Entre o céu e o chão: Mourning Sky estreia e mira a saúde mental masculina

Nem todo cara de banda está disposto a parecer vulnerável. Na Mourning Sky, isso não só acontece como vira um eixo de criação. O EP de estreia Life.Death.Love chega às plataformas justamente a partir de um recorte da saúde mental masculina costurado por prog metal pelo quarteto de São Paulo que assim faz sua estreia.
Talvez a cena da qual a Mourning Sky faz parte, dentro do grande guarda-chuva do heavy metal, permita certa naturalidade na trilha desse caminho. Ainda assim, o que está em jogo aqui não é apenas música, mas um recorte de gênero em tensão.
Em tempos em que o masculino parece urgir por formas de cura e reconfiguração, o disco desloca o debate para dentro: ansiedade, depressão e colapso deixam de ser abstrações e passam a organizar a experiência de quem toca, canta e compõe — no caso, o vocalista e guitarrista Rafael Tomatti, que transforma em música aquilo que viveu na alma e na carne, atravessado por depressão e ansiedade.
Life.Death.Love é confissão, desabafo e também um campo de observação maior. Nesse movimento, o disco aponta uma saída possível para quem sofre: o cuidado coletivo como forma de enfrentamento que transforma a dor em vínculo. Enfim, a empatia.
As quatro faixas — “Into Your Shoes”, “Blindness“, “The Hardest Part” e “Illusionist” — funcionam como variações do estado de um indivíduo . Há espirais, pensamentos que retornam, ruídos internos que insistem, momentos de clareza que não duram o suficiente para se estabilizar e assim por diante.
Musicalmente, a Mourning Sky se insere numa linhagem que tensiona peso e atmosfera, com referências que passam por Deftones, Tesseract, Karnivool e Tool, bandas que, cada uma à sua maneira, expandiram os limites do metal ao incorporar ambiência, dinâmica emocional e construção progressiva de tensão. Nesse campo, o som da Mourning Sky busca estruturas que se dobram mais pelo clima do que pela exibição técnica.
Os instrumentais de Life.Death.Love foram gravados no Estúdios Everest (SP), com engenharia de Thiago Baggio — vencedor de três Grammy Latino e dois Prêmios Profissionais da Música — e produção de Guilherme Real. As vozes foram registradas no Audio Fusion Bureau Studio, com mixagem e masterização de Rafael Zeferino.
A formação da Mourning Sky reúne Rafael Tomatti (voz e guitarra), Brunno Marques (bateria), Nayam Hanashiro (guitarra) e Danilo Viana (baixo).
A equação vida, morte e amor

A arte de Life.Death.Love chama atenção antes mesmo da música começar. A capa, assinada pelo fotógrafo Paulo Koba, tem um efeito que não se entrega de imediato. É daquelas imagens que parecem simples à primeira vista, mas que vão se revelando aos poucos, como aqueles livros dos anos 2000 com ilusão de profundidade, em que a imagem “salta” depois de algum tempo de olhar.
A composição traz um espelho que reflete um céu profundamente azul repousado em um chão árido. Em várias tradições e na simbologia mítica, o espelho aparece como fronteira entre mundos: o visível e o invisível, o consciente e o inconsciente, o terreno e o espiritual. Nesse jogo de reflexos, a própria ideia de saída se reforça.
Como tudo neste EP, não há respostas prontas para esse lugar psicológico onde falar ainda parece risco e calar continua sendo norma. A fratura está exposta com nitidez e a saída de emergência está a quatro faixas de distância com prog metal moderno e atmosférico.
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Isis Correia
Entre o céu e o chão: Mourning Sky estreia e mira a saúde mental masculina




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