Shakira prova que foi escolha certeira para megashow em Copacabana e reúne multidão

Shakira em Copacabana

Se na passagem anterior pelo Rio de Janeiro, em 2025, Shakira disse que não esquece do público brasileiro, desta vez a história ganhou outra dimensão. Agora, sem dúvidas, é memória eterna.

Na noite de sábado, 02 de Maio, a Praia de Copacabana foi tomada por uma multidão de cerca de 2 milhões de pessoas para assistir à estrela colombiana no projeto Todo Mundo No Rio, realizado pela Bonus Track. A energia foi difícil de ignorar. No altar do planeta e sob lua cheia, Shakira conduziu um espetáculo que confirmou, na prática, que se encaixava perfeitamente naquele palco. 

Shakira sempre demonstrou muito carinho pelo Brasil, mas dessa vez ela foi além. A apresentação, parte da turnê Las Mujeres Ya No Lloran, trouxe elementos visuais que dialogavam com a cultura brasileira, além de figurinos temáticos e momentos pensados para aproximar ainda mais essa relação. Tudo isso ajudou a construir uma experiência que soou próxima, mesmo em uma escala gigantesca.

Em vários momentos, a cantora se emocionou, conversou com o público em português e reforçou essa conexão com naturalidade. O sorriso constante e a forma leve como conduziu a noite ajudaram a abrilhantar o espetáculo.

Antes mesmo de subir ao palco, Shakira já dava sinais do que estava por vir. Minutos antes do início do show, o céu de Copacabana foi tomado por um espetáculo de drones que desenhou uma loba, em referência direta a uma de suas eras mais marcantes. Em seguida, a imagem se transformou na silhueta de Shakira e, logo depois, na frase “Te amo, Brasil”, arrancando reação imediata do público e preparando o terreno para a entrada da artista.

A força do sangue latino

Existe um contexto por trás da grandeza da noite. A cultura latina vive um forte período de visibilidade e afirmação global, ocupando espaços centrais na música, nas redes, na estética e no discurso.

Dentro disso, Shakira surge como uma figura essencial e coerente. Ela não apenas representa essa força latina, como ajudou a construí-la ao longo de três décadas de uma carreira que continua atual, o que ficou evidente ao longo do show.

O repertório conectou diferentes gerações com facilidade. Clássicos foram recebidos com euforia, enquanto músicas mais recentes mostraram uma artista alinhada com o presente. Tudo isso com uma identidade muito clara, que atravessa todas as fases. 

Outro aspecto que reforçou essa latinidade foi a troca com o público. Em diversos momentos, a plateia se jogou no espanhol, e até no bom e velho portunhol, cantando junto com a artista sem qualquer cerimônia. Em resposta, Shakira transitava para o português, criando um diálogo muito simbólico entre Brasil e Colômbia, que ia além da música e se transformava em conexão cultural. 

Essa mistura ficou ainda mais evidente com a escolha dos convidados, todos nomes relevantes da música brasileira, reforçando essa celebração latina.

Uma história real sendo contada

A turnê Las Mujeres Ya No Lloran, que nasce do 12º álbum da carreira de Shakira, marca a segunda passagem desse espetáculo pelo Brasil. Foi no Rio, inclusive, que a cantora deu início a essa fase, em Fevereiro do ano passado.

Desde então, a turnê se consolidou como a mais lucrativa de uma artista latina na história, ultrapassando a marca de bilhões em arrecadação ao longo de dezenas de apresentações. Esse contexto ajuda a entender o tamanho do momento que ela vive.

No palco, esse capítulo da carreira e vida pessoal aparece de forma bem construída. Ao longo do show, Shakira revisita com sensibilidade o fim conturbado de seu relacionamento com o jogador Gerard Piqué, que serviu de base para o disco lançado em 2024.

Os interlúdios em vídeo ajudam a contar essa história com cuidado. Em vez de pesar o clima, eles funcionam como pontos de conexão entre os blocos do show. As imagens mostram uma artista que atravessa um período difícil, mas que também encontra caminhos para se reerguer.

Ao mesmo tempo, há um retorno simbólico às origens. Em diversos momentos, Shakira retorna ao início da carreira, resgatando a ambição e a vontade de conquistar o mundo que marcaram seus primeiros passos, equilibrando passado e presente com profundidade.

A energia única de Shakira

Ao longo da noite, Shakira atravessou diferentes estilos com segurança e intensidade, conectando Rock, Pop, Reggaeton, música latina e referências árabes com fluidez.

Existe uma vitalidade muito própria na forma como ela ocupa o palco. A energia não oscila de forma brusca, mas se mantém acesa o tempo todo, como uma fonte que se renova a cada música.

Isso aparece principalmente na dança. Os movimentos são precisos, envolventes e ajudam a sustentar o ritmo da apresentação, criando momentos que prendem o olhar mesmo em meio à imensidão de Copacabana. No altar do planeta, Shakira surgiu como uma verdadeira divindade.

Em alguns trechos, essa presença ganha um ar hipnótico e quase ritualístico. A combinação entre música, luz e movimento cria cenas que se expandem diante do público.

Dona de uma voz singular e compositora de mão cheia, Shakira também se destaca ao assumir instrumentos como violão e guitarra em diferentes momentos do show, ampliando a dinâmica da apresentação.

Além disso, o carisma segue sendo um dos seus grandes trunfos. Shakira sorriu, se aproximou, reagiu ao público e deixou tudo mais leve, como se estivesse dividindo aquele momento com amigos. Essa naturalidade ajudou a manter a conexão viva do começo ao fim.

Desfile de hits e convidados ilustres

O repertório foi guiado por clássicos que definiram a trajetória de Shakira. Grandes hits como “Estoy Aquí”, “La Tortura”, “Hips Don’t Lie”, “Ojos Así”, “Whenever, Wherever” e “Waka Waka” (com Raphael Vicente e o Dance Maré) marcaram presença e ajudaram a definir o show com uma sequência de momentos reconhecíveis do início ao fim. 

Ao mesmo tempo, faixas queridas pelos fãs mais fiéis, como “Antología” e “Pies Descalzos, Sueños Blancos”, também tiveram espaço, equilibrando a apresentação.

Entre os convidados, Caetano Veloso apareceu para cantar “O Leãozinho” ao lado da colombiana, reforçando a conexão com a música brasileira. Logo depois, Maria Bethânia, irmã de Caetano, subiu ao palco para uma versão acústica de “O Que É, O Que É”, de Gonzaguinha, em um dos momentos mais enérgicos da noite.

A já esperada participação de Anitta também se confirmou. Juntas, elas apresentaram a explosiva “Choka Choka”, parceria inédita que mistura referências das culturas dos dois países e faz parte do recém-lançado álbum da brasileira, Equilibrivm.

Outro momento também aguardado foi a presença de Ivete Sangalo. Repetindo a parceria vista em 2011 durante o festival Rock in Rio, as duas mantiveram a energia alta com “País Tropical”, de Jorge Ben Jor, criando um dos pontos mais divertidos do show. Como Veveta disse, foi o carnaval da Shakira.

E teve Rihanna em Copacabana, sim! Mesmo sem presença física, “Can’t Remember to Forget You” , feat de Shakira com a cantora, voltou ao setlist em versão mais longa pela primeira vez em quase 10 anos, com direito a vídeo e um trecho da voz de Rihanna.

Sem espaço para dúvidas em Copacabana  

Ao longo da noite, ficou evidente como tudo caminhava na mesma direção. Shakira, repertório e público pareciam conectados desde o início, sem esforço, como um encontro já desenhado há muito tempo.

A escolha da artista para o evento se sustenta justamente por isso. Não foi apenas uma questão de escala ou expectativa, mas de encaixe. Cada parte funcionou dentro da proposta.

O repertório ajudou a conduzir esse caminho, enquanto a entrega no palco manteve o ritmo sempre alto. Ao mesmo tempo, a resposta da multidão completava o cenário, criando uma troca constante que sustentou o show até o fim.

Copacabana, mais uma vez, virou palco de algo que ultrapassa a música. Desta vez, com a latinidade no centro e com Shakira transformando a praia em um grande altar a céu aberto, sob lua cheia para uivar em um encontro que fez sentido do começo ao fim da loba e sua alcateia. 

Setlist – Shakira em Copacabana (02/05/26)

  1. “La Fuerte”
  2. “Girl Like Me”
  3. “Las de La Intuición” / “Estoy Aquí”
  4. “Empire” / “Inevitable”
  5. “Te Felicito”
  6. “TQG”
  7. “Don’t Bother”
  8. “Acróstico”
  9. “Copa Vacía”
  10. “La Bicicleta”
  11. “La Tortura”
  12. “Hips Don’t Lie”
  13. “Chantaje”
  14. “Loca”
  15. “Soltera”
  16. “Choka Choka” (com Anitta)
  17. “Can’t Remember to Forget You”
  18. “Ojos Así”
  19. “Pies Descalzos, Sueños Blancos”
  20. “Antología”
  21. “O Leãozinho” (com Caetano Veloso)
  22. “O que é, o que é” (com Maria Bethânia, cover de Gonzaguinha)
  23. “Objection (Tango)”
  24. “País Tropical” (com Ivete Sangalo, cover de Jorge Ben Jor)
  25. “Whenever, Wherever”
  26. “Waka Waka (This Time for Africa)”
  27. “She Wolf”
  28. “BZRP Music Sessions #53”

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Angélica Albuquerque

Shakira prova que foi escolha certeira para megashow em Copacabana e reúne multidão


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