Lagum celebra dez anos do seu disco de estreia e revela bastidores da nova turnê: “a gente quer levar nossa música a todo lugar”

Com 12 anos de carreira e celebrando uma década do seu disco de estreia Seja o Que Eu Quiser, a Lagum tem um propósito muito claro para o futuro. Como resume o guitarrista Jorge, o objetivo da banda agora é “continuar espalhando a palavra e chegar aos lugares onde a gente ainda não chegou”.
Em 2016, quando o grupo mineiro dava seus primeiros passos, uma das músicas do álbum acima apresentava um verso que refletia uma certa ansidade de quem sonhava em viver de música: “Faço planos para agosto de 2026”.
Dez anos depois, o período citado chegou e mesmo sem ter, inicialmente, planos concretos para este mês, os músicos sentiram a necessidade de responder os questionamentos dos fãs e apresentaram “um planejamento”, como explicou em conversa com o TMDQA! o vocalista Pedro Calais:
É um mês em que vão acontecer muitas coisas. Vai ter lançamento de música, vai ter lançamento de live session, vai ter lançamento de turnê, vai ter lançamento na lojinha. Então, é um mês muito movimentado. Não só esse mês, como os próximos também, até essa turnê começar, né?”
Celebrando este momento da carreira, a banda anunciou a turnê Lagum em Todo Lugar, produzida pela Live Nation, que passará por dez cidades brasileiras entre o fim de 2026 e o início de 2027. O show promete revisitar diferentes fases da carreira, resgatar músicas do primeiro álbum, apresentar novos arranjos e ainda deve ser inspirado pela série de live sessions do grupo gravadas em cenários emblemáticos do Brasil.
A primeira foi no Bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, e as próximas serão divulgadas em breve nas plataformas de música. Sobre a preparação do show da nova turnê, o guitarrista Zani declarou:
A gente tem uma historinha que a gente conta sobre ‘A Ilha’, que é o nosso ícone, que a gente vive na ilha, vem para a terra, busca as coisas, leva para a ilha, planta, colhe e traz para cá de novo, sabe? Eu acho que é mais ou menos por aí esse ‘Lagum em Todo Lugar’. Esse ‘todo lugar’, tanto de recolher e levar para casa quanto de trazer o que a gente plantou em casa e entregar para a galera. Acho que, para mim, é muito a vibe dessa turnê. E, com certeza, vai ter essa pegada das live sessions. Vamos trazer muito do primeiro álbum, com certeza, mas a gente está cozinhando esse show ainda.”
Entre as cidades já confirmadas na agenda da turnê estão Belo Horizonte (17/10) Rio de Janeiro (7/11), Brasília (28/11), Ribeirão Preto (5/12), Porto Alegre (11/12), Florianópolis (12/12) e Curitiba (13/12). As outras datas vão ser anunciadas em breve, incluindo o Nordeste.
A pré-venda de ingressos acontece no dia 5 de agosto, das 11h às 12h, enquanto a venda geral começa ao meio-dia pelo site da Ticketmaster e às 13h nas bilheterias oficiais, sem taxa de serviço, com parcelamento em até 3x sem juros.
A seguir, leia a entrevista com a Lagum na íntegra e descubra mais detalhes sobre o que motivou a gravação das live sessions, como tem sido a relação da banda ao longo desses anos e quais foram algumas das principais conquistas do grupo.
TMDQA! Entrevista Lagum
TMDQA! Ontem eu fui ouvir “Seja o Que Eu Quiser” para me inspirar para a entrevista e surgiu uma sensação de nostalgia. Vocês chegaram a ouvir esse disco recentemente? Qual é a sensação de revisitar essas músicas 10 anos depois?
Pedro: Nos primeiros quatro anos de lançamento, eu não gostava de ouvir. Eu tinha um asco de ouvir. E, quando vai passando o tempo, eu começo a aceitar melhor, porque parece que, quando você termina de lançar, você fica assim “Ah, eu podia ter feito assim, eu podia ter feito assado”. É um processo meio sofrido, eu nunca gosto. Mas aí, com o tempo passando, eu acho que você já olha para isso com uma certa saudade do momento, com um certo amor pela sua ingenuidade daquele momento. Você vê graça nisso. Mas tem sido prazeroso quando alguém dá um play, quando alguém me mostra, quando alguém comenta. Mas demorou um tempo para eu aceitar esse álbum.
Jorge: Eu acho engraçado porque, por ser o primeiro álbum de uma banda, geralmente você vê infinitas possibilidades, infinitos caminhos. Então, por exemplo, a gente estava ensaiando esses dias para um show surpresa que a gente vai fazer em Belo Horizonte, que a gente vai tocar algumas músicas desse álbum, e uma música que a gente estava tocando, por exemplo, era “Pra Lá de Bagdá”, que é um rock, e ela tem várias paradas, várias convenções. Então, na minha cabeça, quando a gente estava tocando nesse estúdio, essa semana, eu pensei “Nossa, da mesma forma que o primeiro álbum de uma banda apresenta inúmeras possibilidades e caminhos, o que a gente se torna dez anos depois desse álbum é muito louco, porque a gente podia ter tomado um caminho X, um caminho Y”. Só que é engraçado que a gente vê uma confluência de tudo, vê uma mistura, algumas rotas planejadas ou não. Então, é muito engraçado ver o caminho que é, a possibilidade de portas que podem se abrir a partir de um primeiro álbum e o que realmente aconteceu na prática depois de dez anos.
Zani: Só para complementar com o que todo mundo falou, eu me sinto um pouco igual o Pedro. Eu acho que as memórias vão mudando de significado durante o tempo, sabe? E eu acho que estou entrando em ‘Coisas da Geração’ agora. Estou conseguindo ouvir o segundo álbum já, sabe? Então, eu acho que o primeiro me traz muitas boas lembranças e esse lance de produção também é uma coisa que é muito louco ver como a gente fazia as coisa. Só fazia, tipo, ‘vai ser assim’, igual em “Pra Lá de Bagdá”. Isso é legal de ouvir hoje.
Chicão: Isso é uma parada que me marcou assim também. Porque primeiro álbum de banda, normalmente, você não tem compromisso com nada, né? Você é totalmente livre para fazer o que você quiser, do jeito que você quiser, cada um com o seu instrumento ali. E é uma fase legal. Igual em outras bandas, até estava trocando ideia com alguém recentemente sobre isso, sempre o primeiro álbum de uma banda é muito verdadeiro, né? É uma coisa que mostra a origem, não tem influência externa praticamente nenhuma. Então, é legal revisitar esse primeiro álbum e a galera poder ir lá curtir e lembrar dessa parada, agora com “2026” sendo trazida novamente essa música.
TMDQA!: Com certeza. Vamos inclusive falar sobre ela. Eu sei que muita gente se pergunta sobre os planos que vocês fizeram para Agosto deste ano, como vocês citam na faixa “2026”, mas vocês explicaram que a letra, na verdade, reflete sobre uma ansiedade em relação ao futuro. Hoje, vocês se sentem mais tranquilos em relação ao que está por vir ou a carreira só fez com que os planos e as expectativas ficassem ainda maiores?
Pedro: Para mim, que sou o ansioso da banda e quem escreveu essa frase, eu acho que a ansiedade só mudou de tamanho. Tipo, se antes era ansiedade para conseguir um show, agora é uma ansiedade para conseguir esgotar um show para 15 mil pessoas. Agora a ansiedade é para bater tantos milhões de plays. Então ela vai aumentando, parece que ela nunca para. Eu me sinto mais tranquilo em algumas áreas do trabalho, eu me sinto mais tranquilo no palco, eu me sinto mais tranquilo sendo quem eu sou. Acho que isso vem com a maturidade também, não só na carreira. Mas essa ansiedade, né… A gente conversa muito no estúdio, tipo: “Pô, hoje eu dormi mal, hoje eu acordei três da manhã”. Todo mundo passa por isso em algum momento da vida aqui entre nós. E eu acho que esse é o preço que se paga por amar tanto o que faz e levar isso tão a sério.
TMDQA!: E se vocês pudessem voltar para 2016 e contar aos integrantes que estavam lançando “Seja o Que Eu Quiser” tudo o que aconteceria nos 10 anos seguintes, o que vocês acham que eles teriam mais dificuldade de acreditar?
Jorge: Eu acho que é realmente a realização desses planos, né? Porque, quando a gente estava há dez anos… da mesma forma que o álbum, musicalmente, é uma porta aberta de possibilidades e gêneros, eu acho que os sonhos também são ingênuos. Então, assim, você imagina tudo. Você se imagina tocando nos maiores festivais, viajando todo final de semana. Pessoalmente, eu lembro que eu tinha uma pira do tipo: “Nossa, imagina quando a gente estiver pegando avião para ir fazer show. Vai ser assim, vai ser muito chique.” Então, eu acho que esses planos, essa ingenuidade, eles se concretizam e vão continuar se concretizando. Então, eu falaria só para curtir o processo, para aproveitar, porque, independentemente do que acontecer, as coisas vão acontecer. E, se forem para ser ou não forem para ser, vai ser da maneira que é para ser mesmo no universo, sabe? Então, eu falaria para curtir o processo.
Pedro: Para mim, tem uma coisa que eu estou sem acreditar até agora. Nessa época em que a gente lançou esse disco, eu fui apresentado a uma banda australiana que se chama Sticky Fingers. E é a minha banda preferida. Eu passei todos esses anos ouvindo os caras, me influenciando por eles. A gente tem um clipe da Lagum em que eu estou usando uma camisa deles. Então, eu sou muito fã, de verdade. Eu e o Jorge fomos para o Chile assistir ao show. E eles estão vindo para o Brasil. E um amigo em comum me conectou com o baterista, a gente trocou uma ideia. Eu estava dizendo que eu ia ao show. Eles iam tocar em BH, não vão mais. Eu estava planejando ir para o Rio de Janeiro. E eu estava conversando com o baterista da minha banda preferida, sabe?
A gente também foi até o camarim do Jack Johnson, que é um dos meus heróis. Eu dividi palco com o pessoal do Charlie Brown Jr., o Marcão e o Thiago. Eu cantei “Hoje Eu Acordei Feliz” com eles no palco. Então, tem várias realizações desse momento. Se eu contasse para o Pedro dessa época, que estava fazendo esse disco, se inspirando por tudo isso que eu acabei de falar, que ele teria a oportunidade de viver tudo isso, ele falaria: “Cala a boca, você está viajando.” Eu não acreditaria nem fodendo. Para mim, é meio tenso realizar tudo isso que está acontecendo. Eu não consigo tratar isso com tanta naturalidade quanto vocês.
Zani: É muito difícil. Porque eu acho que muita coisa… Hoje a gente chegou em um lugar tão foda para mim, e é tão o nosso dia a dia, sabe? Trabalhar todos os dias. Quando penso nisso, eu penso em como eu receberia essa notícia em 2016. É difícil para mim, sabe? É como se eu sentisse uma coisa e aquela pessoa, obviamente, fosse sentir uma coisa completamente diferente. Eu tentei esmiuçar todos os detalhes, contar tudo exatamente como aconteceu para o Zani pequenininho. Tipo assim: “Está tudo bem, vai dar tudo certo. Até os 32 está tudo certo.” Só vai.
Chicão: Eu acho que eu falaria uma coisa, “é um prazer o que a gente faz, que é trabalhar com música”. E eu acho que a gente é muito beneficiado por isso. Então, eu falaria para mim mesmo, “Pô, segue essa parada. Continua em contato com o instrumento todo dia, curtindo isso, compondo, criando e sempre vendo coisas novas.” Eu acho que isso é a coisa mais legal, esse desafio que move, e também não saber o outro dia. É difícil essa parada, mas… Isso que o Zani falou eu gosto também, “Até lá você já chegou, está tudo certo, vai na paz.” Mas eu acho que também tem que cumprir novos desafios. Igual a gente tinha, em 2016, uma perspectiva do futuro, do que poderia ser. Eu acho que daqui até 2036 é a mesma coisa, sabe? São novas ambições, novos projetos, novas coisas, novos instrumentos, novas músicas, novos frutos. Eu acho que é isso mesmo, tentar vislumbrar, daqui para frente, o que eu falaria para mim há dez anos.
Zani: Só completando, eu fiz um exercício recentemente e acho que tem muito a ver com esse momento que a gente está vivendo. Era voltar, fazer uma meditação e contar para o meu eu molequinho, pequenininho, as coisas que eu faço hoje. E, tipo assim, para o molequinho, cara, isso seria um negócio fantástico. E, para mim, hoje, já não é tudo isso que é para esse molequinho. Eu acho que tem que ressignificar isso dentro da gente, sabe? Essa viagem no tempo, para mim, serve para isso, para saber aproveitar o que a gente tem hoje, sabe?
TMDQA!: E vamos falar sobre “faça parte dos planos”, essa frase misteriosa que vocês postaram nas últimas semanas. Quais foram as teorias mais inusitadas que vocês leram até agora? A última que eu vi foi que esse era o nome do próximo álbum. E quais são esses planos?
Pedro: Nossa, eu estou sem Twitter. Estou metade da semana com o Instagram apagado. Então, eu não vi muitas coisas. Não faço parte dos grupos de fãs, mas, às vezes, o pessoal da comunicação mostra, né? Que a galera está interagindo, que a galera está confabulando. A gente vem sendo perguntado, né? Quais são os planos para agosto de 2026. E a gente não tinha planos. A gente teve que fazer planos porque as pessoas que mais nos apoiaram, as pessoas que nos trouxeram até aqui ficaram perguntando quais são os planos. Então, a gente falou: “Ué, a gente tem que ter planos.” Então, o nosso plano para agosto de 2026 é apresentar um planejamento para os nossos fãs, né? É um mês em que vão acontecer muitas coisas. Vai ter lançamento de música, vai ter lançamento de live session, vai ter lançamento de turnê, vai ter lançamento na lojinha. Então, é um mês muito movimentado. Não só esse mês, como os próximos também, até essa turnê começar, né?
Um dos planos para agosto de 2026 é que a gente espalhe mais ainda o nosso trabalho, a nossa palavra, a nossa filosofia, se é que existe alguma. E eu acredito que sim, porque acaba sendo um estilo de vida, né? O que as pessoas consomem das nossas letras e de como a gente vive. A gente quer espalhar isso por todo canto, por todo lugar. A gente quer tocar no máximo de lugar possível a partir de agora. A gente quer levar nossa música, fisicamente e não fisicamente, a todo lugar. Por exemplo, com as live sessions. A gente também quer ir a todo lugar para adquirir novas inspirações, novas memórias, novas coisas daqui para frente.
Então, acho que o grande plano para esse mês é a gente espalhar a Lagum, levar a Lagum para todo lugar. E nós também, como integrantes da Lagum, estarmos no máximo de lugares possível para, daqui a pouco, a gente poder, sei lá, fazer um novo álbum, entrar numa nova fase de fato imersiva. Então, esses são os planos para agosto de 2026, essa peregrinação.
TMDQA!: Perfeito. E vem aí a turnê “Lagum em Todo Lugar”. Falando um pouco sobre ela, como tem sido pensar em um show que consiga representar diferentes momentos dessa trajetória, ao mesmo tempo que vocês estão na estrada, né? Qualquer tempo livre é um ensaio da nova turnê?
Zani: A gente para agora para produzir um show novo. Eu acho que essa turnê contempla muito desses conteúdos que a gente veio soltando ao longo de 2026, que são as live sessions. Eu acho que o show, com certeza, vai ter tudo a ver com isso. E eu acho que o Lagum em Todo Lugar é bem isso que o Pedro falou também. A gente tem uma historinha que a gente conta para a gente sobre a ilha, que é o nosso ícone, que a gente vive na ilha, vem para a terra, busca as coisas, leva para a ilha, planta, colhe e traz para cá de novo, sabe? Eu acho que é mais ou menos por aí esse “Lagum em Todo Lugar”. Esse “todo lugar”, tanto de recolher e levar para casa quanto de trazer o que a gente plantou em casa e entregar para a galera. Acho que, para mim, é muito a vibe dessa turnê. E, com certeza, vai ter essa pegada das live sessions. Vamos trazer muito do primeiro álbum, com certeza, mas a gente está cozinhando esse show ainda.
Jorge: Complementando isso com o que o Zani falou da parte audiovisual, as sessions que a gente vai lançar têm um significado muito importante para a gente porque elas foram gravadas…
Pedro: Não pode falar em quais lugares.
Jorge: Elas foram gravadas em todos os cantos do Brasil e em situações que, à primeira vista, não seriam propícias para realizar uma gravação naqueles lugares. O primeiro lugar é o bondinho do Rio de Janeiro, por exemplo, e as demais, que vão vir também, representam isso. Então, metaforicamente, significa que, quando a gente trabalha e sonha, consegue ocupar qualquer lugar com o nosso som. E, pensando no Brasil continental, e não só no Brasil, como o mundo, a gente já tem tocado fora do Brasil várias vezes, essa turnê representa a nossa vontade, o nosso sonho de continuar espalhando a palavra e chegar aos lugares onde a gente ainda não chegou, e chegar aos lugares onde a gente já chegou cada vez mais forte.
E isso com o carinho e o cuidado que é sair para a estrada com uma nova turnê. Porque fazia anos que a gente realmente não parava e não dava uma atenção gigante aos arranjos. E tudo que diz respeito a uma turnê, porque, quando a gente abre essa caixinha, uma turnê é muita coisa, é muito trabalho. É repensar a parte audiovisual, a parte musical. Então, a gente está passando uma régua depois de tantos álbuns, depois de tantos singles, para realmente entregar uma turnê que a gente acredita que o público merece, que a gente merece, e chegar para comemorar isso com toda a nossa galera.
TMDQA!: Sobre essas live session, o que vocês queriam resgatar artisticamente nessas sessões e como elas se conectam com a celebração dos 10 anos? O que motivou essa gravação?
Pedro: Tem uma motivação anterior. Eu posso falar que não é uma motivação, é de onde veio a ideia. A gente fez um show em Porto Alegre e geralmente toca no Auditório Araújo Viana. E aí, dessa vez, a gente foi tocar em uma outra casa, que era uma casa onde as pessoas ficam em pé, mais apertadas e tal. Venderam muitos ingressos, as pessoas estavam muito apertadas, estava muito quente, e aí a gente estava tocando, as pessoas já estavam desconfortáveis, e a luz acabou. A gente ficou, tipo, 20 minutos com a luz apagada. E as pessoas começaram a gritar em coro assim: “Insalubre! Insalubre!”. Aí a galera começou a falar assim: “Não tem água aqui, nós estamos passando mal”. Tipo assim, um clima horrível. Foi muito triste. Pessoas saindo, pessoas indo embora. E, nesse momento, me veio essa ideia na cabeça, gravar várias live sessions em vários lugares e isso fazer parte dos planos de agosto de 2026. Enquanto eu estava andando de um lado para o outro do palco, tipo: “Puta que pariu, essa é a pior situação em cima de um palco que a gente já esteve na nossa vida”, essa ideia me veio.
E é engraçado porque primeiro a gente tem a ideia, primeiro a gente dá o passo, depois a gente dá o significado para ela. Não que ela não tenha nenhum significado, mas eu acho que estar nesses lugares com a nossa música representa o que o Zani e o Jorge acabaram de falar que é, a gente quer ir até todos os lugares possíveis para que a gente possa viver isso, adquirir conhecimento e adquirir inspirações. E a gente também quer ir até esses lugares para levar um pouco da gente para lá. A gente quer ter uma troca verdadeira com os lugares.
Então, a ideia veio dessa situação tenebrosa, mas eu acho que a história que a gente conta para a gente mesmo, a partir de agora, é tipo: “Porra, vamos fazer isso?”. E, falando sério, cara, a gente ali dentro do bondinho… Eu só falava assim: “Que se dane o resultado disso aqui. Eu estou muito feliz de estar às cinco horas da manhã dentro do bondinho do Rio de Janeiro, tocando as minhas músicas com os meus amigos aqui do lado.” Tipo, eu acho que a gente merece fazer isso por nós, sabe? A gente merece tratar a música e a arte como algo prazeroso, e não só como um compromisso que quer nos arrancar a pele, sabe? Que a gente tem que cumprir com números, com metas, com Instagram. Então, é isso tudo.
Zani: Fazer o que uma banda faz, né? Eu acho que a gente tem a licença poética de ser uma banda, de fazer. Eu acho que os conteúdos que eu mais gosto, das coisas que eu consumo, são as pessoas tocando, né? Principalmente bandas, né? Aquele baterista fazendo aquilo, aquele baixista fazendo aquilo, não sei o quê. Então, eu acho que fazer o que a gente gosta nesse meio, nesse caldo todo que o Pedro falou, é o mais importante como banda, sabe?
Chicão: Eu acho que a gente identificou também que, nos últimos anos, a gente, no palco, tem uma energia singular. E eu acho que levar essa energia para as live sessions é uma coisa muito legal. A gente fez o [Lagum] Ao Vivo, e colocar isso em vários lugares e vários ambientes, com a parada que é banda mesmo, tocando, acho que traz para a galera essa energia do ao vivo ali. E convida a galera para sentir aquela coisa que a gente costuma falar, que é a diferença do nosso estúdio para o nosso ao vivo. Então, é mais uma forma de mostrar isso para a galera também, mostrar essa energia da Lagum em várias facetas e lugares diferentes.
TMDQA!: Refletindo um pouco sobre a trajetória de vocês. Quando a gente conversou em 2023 sobre Depois do Fim, vocês comentaram sobre como a ausência do Tio [Breno Braga] refletiu no processo de produção do álbum, mas o Jorge destacou que sentia falta da “energia mediadora e apaziguadora” durante os momentos mais delicados das reuniões do grupo. E de lá pra cá vocês lançaram projeto ao vivo, o disco As cores, As Curvas e As Dores do Mundo, continuaram na estrada. E como está essa relação entre vocês hoje em dia e o que vocês aprenderam sobre envelhecer junto como banda ao longo desses 12 anos?
Jorge: A gente aprendeu que, quando tem um número par, a gente tem que ter jogo de cintura e saber as batalhas que quer enfrentar ou não, saber ceder, saber brigar quando acredita muito. E eu acho que é isso, o tempo passa, a gente amadurece como pessoa e isso reflete no trabalho. Então, eu sinto que, na mesma proporção em que, às vezes, o trabalho aumenta ou as tensões aumentam, aumenta também a maturidade para saber ter conversas difíceis, saber conviver em momentos que, às vezes, não têm tanta energia. E é sempre um aprendizado. Porque falar isso é tudo muito bonito, só que é na hora em que as coisas precisam ser conversadas ou resolvidas que isso é colocado à prova. E eu acho que a gente consegue resolver e ter uma boa relação, sabe? E separar também as questões pessoais das profissionais, e saber que, muitas vezes, a discussão não é pessoal, é profissional. Mas é o caminho da vida. Não é fácil, e todo dia é um novo dia para aprender, para errar, para refletir.
Zani: Eu acho que a gente mudou muito desde o início, desde 2016, desde “Depois do Fim” também. Eu acho que a gente vai tomando novas formas como pessoas e eu acredito que hoje, com a casa organizada, a gente achou um lugar onde se dá muito bem. A gente consegue conversar sobre tudo, coloca as coisas na mesa, organiza as coisas na mesa também. Acho que o grande lance que eu aprendi convivendo com três maridos é saber que a gente vai mudar ao longo do tempo. A gente tem que ter essa maleabilidade também para saber lidar um com o outro. E eu acho que é um momento que a gente está tendo, sabe? Tanto que a gente está realizando muitas coisas este ano. Eu acho que a gente está indo bem.
TMDQA!: Quem acompanha a trajetória de vocês, sabe que a Lagum é uma banda que foi crescendo ao longo dos anos. Em um mercado em que muitos artistas buscam viralizar rapidamente, vocês enxergam esse crescimento gradual como uma vantagem para carreira de vocês? Como isso se refletiu no que vocês entregam?
Pedro: Eu acho que o lance de viralizar e de crescer de uma vez, se você não tem nada, é muito desesperador. Porque ele te joga lá em cima e você tem que segurar isso. E, óbvio, que vai cair, né? É muito difícil alguém, pum, sair do zero para o cem e ficar lá em cima, né? Então, eu acho que o que a gente faz… Óbvio, a gente tem momentos, a gente tem picos. Onde a coisa está mais quente, onde a nossa imagem cresce mais. Mas a gente tem uma base muito forte. Então, a gente sabe que, se subir muito, se viralizar, vai descer. E, se descer, do chão não passa. E o nosso chão está muito alto, sabe? A gente está muito confortável. A gente estava falando isso no carro agora. O Zani falou: “Porra, a gente já está em um estágio muito bom. Manter isso aqui já seria ótimo, mas a gente quer mais”.
Zani: O Chicão tem um mandamento que eu acho que é da Lagum, que diz “é importante que a progressão seja sempre constante.” Eu acho que a gente não pira, a gente não senta em reunião para bater meta, “A gente tem que ter tantos, a gente tem que bater não sei o quê”. Eu acho que a gente tem essa mentalidade de que é importante a progressão ser sempre constante, sabe?
Pedro: Em vários âmbitos, né? Na nossa relação, na nossa carreira, no nosso cachê também, que é importante, na nossa qualidade musical. Tem que estar progredindo sempre.
TMDQA!: E se hoje vocês escrevessem a faixa “2036” hoje, quais são os planos que vocês fariam para alcançar até lá?
Pedro: Eu não quero fazer muitos planos não. Eu não fiz em 2016. Chegando em 2035 a gente começa a fazer esses planos, porque se não vai ser muito desesperador. Que a gente esteja junto, que a gente esteja feliz, que a progressão seja sempre constante até lá. Um estúdio maior.
TMDQA!: Pra gente encerrar, se vocês precisassem apresentar o Lagum para alguém usando apenas uma ou duas músicas, qual vocês escolheriam?
Pedro: “Pra Lá de Bagdá” e “Seu e Só”
Zani: “Ninguém Me Ensinou” e “Outro Alguém”
Chico: “Fifa”
Jorge: “Telefone”, mas a versão que não lançou ainda do Live Session, e “Chegou de Manso”
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Lara Teixeira




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