Oasis, adidas e a lição que Cannes deu para as marcas

Não sou um grande fã de Oasis e Cannes já foi mais importante no meu dia-a-dia profissional. Escrito isso, é inegável que em um festival cada vez mais cercado por inteligência artificial, polêmicas, egos inflados, plataformas, dados e tecnologia, o grande vencedor ser uma história construída ao longo de décadas entre uma banda amada e uma marca é emblemático.
“Original Forever”, campanha da Adidas Originals em parceria com o Oasis, conquistou dois Grand Prix: Entertainment e Entertainment Lions for Music. Uma demonstração de como marcas podem ocupar um espaço legítimo dentro da cultura sem parecer que estão tentando fazer isso.
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Durante os anos 1990, Liam e Noel Gallagher nunca precisaram de um contrato milionário para vestir Adidas. Usavam a marca porque ela fazia parte da identidade daquela geração. O Britpop, a cultura das arquibancadas inglesas, a moda casual, o futebol e a Adidas nasceram praticamente do mesmo contexto social. Era tipo um uniforme de uma cena cultural.
Quando a reunião do Oasis movimentou o mundo inteiro, a Adidas não precisou inventar uma narrativa. Ela apenas reconheceu uma relação que o público já conhecia. O resultado foi uma coleção oficial de 26 peças, uma série de ativações durante a turnê mundial e um filme de aproximadamente três minutos embalado por “Live Forever”, combinando imagens atuais com registros históricos, incluindo apresentações em Knebworth em 1996.
Em vez de colocar a marca no centro da história, o filme coloca os fãs. Eles são os protagonistas. A Adidas aparece como parte natural daquele universo, não como patrocinadora tentando chamar a atenção.
Durante muitos anos, o marketing se acostumou a interromper a cultura. Hoje, os melhores trabalhos fazem exatamente o contrário. Eles entram nela de forma orgânica. Como falo bastante por aí, muitas marcas acreditam que grandes collabs acontecem porque duas empresas decidem trabalhar juntas e lançam algo com dois logos. Na prática, as melhores parcerias são consequência de relações culturais que já existem. O consumidor percebe imediatamente quando uma colaboração nasce de uma oportunidade comercial e quando ela nasce de uma verdade compartilhada.
Foi exatamente essa autenticidade que Cannes premiou.
Vale assistir a esse case study!
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Gustavo Giglio




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