ter respostas, de entender tudo. Hoje eu entendo que faz parte do processo não ter tudo resolvido e isso também é muito bonito.

TMDQA!: Seu trabalho tem uma base pop muito clara, mas ao mesmo tempo traz influências de gêneros como UK Garage, House, New Jazz e R&B. Como você enxerga esse equilíbrio entre fazer música pop acessível e, ao mesmo tempo, experimentar sonoridades que nem sempre são tão comuns no pop brasileiro? Você se considera uma cantora de R&B?

Carol Biazin: Eu sempre gostei muito de experimentar, e isso acabou virando uma característica minha, de não ficar presa a um lugar só. O pop sempre foi essa base, porque é o que me conecta mais diretamente com as pessoas, é um lugar onde eu consigo me comunicar de forma muito clara. Mas ao mesmo tempo eu gosto de trazer outras referências, porque isso também faz parte do que eu escuto e de quem eu sou musicalmente.

Não sei se eu me colocaria exatamente como uma cantora de R&B, mas com certeza é uma influência muito forte no meu trabalho, assim como UK Garage, House, New Jazz… Eu gosto dessa mistura, porque ela mantém a música viva e me mantém criativamente estimulada. Gosto de brincar com os instrumentos, colocar uma coisa em cima da outra e ver no que dá.

TMDQA!: Você já falou algumas vezes sobre como é exaustivo para mulheres na música terem que provar constantemente o próprio valor. Em que momento da sua trajetória você percebeu que a melhor resposta para isso seria continuar construindo a sua narrativa artística, em vez de tentar se encaixar nas expectativas do mercado?

Carol Biazin: Eu acho que isso foi acontecendo muito ao longo da minha trajetória. No começo, você ainda tenta entender muito o que esperam de você, como o mercado funciona, qual é o seu lugar dentro disso tudo.

Mas, com o tempo, eu fui percebendo que o que realmente fazia diferença era quando eu estava sendo fiel ao que eu queria dizer. Foi quando eu parei de tentar me encaixar e comecei a construir as coisas do meu jeito e ai claro que as conexões se estabelecem de outra forma.

Então hoje eu sinto que a melhor resposta pra essas pressões sempre foi continuar construindo a minha narrativa com o meu tempo, respeitando o meu processo.

TMDQA!: Muitos artistas falam que o sucesso às vezes cria uma espécie de personagem público, mas você não parece esconder muito seus sentimentos nas letras. No seu caso, como você mantém a conexão com quem você realmente é enquanto artista e compositora, principalmente depois de um disco tão introspectivo quanto ‘No Escuro, Quem É Você?’

Carol Biazin: Eu acho que essa conexão vem muito do fato de eu não tentar separar tanto as coisas. As minhas músicas sempre foram um lugar muito honesto pra mim, um espaço onde eu consigo falar sobre o que eu estou vivendo e sentindo.

REVERSA tinha ainda a coisa do alterego e o visual mais voltado para o pop, mas ainda sim cantava coisas minhas. Mas em No Escuro, eu comecei a destravar ainda mais coisas e escancarar mais na composição o que queria dizer, a acessar lugares mais profundos em mim. E isso acaba refletindo na forma como as pessoas se conectam com o meu trabalho, porque não é só sobre a música, é sobre se reconhecer ali.

Então eu tento manter isso, essa honestidade, sem criar uma personagem muito distante de quem eu sou. Porque, no fim, é isso que sustenta essa relação com o público para mim.

As informações de datas de shows, local e ingressos disponíveis podem ser acessadas no site oficial: https://carolbiazin.com/

OUÇA AGORA MESMO A PLAYLIST TMDQA! LANÇAMENTOS

Quer ficar por dentro dos principais lançamentos nacionais e internacionais? Siga a Playlist TMDQA! Lançamentos e descubra o que há de melhor do mainstream ao underground; aproveite e siga o TMDQA! no Spotify!

O post Em turnê acústica pelo país, Carol Biazin fala sobre reconhecimento e a escolha de construir a carreira no próprio tempo apareceu primeiro em TMDQA!.

Liz Sacramento

Em turnê acústica pelo país, Carol Biazin fala sobre reconhecimento e a escolha de construir a carreira no próprio tempo


Translate »