Festival Contra.Cena, em São Paulo, terá shows de Morro Fuji, Sislop, Celacanto e mais em experiência sem celulares

É difícil imaginar que alguém tenha ido a um show nos últimos anos sem se deparar com um mar de celulares apontados para o palco, registrando praticamente todos os momentos da apresentação.
Indo contra esse comportamento, um festival de música independente que será realizado em 16 outubro em São Paulo está propondo que o público deixe os celulares de lado e viva a experiência ao vivo longe das telas.
Os participantes do Festival Contra.Cena, que acontece na Casa Rockambole, vão ter as câmeras dos seus aparelhos cobertas com um adesivo na entrada do evento, impedindo que registros em foto e vídeo sejam feitos durante as apresentações.
Idealizado pela produtora Ray Sanchez, o evento nasceu a partir de uma reflexão sobre a presença cada vez maior dos smartphones nas apresentações ao vivo.
A inspiração surgiu de uma gravação de videoclipe da banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, realizada sem que o público pudesse fazer registros com os celulares. Para Sanchez, isso resultou em uma experiência mais espontânea.
No Contra.Cena, a organização pretende utilizar câmeras analógicas retornáveis para documentar a primeira edição do festival. Entre as atrações que já foram confirmadas estão Sislop, Celacanto e Morro Fuji, bandas de destaque da cena independente nacional.
A experiência também deve se estender aos produtos do festival, com a ideia de disponibilizar um tocador de MP3 com gravações acústicas das bandas participantes.
Curtiu a ideia por aí? Aproveite para conhecer as bandas já confirmadas em vídeos ao final da matéria e garanta seu ingresso clicando aqui!
Experiência sem celulares tem se popularizado no exterior
Apesar da regra ser pouco comum no Brasil, esta iniciativa acompanha um movimento que tem acontecido com cada vez mais frequência fora do país. Artistas como Bob Dylan, Phoebe Bridgers, Iron Maiden, Ghost, Jack White e muitos outros vêm adotando medidas para impedir o uso de celulares durante seus shows, geralmente em parcerias com a Yondr, empresa que oferece bolsas lacradas para criar ambientes sem telefones celulares.
Um dos casos mais recentes foi o de Bridgers. A artista determinou que, durante a The Lost Tour, celulares, smartwatches e acessórios relacionados sejam guardados em bolsas lacradas durante toda a apresentação. O Iron Maiden também recorreu às populares bolsas da Yondr em um show recente em Paris, que foi filmado para um futuro registro da turnê Run For Your Lives.
A influente banda de Metal, inclusive, já havia pedido aos fãs que evitassem gravar seus shows inteiros com seus aparelhos. O empresário do grupo, Rod Smallwood, explicou que o Maiden gostaria que o público estivesse “no momento” e se envolvesse de forma mais ativa com as músicas.
O Ghost seguiu caminho semelhante, já que a decisão de realizar shows sem celulares partiu do vocalista Tobias Forge com o intuito de gerar uma conexão mais direta entre a banda e o público. A proposta de Forge foi influenciada pela experiência das gravações do filme Rite Here Rite Now, registradas em duas noites sem celulares em Los Angeles.
Até mesmo a própria Yondr, que já fez parcerias também com artistas como Misfits e Jack White, transformou a proposta em um conceito de festival. O Over Yondr Festival, realizado em junho de 2022, apostava em uma experiência praticamente 100% offline, reunindo artistas da música independente e alternativa em um evento pensado para que o público se desconecte dos aparelhos.
Acha que a moda vai pegar por aqui também?
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Lara Teixeira




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