Living in the Shit retorna após 30 anos com músicas inéditas e anuncia o novo disco “Corais”

Em um ano político movimentado, a banda Living in the Shit está retomando seus trabalhos com o mesmo espírito contestador que marcou sua trajetória nos anos 1990.
Conhecido como o único grupo não pernambucano associado ao movimento mangue beat, a banda alagoana anunciou recentemente o álbum Corais, seu primeiro trabalho de estúdio em quase 30 anos.
O novo álbum, previsto para ser lançado ainda em 2026, chega acompanhado de reflexões sobre temas atuais como desinformação, manipulação digital e o impacto ambiental do turismo de massa.
Servindo como um presente para os fãs já que o disco de estreia da banda, Chá Magiológico (1995), está fora de catálogo e os registros da época são escassos na internet, Corais chega com seis músicas inéditas e seis releituras de demos. Sobre o processo criativo desse disco, Marcelo Quintella, cofundador do grupo ao lado do irmão Eduardo Quintella, explicou em nota:
Mesmo depois de sair da banda, em 1998, fiquei com a sensação de que a pré-produção do que seria nosso segundo álbum deveria ser terminada. Eu acreditava que, se na época houvesse mais verba e pudéssemos ter trabalhado mais naquelas composições, teria saído um material incrível.
A partir daí, resolvemos fazer releituras daquelas composições e, posteriormente, sentimos a necessidade de também compor novas músicas. A idéia era que [as novas composições] tivessem uma sonoridade próxima àquela que tínhamos buscado naquela pré-produção em 98, mas também uma conexão com o nosso primeiro álbum, ‘Chá Magiológico’.”
Living in the Shit lançará seu primeiro disco após 30 anos
A história do Living in the Shit está diretamente ligada ao contexto político que também deu origem ao próprio Manifesto Mangue Beat.
A banda foi formada pelos irmãos Marcelo e Eduardo Quintella durante o período das manifestações de rua pelo impeachment de Fernando Collor, e seu nome expressava a sensação de insatisfação com aquele momento sociopolítico brasileiro – especificamente com a região Nordeste, marcada pela precariedade, corrupção e falta de investimentos.
Em Corais, os fãs encontram o mesmo aspecto contestador nas letras do grupo e sua sonoridade também mantém a identidade construída pela banda, explorando a combinação de peso e elementos de diferentes vertentes da música negra e ritmos regionais.
Para potencializar a mensagem do álbum que marca o seu retorno, a Living in the Shit convocou para participações especiais nomes como o cantor Wado, Jurandir Bozo, mestre do coco de roda alagoano, Lore B, artista da nova geração musical alagoana, o guitarrista e vocalista Fábio Trummer e o percussionista Wilson Santos.
O disco contou com a produção dos irmãos Quintella e Castor Daudt (De Falla), teve a mixagem feita por Greg Norman no estúdio Electrical Audio, de Steve Albini, e a masterização de Matthew J. Barnhart. Corais será lançado de forma independente pelo selo Underground Signal, de Nova Iorque, em vinil, CD e nas principais plataformas digitais.
Ouça “Agridoce”, primeiro single de Corais
Como primeira prévia do disco, a banda compartilhou com os fãs o single “Agridoce”, que conta com a participação de Jurandir Bozo e é descrita como uma das músicas mais fortes do disco.
A letra da faixa revisita “Rojão”, música do álbum Chá Magiológico, partindo de uma perspectiva mais geral para algo mais pessoal, com o vocalista Marcelo Quintella explorando sua própria experiência como imigrante primeiramente na Europa e, posteriormente, nos Estados Unidos, no momento em que a xenofobia e o sentimento anti-imigração intensificam-se em diversas partes do mundo.
Ouça o single no player abaixo!
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Lara Teixeira
Living in the Shit retorna após 30 anos com músicas inéditas e anuncia o novo disco “Corais”




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