Lançamentos nacionais: Missão Lunar, Naturezautomatica e GIU LENDA

Missão Lunar homenageia Lô Borges
Crédito: divulgação

Um dos maiores compositores da história da música brasileira, o mineiro Lô Borges influenciou gerações de artistas que transitam entre o Pop, Rock e a canção autoral. O legado do saudoso artista segue reverberando na música, como mostra a banda Missão Lunar no single “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”.

A faixa, composta por Lô ao lado de Márcio Borges, ganhou uma releitura mais pesada, marcada por guitarras distorcidas e pela identidade sonora própria do grupo fundado na Baixada Santista. A escolha do clássico funciona como um aquecimento para o novo álbum da Missão Lunar, previsto ainda para 2026. Em nota para a imprensa, Lucas Reis, vocalista e compositor da banda, comentou:

“Lô Borges é um gigante. Fazer essa versão com guitarras pesadas é uma forma de mostrar de onde viemos e para onde queremos ir: respeito à melodia, mas sem tirar o pé da distorção.”

Em 2024, a Missão Lunar lançou o álbum Terra Terror, obra de narrativa apocalíptica influenciada pelo período da pandemia. Músicas como “O Mar Invade a Cidade de Santos” e a faixa-título se destacaram pelo peso sonoro e pela urgência estética, enquanto “Minha Exceção” e “O Pódio é Seu” exploraram uma abordagem mais melódica, sem abrir mão da contundência lírica.

No ano seguinte, o grupo amadureceu com o EP O Ciclo das Cinzas, no qual a inquietação sonora deu lugar a atmosferas mais etéreas e guitarras mais elaboradas. Canções como “Gênese” e “Sabor Artificial Morango” simbolizaram a fase de transição, equilibrando densidade e sutileza.

Naturezautomatica

Crédito: Flávio Charchar

A banda Naturezautomatica surgiu em 2025 a partir da reunião de músicos já atuantes na cena independente de Belo Horizonte, vindos de projetos como 4Instrumental, Cães do Cerrado, Jota Quércia e RU NA.

No novo grupo, o universo lírico se organiza em torno da sensação de iminência e esgotamento, “aproximação do fim” que, paradoxalmente, parece unificar discursos frequentemente antagônicos sobre futuro, progresso e colapso.

Formada por André “Pepo” Persechini (voz e violão), Leo Bryan (baixo), Raul Lanari (bateria e vocais) e Tiago Sales (guitarra e vocais), a banda apostou em letras que dialogam com a tensão entre a crítica ao chamado realismo capitalista, a ideia de que não haveria alternativas ao sistema vigente, e a insistência em preservar o desejo por futuros possíveis, ainda que atravessados por ruínas simbólicas e tecnológicas.

Tal densidade temática se reflete também na construção sonora do grupo. A instrumentação transita por diferentes camadas e referências, combinando elementos da música popular brasileira, como o triângulo do baião e a viola caipira, com texturas mais atmosféricas, criadas por guitarras distorcidas e arranjos de andamento expandido.

O single “VEM!” funciona como uma espécie de jingle distorcido que evoca um imaginário tecnológico mais simples e promissor, remetendo aos primeiros tempos da internet discada, quando o acesso ao mundo digital era limitado, ritualizado e marcado por expectativas de expansão.

O clipe da música amplia essa narrativa ao abordar a aceleração vertiginosa das transformações digitais, desde a utopia inicial de uma rede global de acesso livre à informação até sua captura por dinâmicas de plataformas e big techs. Produzida por Fernando Bones, a faixa integra um EP em construção, que deverá ser desdobrado em novos singles ao longo do ano.

GIU LENDA

Crédito: divulgação

O músico e produtor GIU LENDA lançou o single “RECORDISTA MUNDIAL SE O DOPING FOSSE ESPORTE”, marcando o início de uma nova fase em sua carreira solo. A faixa apresenta uma fusão entre a urgência do Hardcore, o Rock Alternativo e elementos do Hip Hop, construindo uma estética urbana que transforma tensão social e colapso emocional em matéria-prima artística.

Natural de Vitória, no Espírito Santo, e atualmente radicado em Barcelona, na Espanha, GIU LENDA desenvolveu uma trajetória musical diversa, transitando por diferentes cenas e linguagens ao longo dos anos. A atuação dele, aliás, foi fundamental na construção sonora dos primeiros discos do Dead Fish, contribuindo para a consolidação do Hardcore nacional durante seu período de maior projeção no Brasil.

Posteriormente, GIU integrou a banda do cantor Silva em turnês por grandes festivais, como Lollapalooza e Rock in Rio Lisboa, além de desenvolver projetos autorais como AUDIO e Fundamental Zero. Agora em carreira solo, o artista sintetiza tais experiências em uma identidade própria que combina peso, groove, produção detalhada e uma abordagem lírica marcada por crítica social e resistência.

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Gabriel von Borell

Lançamentos nacionais: Missão Lunar, Naturezautomatica e GIU LENDA


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