Psica irá realizar edição de verão no Marajó com Duda Beat, Tribo de Jah e Mombojó

Por Fabricio Araújo, @orockeiroparaense
O Festival Psica irá realizar a primeira edição do Festival Psica no Verão Amazônico nos dias 17 e 18 de julho, na Praia da Vila de Joanes, no Marajó (PA). A programação será gratuita e reunirá artistas nacionais, nomes fundamentais da música amazônica e potências locais da ilha, marcando mais um movimento do festival em expandir sua atuação para além de Belém e transformar a Amazônia em destino cultural no calendário brasileiro.
Entre os destaques do line-up estão Duda Beat, Tribo de Jah e Mombojó. Em entrevista ao TMDQA!, Missionário José (baixo) e Chiquinho (teclado e sampler) falaram sobre a expectativa de retornar ao Pará, a estreia da banda no Marajó e o repertório preparado especialmente para o festival.
Mombojó estreia no Marajó com show centrado em Solar
A apresentação será a descoberta de um território onde a banda nunca tocou e, ao mesmo tempo, um reencontro com o público paraense. Missionário José explica:
A gente está superanimado porque é uma volta, mas também é uma estreia. Estamos voltando para o Pará, mas indo tocar em um lugar em que nunca fomos”.
Chiquinho também destaca a possibilidade de alcançar uma nova geração de ouvintes. Para ele, festivais criam encontros que escapam às lógicas das plataformas digitais:
É uma oportunidade de renovar um pouco o público. Imagino que tenha uma nova geração que não necessariamente conhece o Mombojó, mas vai ter a chance de trocar uma ideia com a gente e conhecer”.
O show no Psica será o primeiro da banda em um festival desde o lançamento de Solar. “O mocotó desse show é o ‘Solar’”, resume Missionário José, que até brinca com a proximidade de Joanes com a Linha do Equador, dizendo que não haveria cenário mais adequado para apresentar um disco com esse título.
Ainda segundo o músico, o repertório percorrerá praticamente todo o disco novo, sem deixar de lado canções do Nada de Novo, trabalho de estreia que marcou a trajetória do grupo e permanece como o mais conhecido pelo público. Chiquinho reforça que o público encontrará uma banda “muito feliz, viva, ativa e agradecida por ter o privilégio de estar em um festival tão importante, onde tanta gente legal tá passando”, disposta a celebrar a própria história e “botar para quebrar” na Ilha do Marajó.
Entre Pernambuco e Pará, uma ponte musical
A passagem pelo Psica também reativa uma relação antiga do Mombojó com o Pará. Chiquinho recorda apresentações marcantes em Belém, entre elas uma noite em que a banda dividiu um evento com o Ponto de Equilíbrio e subiu ao palco já de madrugada, por volta das 3-4h da manhã.
Mesmo com o horário avançado, o público permaneceu para assistir ao show, no qual o guitarrista Marcelo Machado, ao pular, abriu um pequeno buraco no palco onde acabou enfiando sua perna direita; mesmo assim, continuou tocando e o público achou que a posição fazia parte da performance. “Foi um show muito emblemático. É um lugar muito especial”, relembra.
Para Missionário, as conexões entre Pará e Pernambuco vão além das passagens da banda pela região. Elas aparecem na circulação de ritmos como a lambada e a guitarrada e no intercâmbio entre cenas populares do Norte e do Nordeste. Chiquinho aproxima ainda a inquietação criativa das juventudes de Belém e Recife, capazes de renovar seus cenários musicais e produzir encontros como “Xirley”, sucesso de Gaby Amarantos que tem no seu time de compositores ele e Marcelo Machado.
Esse diálogo entre territórios encontra eco na própria proposta do Psica: reunir artistas nacionais, nomes fundamentais da música amazônica e expressões locais do Marajó em condições de protagonismo. Para o Mombojó, o festival será uma oportunidade de reencontrar amigos, descobrir novos artistas e transformar o primeiro show da banda na ilha em mais um capítulo dessa ponte entre Pernambuco e Pará.
O Festival
A programação do Festival Psica no Verão Amazônico também evidencia a força da cultura marajoara com participações como Grupo Paracauari convida Mestra Jesus, Balanço de Maré convida Mestre Zezinho Viana e Encanto Marajoara, além de nomes como Layse & Lambada da Serpente, Mega Pop Show e Rock dos Brabos.
Nos decks, o festival segue conectando pista e território com DJs como DJ Cleide Roots, DJ Pedrita e DJ Rafael Cassiano, fortalecendo a presença de artistas locais e a relação direta com a cena amazônica contemporânea.
Para construir essa primeira edição no Marajó, o festival manteve a lógica que já marca sua identidade, agora adaptada ao contexto do verão amazônico. Jeft Dias, diretor do festival, explica:
A gente pensou muito no perfil de curadoria que o Psica já tem, de colocar artistas nacionais junto com os artistas do nosso território, todo mundo em lugar de protagonismo. E aplicamos isso no contexto do Marajó.
Começamos a pensar em quais são os artistas que chamam a atenção da galera, que o público gosta mesmo, e fomos chegando nesses nomes. Ao mesmo tempo, envolvemos os artistas da região, com uma presença forte dos grupos do Marajó Oriental, principalmente de Salvaterra e da Vila de Joanes”.
Segundo ele, o line também incorpora uma atmosfera própria da estação:
Temos artistas do brega, como o Mega Pop Show, que tem uma conexão direta com o público marajoara, e também nomes de outros territórios dentro de uma proposta de verão, de praia, como a Duda Beat, que chega com um show que dialoga muito com esse clima”.
Encontro de Gigantes
Entre os nomes nacionais,Duda Beat chega ao festival com a força de uma artista que tem atravessado o pop brasileiro com uma narrativa emocional intensa e dançante, refletida em sua atual fase Tara & Delírio, onde equilibra vulnerabilidade e pista em uma experiência sensorial e coletiva.
No reggae, a presença da Tribo de Jah reforça o peso histórico do line-up. Pioneira do gênero no Brasil desde 1986, a banda acumula mais de 2 milhões de discos vendidos, 19 álbuns lançados e apresentações em mais de 50 países, sendo também a primeira e única banda brasileira de reggae a se apresentar no Sunsplash, na Jamaica.
O line também mergulha profundamente nas potências culturais do Marajó, evidenciando encontros que traduzem o espírito do festival. É o caso do Grupo Paracauari, que convida Mestra Jesus, uma das grandes guardiãs da cultura marajoara, com mais de 40 composições que retratam as paisagens, saberes e tradições da ilha. Fundado em 1990 em Salvaterra, o Paracauari atua na preservação do folclore por meio da dança e da música, levando ao palco narrativas que atravessam gerações e mantêm viva a identidade cultural da região .
Outro encontro simbólico acontece com o Balanço de Maré, grupo nascido na Vila de Joanes e uma das principais vozes da nova geração do carimbó, que convida o mestre marajoara Zezinho Viana, referência da música cabocla e autor de mais de 90 composições que traduzem a vida ribeirinha e o cotidiano do Marajó. Juntos, eles conectam tradição e renovação em uma apresentação que reforça o papel do festival como espaço de continuidade cultural.
A programação ainda destaca a força paraense com a participação do Mega Pop Show, grupo que há mais de duas décadas movimenta o estado com um repertório dançante e acessível, misturando ritmos populares e criando uma atmosfera de festa que atravessa gerações.
Já o Rock dos Brabos, representando a cena do Marajó, leva ao palco a energia das bandas locais que movimentam o circuito independente da ilha. Fechando esse eixo marajoara, o Batuque Encantado propõe uma imersão nas tradições rítmicas da região, reunindo diferentes expressões culturais em uma apresentação coletiva que conecta música, território e celebração.
No encontro entre diferentes territórios musicais, Layse & Lambada da Serpente representam uma fusão contemporânea que atravessa a lambada, a cumbia e sonoridades amazônicas em uma proposta que mistura tradição e experimentação, criando uma experiência sonora dançante, tropical e coletiva.
Entre os DJs, nomes como DJ Pedrita reforçam a potência da cultura de aparelhagem amazônica. Primeira DJ mulher de aparelhagem do oeste do Pará, ela estará ao lado de DJ Cleide Roots, referência do reggae no estado e presença constante em festivais e radiolas da região, e DJ Rafael Cassiano, representante da cena marajoara que leva para a pista a força dos ritmos locais em um som totalmente contemporâneo. Juntos, eles construirão uma experiência que atravessará o sound system, o tecnobrega e representará as influências periféricas que moldam a identidade musical do paraense.
A Capital do Búfalo
Instalado em uma das regiões mais simbólicas do Pará, o Marajó, conhecido por suas praias de água doce, paisagens naturais únicas e uma cultura profundamente marcada por tradições populares, o festival se torna o cenário de uma experiência que vai além da música.
A proposta do Festival Psica no Verão Amazônico é recriar o clima das festas de interior, dos encontros à beira-rio e das temporadas que movimentam a vida nas ilhas, agora conectadas a um público que atravessa o país em busca de novas vivências culturais.
O line reflete esse encontro: artistas que dialogam com o mainstream brasileiro dividem espaço com expressões culturais do território, criando uma curadoria que parte da Amazônia, mas conversa com o Brasil inteiro.
A escolha do Marajó como palco dessa primeira edição também reforça um movimento estratégico do festival de fortalecer sua atuação dentro do próprio território antes de expandir para outros mercados. Gerson Dias, também diretor do festival, afirma:
A gente pensa muito no público local, na gente mesmo, e a partir disso acaba impactando um público massivo no território e transbordando para outros lugares. Enquanto outras regiões estão vivendo o inverno, a gente está no auge do verão amazônico. Então o festival surge como uma alternativa incrível de viagem nesse período, principalmente nas férias. Indo para dentro, fortalecendo o território, a gente também acaba indo para fora porque a marca chega mais longe”.
Com mais de 10 shows em dois dias de programação gratuita em solo marajoara, o Psica reforça um movimento que já vinha se desenhando nos últimos anos: o de transformar o Norte não apenas em palco, mas em ponto de chegada. Em 2025, quase metade do público do festival veio de fora de Belém e, agora, os psiquentos se mobilizam para o Marajó, aproveitando as férias nortistas e posicionando a ilha como um dos destinos mais potentes do circuito cultural brasileiro.
Line Up – Psica no Verão Amazônico
17/07/2026, Sexta-feira
● Encanto Marajoara
● Dj Cleide Roots
● Grupo Balanço de Maré Convida Mestre Zezinho Viana
● Dj Cleide Roots
● Layse & Lambada da Serpente
● Rock dos Brabos
● Tribo de Jah
● Rock dos Brabos
18/07/2026, Sábado
● Grupo Paracauari Convida Mestra Jesus
● Dj Pedrita
● Mombojó
● Dj Pedrita
● Mega Pop Show
● Dj Rafael Cassiano
● Duda Beat
● Dj Rafael Cassiano
Serviço
Festival Psica no Verão Amazônico
Data: 17 e 18 de julho
Local: Praia de Joanes – Ilha do Marajó (PA)
Ingressos: Gratuito
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