“Queríamos fazer algo diferente da manada”: Paralamas levam os 40 anos de ‘Selvagem?’ ao Doce Maravilha
Celebrar quatro décadas de um álbum que transformou os rumos do rock nacional é um dos momentos mais aguardados do festival Doce Maravilha 2026. No domingo, 09 de agosto, Os Paralamas do Sucesso sobem ao palco no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, para apresentar na íntegra o repertório de “Selvagem?” (1986). O disco desafiou o mercado fonográfico e estabeleceu novas pontes entre o pop, o reggae e a brasilidade.
Confira outras notícias sobre Os Paralamas do Sucesso no Portal POPline
Crédito: Divulgação
LEIA MAIS:
> Os Paralamas do Sucesso faz show histórico para 50 mil pessoas em São Paulo
> Chris Martin é flagrado curtindo “Ska”, do Paralamas do Sucesso, no RJ
Em conversa exclusiva com o portal, o baterista João Barone relembrou a ousadia sonora por trás do projeto, a experiência de ver o público se renovar diante dos palcos e a expectativa da banda em relação ao lançamento de novas composições.
Ver essa foto no Instagram
Como os Paralamas desafiaram as gravadoras nos anos 80 com “Selvagem?”?
Lançado no auge do boom do rock oitentista, o terceiro disco do trio carioca rompeu com a fórmula de consumo rápido exigida pelas gravadoras na época. O grupo decidiu se afastar do caminho convencional para explorar uma sonoridade mais densa e engajada.
“O terceiro álbum era uma espécie de teste nas gravadoras para saber se você ia permanecer na ribalta. A gente arriscou tudo nesse álbum. Fizemos uma mudança sonora e temática muito ousada: abraçamos a sonoridade da música negra, misturamos elementos brasileiros mais explícitos e as letras ganharam um teor mais sério. A gente estava ali com os nossos vinte e poucos anos querendo fazer alguma coisa realmente diferente da manada.” — João Barone
O resultado dessa busca por originalidade excedeu qualquer previsão comercial. “Miramos no passarinho e acertamos no elefante; foi um negócio que a gente não tinha a menor dimensão do que poderia acontecer”, brinca o músico.

A fusão entre rock e samba na criação de “Alagados”, do Paralamas
Ao olhar para a história do álbum, Barone aponta a faixa de abertura como a tradução perfeita da síntese cultural que a banda pretendia alcançar ao unir influências brasileiras com a pressão da bateria e da guitarra.
“A música mais representativa talvez seja ‘Alagados’. O Herbert fez quase um samba-enredo inspirado em Gonzaguinha, Aldir Blanc e João Bosco. A gente deu essa leitura para as coisas que já gostávamos na música brasileira. Tudo o que refletimos nesse álbum de alguma forma não venceu o prazo de validade ainda.” — João Barone
A efervescência de 1986 marcou também um momento histórico no estúdio Nas Nuvens, no Rio: “A gente saiu da gravação do ‘Selvagem’ e os Titãs entraram para gravar o ‘Cabeça Dinossauro’ [outro marco do rock nacional]”, recorda o baterista.
Da revelação do Rock in Rio à conexão com as novas gerações
Experientes em grandes palcos desde a apresentação histórica no Rock in Rio de 1985, Os Paralamas do Sucesso encontram nos festivais uma oportunidade contínua de diálogo com novos ouvintes.
“As pessoas que começaram a nos seguir foram ficando mais maduras. Nas plateias dos nossos shows, víamos os pais levando os filhos e, atualmente, vemos os avós levando os netos. Em tempos onde tudo fica tão etéreo e difuso com o streaming, tocar num festival gigante como o Doce Maravilha traz essa percepção concreta e ao vivo da reação do público.” — João Barone
Músicas inéditas à vista: Paralamas preparam retorno ao estúdio
Após a conclusão da turnê celebratória de 40 anos de carreira — que culminou em um show para 50 mil pessoas no Allianz Parque —, o grupo já planeja os próximos passos no estúdio. O último trabalho autoral de inéditas foi o álbum “Sinais do Sim” (2017).
“Estamos tentando voltar um pouco para as bases e retomar essa parte bacana de compor, ver as músicas novas e as letras do Herbert. A gente está realmente com essa demanda de fazer músicas novas e prevendo para um futuro bem próximo essa retomada. Já colocamos a toalha de mesa, vamos colocar a louça e o faqueiro daqui a pouco.” — João Barone
O músico reforça que o processo de criação acontece de forma orgânica, respeitando o tempo da banda, reforça Barone. “Como sempre fizemos, vamos deixando essa atmosfera da inspiração baixar de algum jeito, sem forçar nada.”
Fotos Tomzé Fonseca/ Agnews
“Sem salto alto ou pose de popstar”: a receita dos Paralamas para continuar na estrada
Refletindo sobre a permanência do grupo no topo da música brasileira por mais de quatro décadas, João Barone credita o êxito à paixão por tocar ao vivo e à ausência de vaidade.
“A gente continua porque ama o que faz. Olhamos para grandes referências como Rolling Stones, Paul McCartney e Bruce Springsteen; os caras podiam ter ido criar galinha, mas continuam porque a vida deles é aquilo ali. A gente sempre se autossacaneou muito, nunca tivemos essa atitude de botar salto alto ou pose de popstar. O que a gente gosta mesmo é de encarar a plateia e fazer música de verdade.” — João Barone
O post “Queríamos fazer algo diferente da manada”: Paralamas levam os 40 anos de ‘Selvagem?’ ao Doce Maravilha apareceu primeiro em POPline.
Bruna Cora




Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.